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Não está bom o quadro clínico de Paulo Benaia Silva, 37, o operário que sofreu acidente por eletrocutamento na manhã da última quinta (17/08) numa obra dentro das dependências do CTG Sela de Prata, no bairro Fundos, Biguaçu.

Segundo informa a família, parte do rosto dele inchou acentuadamente e ele se encontra com muita dor.

Paulo chegou ao Hospital Regional de São José no início da tarde de quinta (17/08). No entanto, de acordo com Madalena Silva, irmã do operário, os médicos iriam fazer a primeira tomografia apenas hoje (sábado, 19/08), dois dias depois do acidente.

Em casos de acidentes graves como o que Paulo sofreu, a tomografia, exame radiológico por imagens, precisa ser feita o mais rápido possível para se verificar se houve lesões internas. Como Paulo amanheceu com acentuado inchaço num lado da cabeça, a família teme que possa ser tarde demais caso órgãos internos tenham sido atingidos, abrindo assim passagem para infecções ou hemorragias que podem ser fatais.

 

APELO

Elias Lima, amigo de Paulo, telefonou pedindo a intermediação de alguma autoridade para que Paulo seja transferido a algum quarto do hospital. Desde que chegou ao Regional até o momento da redação dessa reportagem, na tarde de sábado (19/08), o operário encontrava-se na emergência, no meio de uma multidão de outros pacientes. A família teme infecções.

“Peço ao prefeito (de Biguaçu) Ramon Wollinger que nos ajude a conseguir esse quarto”, apela Elias.

 

ESCLARECIMENTOS

O acidente ocorreu dentro do terreno do CTG Sela de Prata. No entanto, segundo Elias, a torre que vem sendo construída naquele terreno para a instalação de um transformador não é uma obra do CTG, mas sim da Celesc.

O operário Paulo, que mora no morro atrás do JK Artefatos de Cimento, no bairro Fundos, Biguaçu, foi contratado por uma empresa que presta serviços à Celesc, segundo informa Elias. “Não sei o nome da empresa”, observa.

A reportagem tentou descobrir o telefone do CTG, mas no Google não consta tal informação como também no Facebook. O JBFoco está à disposição da direção do CTG para que se pronuncie sobre o caso. Neste momento, a informação é a de que o Sela de Prata apenas teria cedido espaço para a instalação da torre onde houve o acidente. O operário Paulo Silva trabalhava em cima da torre quando sem querer encostou a cabeça no fio de alta tensão que passava justamente a pouca distância do topo daquele pequeno edifício.

O JBFoco também está à inteira disposição da Celesc de Biguaçu para sabermos da posição da estatal sobre o acidente em questão.

 

PROTEÇÃO

O caso do eletrocutamento do operário Paulo, que corre risco de morte no hospital, abre a discussão: de que é a responsabilidade?

É que a cabeleireira Rosiane Francisco, 35, testemunha do acidente em questão, que ocorreu exatamente às 10h40 de quinta (17/08), Paulo não se encontrava nem com capacete nem com bota de borracha, conforme seu depoimento.

Em obras onde há fiação elétrica, a legislação exige que os operários usem botas de borracha e capacete. Por quê? No caso de contato com fiação energizada, a borracha serve de isolante e o choque pode ser amenizado. Isto é, estar devidamente calçado com botas de borracha e outros itens de segurança podem ser a diferença entre a vida e a morte em casos de acidentes com fiação elétrica energizada.

Não estamos acusando ninguém nem apontando culpados. Defendemos sim é uma investigação acurada sobre o caso. Na eventualidade de ficar constatado que Paulo não usava capacete, botas de borracha, luva especial adequada e nunca teve algum curso ou treinamento de segurança no trabalho, que o(responsáve(is) seja(m) identificado(s) e que a legislação trabalhista faça seu julgamento e punição.

 

A DISCUSSÃO EM TORNO DO CASO

Esperamos que o caso do operário Paulo não tenha sido em vão. Ou seja, depois do que ocorreu e o drama (vale lembrar que Paulo tem dois filhos pequenos, uma mãe de 74 anos de idade, irmãos e família), que nunca mais seja permitida obra, dentro do município de Biguaçu, em que os operários não estejam devidamente vestidos e equipados com itens de segurança.  Como diz o ditado, “é melhor prevenir do que remediar”.

Vamos deixar bem claro: acidentes, como o próprio nome diz, são “acidentes”. Uma coisa é um operário encontrava-se com capacete, bota de borracha e outros itens de segurança, mas, mesmo assim, sofreu acidente e, por uma fatalidade, sofrer sequelas graves ou perder a vida. Nesse caso, é uma fatalidade sem alguém a ser acusado de negligência.

Outra coisa é um operário trabalhar SEM USAR QUALQUER ITEM DE SEGURANÇA e sofrer um acidente gravíssimo. Às vezes é culpa do operário que, por desconhecimento, descuido, esquecimento ou negligência, não usa os itens de segurança. Mas, independente se o operário recusa ou não usar tais itens de segurança, a empresa que o contrata é obrigada, por lei, exigir. Se o operário, mesmo assim, continuar recusando, a empresa tem, deve e é recomendável dispensar esse trabalhador, isto é, não permitir que ele continue na obra sem proteção. Repetindo: “é melhor prevenir do que remediar”.

 

INVESTIGAÇÃO JÁ!

Prefeitura de Biguaçu, Celesc e Ministério do Trabalho. Esperamos que haja uma investigação sobre o caso do eletrocutamento de operário Paulo. Isso para evitarmos a repetição, no futuro, de notícias tristes como essa.

 

Família ficou pasmada em saber que, somente depois de dois dias, é que o operário Paulo iria ser submetido a tomografia no Hospital Regional de São José. Geralmente deve-se fazer tomografia o mais rápido possível para detectar danos internos no corpo, ainda mais com vítimas de eletrocutamento. (Foto Família)

  

Operário Paulo Benaia da Silva na emergência do Hospital Regional de SJ. (Foto Família)
Família pede que Paulo seja transferido para um quarto, ou seja, que não continue no meio da emergência do hospital. (Foto Família)

 

Depois do acidente, foi desligado o fio que provocou o acidente. (Foto JBFoco)

 

Operário Paulo estava em cima dessa torre e encostou com a cabeça nesse fio. (Foto JBFoco)
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