Antes de falar da auditoria necessária que precisa ser realizada pelo prefeito eleito de Biguaçu, Salmir Silva (MDB), vou começar o artigo comentando a respeito de algo nada a ver com nossa cidade, mas depois vocês entenderão o link da ideia defendida. Estou falando da deputada federal, Joice Hasselmann (PSL).

Começo citando a jornalista Joice, que teve a segunda maior votação da história das eleições para deputado federal em São Paulo. Em 2018, na Onda Bolsonaro, Joice surfou e conquistou 1 milhão e 64 mil votos para deputada, uma votação extraordinária.

No entanto, Joice jogou tudo para o alto entre 2019 e neste ano ao entrar ao atacar Jair Bolsonaro e seus filhos e acusá-los de serem mentores de “milícias virtuais”, acusação esta que se reverteu contra ela quando foi revelado um áudio vazado em que a deputada Joice instruía seus próprios funcionários a criarem perfis falsos para atacar adversários. O caso revelou a contradição clássica do “acuse-os do que você faz, chame-os do que você é”, frase esta atribuída a Lênin, o fundador da antiga União Soviética (1917-1991).

Enfim, um desastre político completo, pois Joice simplesmente não enxergou o terreno onde estava pisando, perdeu-se na arrogância e ela “não se enxergava”, como diz o ditado popular.

Em linguagem simples, Joice tinha alcançado a glória por ser uma brilhante jornalista, mas não tinha preparo intelectual nem vivência política para ser deputada. Está caindo de bico da asa delta.

Não tendo capacidade de raciocínio para enxergar seus erros crassos, Joice completou o desastre ao candidatar-se a prefeita de São Paulo. Teve apenas 98 mil votos, votação esta menor do que a de muitos vereadores medianos da maior cidade do Brasil.

Mas por que estou falando de Joice Hasselmann? Estou querendo fazer algum tipo de comparação entre Salmir Silva e Joice Hasselmann?

Na realidade, a resposta é sim, apesar de realidades políticas tão diferentes. Não que Salmir seja comparado ao famoso perfil “não se enxerga mesmo” de Joice Hasselmann. Pelo contrário. Salmir tem qualidades que saltam aos olhos se comparados à média dos políticos biguaçuenses em geral: é ponderado, inteligente, PREPARADO tanto nos lados intelectual quanto no empresarial, sabe ouvir, tem boas ideias e é sério.

Por isso, Salmir tem de tomar sempre muito cuidado. Não seja em hipótese alguma a uma Joice Hasselmann. Continue sendo o cidadão humilde e ponderado que você tem sido até agora. Saiba que o poder é traiçoeiro. Alguns se perdem achando que o poder é eterno, mas acabam acumulando erros infantis.

O prefeito em fim de mandato, Ramon Wollinger (PSD), é um exemplo do político que alcança o poder, fica completamente deslumbrado achando que é algo “eterno” e faz uma sucessão de atos até mesmo infantis achando que pode fazer tudo que pensa impunemente.

O prefeito eleito Salmir ganhou 42% da votação geral, uma performance excelente. É quase a metade da população apoiando-o. Este é o seu “capital de governabilidade”.

Mas por que Salmir teve tanta votação? Por um “luxo” dos eleitores?

Claro que não. Os eleitores votaram maciçamente em Salmir porque muitos eleitores estavam expressando seu repúdio à administração Ramon Wollinger. Salmir canalizou o voto de protesto daquele eleitorado que antes não era do MDB. Por isso, a votação excelente.

Mas o que os leitores querem? Que o novo prefeito, logo que assumir o cargo, faça uma auditoria no mínimo “básica” nas contas para esclarecer dúvidas sobre situações “incômodas” em que o futuro ex-prefeito Ramon brincou com a inteligência coletiva da cidade.

