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O leitor se lembra do “Homem do Chifre”, aquele “maluco” que andava de megafone pelo centro de Florianópolis anunciando promoções das lojas da capital?

Pois é! Infelizmente ele morreu hoje (quarta, 20/09/2017) aos 74 anos de idade, na casa de repouso Nosso Lar, situada em Barra Velha, norte do estado. Ele se encontrava lá havia três meses. A causa mortis foi tuberculose.

Seu nome “oficial” é Carlos Aberto Silva, nascido em 22 de novembro de 1943. Natural do estado de Pernambuco, o “Homem do Chifre”, como é conhecido, pode ser enterrado como indigente caso não aparecer algum familiar para retirar o corpo. Não foram encontrados documentos entre os pertences de Carlos.

Onde nasceu? Quando veio para Florianópolis? O que o levou para cá, Santa Catarina? Quem era sua família? Qual sua história?

Talvez tais perguntas ficarão sem resposta caso nenhum jornal da capital não tenha publicado alguma reportagem mais detalhada sobre a história dessa “figuraça”, homem simples do povo, mas que conseguiu sair do completo anonimato, pois fazia de tudo para chamar a atenção. Afinal de contas, ele ganhava a vida anunciando as ofertas do comércio no seu megafone e, para isso, exagerava na “produção”: quase sempre andava com seu “chifre obrigatório”, que virou sua Marca Registrada.

Às vezes, percorria as ruas como “punk” com mexas coloridas estilo “moicano”. Às vezes, raspava a cabeça. Outras vezes parecia o Roberto Carlos, Outras vezes andava como um hippie, outras como um “gay” de shortinhos bem apertados. Aliás, a cena que alguns devem lembrar-se foi a de Carlos Alberto usando um fio dental entalado nas nádegas no carnaval em Florianópolis. Sim, o “Homem do Chifre” volta e meia rebolava de fio dental em pleno centro da capital aproveitando o carnaval para quase andar nu, o que faltava para sua coleções de esquisitices em nome da divulgação de sua “marca”, a de ser “radialista de rua” mais popular de Florianópolis.

Se alguém algum dia pensar em escrever um livro sobre os populares mais “populares” que fizeram história nas ruas de Florianópolis (particularmente lembro-me de uma vendedora de loteria que usava meia na cabeça e maquiagem absurdamente carregada, de um vendedor barbudo que vendia descascador de legumes, da anã Catarina, aquele que teve um fim trágico, entre outros), Carlos Alberto, o “Homem do Chifre e Megafone” certamente ganharia um dos mais extensos capítulos.

Pois bem! Como cantava Cazuza (1958-1990), o “tempo não para”. A “antiga” cidade  como seus antigos personagens vai aos poucos desaparecendo. Vale lembrar que todos os tempos haverão de ser “antigos” porque o tempo nunca para e sempre novas gerações vão surgindo, novas eras sucedendo-se e novas histórias acontecendo.

E fazendo jus a essa verdade da vida, mais outro personagem que fez história em Florianópolis se foi.

Descanse em paz, Carlos Alberto, o “Homem do Chifre”.

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