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O presidente do Sinticom (Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Construção do Mobiliário e Artefatos de Cimento de Florianópolis e região), Adauri Pereira, 54, apresentou uma denúncia junto ao Ministério Público para averiguar o caso do operário Paulo Benaia da Silva, que sofreu acidente por eletrocutamento em 17 de agosto último quando trabalhava numa obra na entrada do CTG (Centro de Tradições Gaúchas) Sela de Prata, no bairro Fundos, Biguaçu.

Paulo trabalhava na construção de uma torre que serviria de base para a instalação de um transformador. A citada torre foi erguida debaixo de um cabo de alta tensão. O operário, que não portava capacete, bota de borracha e luva especial, tocou a cabeça sem querer no fio de alta tensão sofrendo uma descarga de aproximadamente 13 mil volts.

Levado ao Hospital Regional de São José, Paulo por pouco não morreu devido aos ferimentos na cabeça e nos pés, por onde passou a descarga elétrica. Teve alta no início deste mês de setembro, mas os problemas de Paulo não se resumem apenas aos curativos que precisa trocar todos os dias. O operário não tinha carteira assinada na obra onde se acidentou. Portanto, está enfrentando dificuldades para conseguir uma assistência por acidente de trabalho no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Enfim, Paulo está sem dinheiro, sem alguma ajuda e ainda precisando de cuidados médicos. Tem dois filhos para criar.

SINDICATO

Logo que soube do acidente, o presidente do Sinticom, Adauri, despachou o técnico de segurança do sindicato para averiguar o local do acidente. Também veio visitar Paulo no hospital para saber do operário, depois que o mesmo saiu do quase coma, do que se lembra do acidente.

“Procurei a direção do CTG Sela de Prata, mas não consegui falar com nenhum dos responsáveis. Meu objetivo era saber de quem era a obra onde Paulo se acidentou. A obra era do CTG? Era de outra empresa? Até o presente momento, eu não consegui descobrir. Em vista disso, o nosso sindicato fez a denúncia ao Ministério Público, que tem mais poder para saber o que aconteceu e esclarecer os fatos”, informa o sindicalista.

 

REUNIÃO

Na próxima semana, o presidente do sindicato estará reunido com o advogado do sindicato para discutir o caso do operário eletrocutado e quais providências serão tomadas, além da denúncia junto ao Ministério Público.

ALERTA

Adauri observa que o caso de operário Paulo é um alerta para não haver descuido com relação à prevenção a acidentes na construção civil.

Para o presidente do sindicato, o CTG ou a empreiteira que supostamente teria contratado Paulo sem assinar sua carteira tinham e deveriam fornecer e exigir itens de segurança no trabalho. O operário Paulo jamais poderia estar trabalhando sem capacete, luva especial e botas de borracha, sem falar de andaimes e outros itens de segurança.

“Não podemos jamais descuidar da prevenção de acidentes”, observa o sindicalista.

Para o presidente do Sindicato, outro problema foi a falta de registro em carteira. Se tivesse, Paulo não estaria agora sofrendo para conseguir o auxílio acidente do INSS para garantir alguma renda enquanto estiver recuperando-se.

Na realidade, Paulo foi convidado por um amigo para trabalhar na obra. Devido à crise que hoje passa o Brasil, que atingiu em cheio a construção civil, Paulo não exigiu o registro em carteira certamente pensando que, se fizesse isso, não conseguiria o trabalho que tanto necessitava. Quem iria imaginar que iria sofrer um acidente, ainda mais por eletrocutamento?

Para Adauri, foi um absurdo terem construído uma torre bem debaixo de um fio de alta tensão. “Não tinha outro lugar para construir essa bendita torre que não fosse bem debaixo de um fio desses?”, indagou.

 

CELESC

A Celesc emitiu um comunicado sobre o caso. Segundo a direção da empresa pública de eletricidade, o CTG ou a empreiteira contratada cujo nome ainda o sindicato desconhece e Paulo não sabe informar deveriam ter comunicado a Celesc sobre a obra e terem pedido o desligamento do fio de alta tensão.

De acordo com a Celesc, a lei determina exatamente isso: em obras próximas a fios de alta tensão, a empresa que está executando é obrigada a comunidade à companhia de eletricidade. Conforme a Celesc, isso não ocorreu.

 

Cirurgião plástico avaliará se deverá amputar dedos do pé direito do operário. (Foto Família)
Cirurgião plástico avaliará se deverá amputar dedos do pé direito do operário. (Foto Família)
Operário Paulo Benaia da Silva na emergência do Hospital Regional de SJ. Foto tirada na sexta, 18.08.2017. (Foto Família)
Operário Paulo Benaia da Silva na emergência do Hospital Regional de SJ. Foto tirada na sexta, 18.08.2017. (Foto Família)
Paulo Benaia Silva encontrava-se no Hospital Regional de São José. (Foto Arquivo JBFoco)
Paulo Benaia Silva encontrava-se no Hospital Regional de São José. (Foto Arquivo JBFoco)
Operário Paulo estava em cima dessa torre e encostou com a cabeça nesse fio. Foto tirada na quinta, 17 de agosto de 2017, poucas horas depois do acidente com o operário Paulo. (Foto JBFoco)
Operário Paulo estava em cima dessa torre e encostou com a cabeça nesse fio. Foto tirada na quinta, 17 de agosto de 2017, poucas horas depois do acidente com o operário Paulo. (Foto JBFoco)
Família ficou pasmada em saber que, somente depois de dois dias, é que o operário Paulo iria ser submetido a tomografia no Hospital Regional de São José. Geralmente deve-se fazer tomografia o mais rápido possível para detectar danos internos no corpo, ainda mais com vítimas de eletrocutamento. (Foto Família)
Família ficou pasmada em saber que, somente depois de dois dias, é que o operário Paulo iria ser submetido a tomografia no Hospital Regional de São José. Geralmente deve-se fazer tomografia o mais rápido possível para detectar danos internos no corpo, ainda mais com vítimas de eletrocutamento. (Foto Família)
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