É preciso esclarecer que história foi aquela do aumento “forçado” da COSIP para justificar gastos milionários sem licitações. Aliás, para quem não se lembra, o vereador Salmir Silva foi quem questionou, na tribuna da câmara, qual a razão do prefeito Ramon ter decretado o aumento da taxa de iluminação pública (COSIP). Cremos que o prefeito eleito queira que essa história seja esclarecida de uma vez por todas.

É preciso também esclarecer o caso do instituto ISEV como também da série de “super” licitações que precisam ser esclarecidas.

O próprio Salmir, como vereador, certa vez questionou, exigiu e ameaçou entrar na justiça para que a prefeitura enviasse uma lista dos gastos com publicidade. Salmir agora terá a oportunidade de esclarecer os fatos através de uma auditoria.

Como é que Biguaçu gastou R$ 186,8 milhões em educação básica municipal, uma verdadeira fortuna, para que a cidade ficasse em último lugar do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) da Grande Florianópolis? Como o dinheiro foi aplicado?

Dá de citar vários outros casos, que poderiam transformar este artigo num pequeno livro, mas ficaremos só nesses exemplos que uma boa auditoria poderá esclarecer.

Não é perseguição nem revanchismo. É seriedade e justiça. A população quer saber o que realmente aconteceu. Doa a quem doer, a verdade tem de ser revelada.

O prefeito eleito, Salmir Silva, não pode, nem deve deixar de lado a auditoria geral até porque há séria possibilidade de ele assumir a prefeitura com certos problemas de caixas, pois o prefeito de saída pela porta dos fundos, Ramon, foi de uma incompetência ímpar e as consequências da irresponsabilidade poderão respingar na administração financeira da gestão Salmir. Para evitar isso, nada melhor do que esclarecer os fatos.

Sem medo de estar cometendo injustiça, há razões históricas mais que suficientes que Ramon foi o PIOR prefeito de Biguaçu de todos os tempos. Merecia até mesmo um livro onde seria dissecada uma miríade de casos absurdos detectados na sua gestão.

Salmir, não marque bobeira. Joice Hasselmann, do exemplo citado no início deste artigo, “evaporou-se” por puro despreparo. Não soube preservar o capital eleitoral.

Tenha isso em mente e tenha a humildade, a serenidade, o planejamento e a inteligência suficientes para preservar seu capital eleitoral ao longo dos próximos quatro anos e mostrar ao povo que os votos depositados para sua pessoa não foram em vão.

Os antigos romanos tinham um costume no mínimo exótico. Os generais que retornavam a Roma após grandes vitórias nos campos de batalha desfilavam pela avenida em suas bigas, aquela carroça de guerra com duas rodas. O general, em frente a seu exército marchando, passava pela multidão em êxtase gritando seu nome e louvando sua glória.

Ao seu lado, havia um escravo segurando uma coroa na altura da cabeça do general. E esse escravo repetia ao longo do trajeto: “memento mori, memento mori”.

A frase significa em latim “lembre-se de que você é mortal” ou “lembre-se de que você vai morrer”, isto é, o escravo dizia o que hoje poderia ser traduzido mais ou menos assim: “tu és o cara, cheio de glória, brilhante, mas baixa sua bola, cara, e seja humilde porque o poder e a glória podem desaparecer se fizer algo errado. Sua glória não é eterna. Você não é Deus, é um m…. de um ser humano mortal”

Salmir, não deixa as leituras de lado. Sempre estude e analise as histórias do mundo para tirar lições. Conhecimento e leitura são um tesouro para termos em mãos para fundamentar nossas decisões.

Na prefeitura de Biguaçu, faça a coisa certa. Seja líder, aquele tipo de líder que o povo idealiza. Faça a coisa certa para não ser depois “julgado” em 2024. Lembre-se: “memento mori”.

Parabéns por sua glória, mas não esqueça nunca: “memento mori”.

 

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

https://chat.whatsapp.com/D7vhA0aRnv1AwiF51xznxl

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio Carlos, Governador Celso Ramos e região.