Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

Hoje de manhã (sexta, 27/10) foi realizado um leilão presencial na sede da prefeitura de Antônio Carlos. Entre os vários serviços que a prefeitura contratou através desse leilão, com a presença de inúmeros representantes de empresas, estava o da gráfica que irá imprimir três livros a serem lançados nos festejos alusivos ao aniversário do citado município, a ser comemorado no próximo dia 6 de novembro.

Que livros são estes? São livros de escritores locais que a prefeitura patrocina a impressão.

O que acho disso? A minha resposta é: “sensacional”. A Prefeitura de Antônio Carlos tem o costume de festejar o aniversário da cidade patrocinando a publicação de livros, de preferência de escritores da terra ou, no máximo, talentos da microrregião. O objetivo é simples: ampliar a biblioteca de obras sobre a história, literatura e cultura de Antônio Carlos e comarca.

Um dos escritores patrocinados na região é José André Gesser, um cronista e poeta de grande talento, natural da região de Santa Maria, interior de Antônio Carlos.

Amanda Arruda, de apenas 16 anos de idade, é outro talento das letras da comarca de Biguaçu (Antônio Carlos faz parte dessa comarca jurídica) que também terá obra patrocinada com apoio da prefeitura local.

 

IDEIA EMBRIONÁRIA

Fábio Egert, ex-secretário municipal de educação e braço direito do atual prefeito local, Geraldo Pauli, não só apoia essa ideia de patrocinar publicação de livros para marcar os aniversários de Antônio Carlos como também está pensando seriamente numa ideia de viabilizar um projeto estilo “Edital de Estímulo à Cultura”. A ideia é reservar um percentual do orçamento para, por meio de uma seleção de projetos numa concorrência livre, patrocinar outras manifestações artísticas.

A ideia é embrionária. Ainda nada está acertado. É apenas uma ideia a ser trabalhada imitando o que o governo do Estado já faz através do seu “Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura”.

Em todo o caso, Fábio Egert já merece os parabéns antecipados porque ele sempre apoia projeto em prol da cultura. Para ele, é fundamental o investimento à cultura e, principalmente, as ações pela preservação da memória cultural de Antônio Carlos.

A propósito, voltando ao início deste artigo, Fábio encontrava-se na sala acompanhando o leilão presencial, ocasião na qual foi contratada a gráfica que irá imprimir os livros para a prefeitura de Antônio Carlos. Fábio está trabalhando na organização do evento do aniversário e nos lançamentos das obras. Estava lá para confirmar se a gráfica foi contratada para que os livros cheguem à cidade para o lançamento.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Por que estou falando de Fábio Egert, prefeitura de Antônio Carlos e patrocínio daquela instituição à cultura?

Não querendo ofender ninguém, mas pergunto: no aniversário do município de Biguaçu, comemorado em 17 de maio, é costume a prefeitura dessa cidade patrocinar a publicação de livros? Se um munícipe que reside lá aparecer com um romance ou estudo de história regional pedir o patrocínio da prefeitura de Biguaçu, há algum programa oficial para viabilizar a publicação?

Não querendo falar mal, mas o importante a salientar é: Biguaçu precisa ter um programa ou política de ajuda a escritores na publicação de seus livros tal como acontece em Antônio Carlos.

Não estou dizendo que a prefeitura de Biguaçu não patrocina a publicação de livros. Já patrocinou algumas vezes. O que estou querendo dizer é um programa oficial que seja realizado todos os anos sem falhas para patrocinar publicação de livros de história, literatura e cultura em geral no aniversário do município e para atender os munícipes que lá residem que porventura precisarem de uma ajuda financeira para imprimir suas obras.

Nada melhor do que marcar o aniversário de um município com a publicação de livros. E estamos conversados.

 

GIBITECA

Gibiteca de Antônio Carlos: bibiblioteca pública local reúne centenas de gibis para a garotada ser incentivada ao prazer da leitura. (Foto Arquivo JBFoco)
Gibis da Disney. (Foto Divulgação)

E mudando radicalmente de assunto, mas continuando dentro do tema “Cultura”, dei uma passada na biblioteca pública de Antônio Carlos, que funciona dentro das dependências da sede da prefeitura local.

O que me chamou a atenção, além das prateleiras dedicadas só para autores antoniocarlenses (claro, há tantos anos patrocinando a publicação de livros de autores locais, Antônio Carlos já possui um respeitável acervo de obras sobre sua própria história, literatura e cultura!), uma novidade: a existência de uma “gibiteca” na ala de literatura infantil.

Isto mesmo. A direção da biblioteca de Antônio Carlos disponibiliza, no setor infanto-juvenil, algumas centenas de historinhas em quadrinhos ou gibis para a criança poder pegar emprestado e ler em casa. São gibis da Mônica, Cebolinha, Pato Donald, entre outros.

Antônio Carlos está de parabéns por essa iniciativa.

Perguntar não ofende: e em Biguaçu? A biblioteca de Biguaçu possui uma ala para literatura infantil, mas não possui qualquer acervo em gibis.

Eu, como jornalista da cidade, já publiquei alguns artigos sugerindo a criação de uma ala só com historinhas em quadrinhos. Se querem incentivar o estímulo à leitura na juventudade, nada melhor do que criar uma “Gibiteca”. Inclusive sugeri ao presidente da Câmara de Biguaçu, Ângelo Ramos, que, quando for inaugurada a sede da câmara daquela cidade, seja criada uma “Gibiteca” para justamente atender a garotada do município.

Espero que essa sugestão seja ignorada porque em Antônio Carlos não foi.

Em resumo: vamos seguir os passos de Antônio Carlos, onde cultura faz parte da política local.

 

 

OBS: Para encerrar esse artigo, coloco aqui o que escrevi em 2013 a respeito do que considero “Arte” e qual o motivo para investir no assunto. Confira o artigo “A Arte traz Felicidade e não é desperdício incentivá-la.”

 

 

 

 

A Arte traz Felicidade e não é desperdício incentivá-la

 

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br.

 

 

Na colônia japonesa de São Paulo, existe uma religião chamada Oomoto, criada em 1892 por uma senhora analfabeta que, em transes mediúnicos, redigiu uma bíblia. As mensagens redigidas são atribuídas a Deus ou a algum Espírito Elevado que por meio da “médium” (daí a origem do nome) passou as mensagens para a humanidade.

Surgida no Japão, a Oomoto, que significa “Grande Origem” na língua daquele país, tem filiais em São Paulo.

O objetivo aqui não é propagandear sobre a citada religião, mas citar um detalhe interessante: os adeptos dessa religião são aconselhados a fazer arte.

Eles são obrigados a fazer algum tipo de arte. Pode ser escrever poesias, contos, novelas ou romances. Pode ser pintar ou fazer esculturas. Pode mexer com cerâmica, cantar, dança, fazer tricô, crochê. A lista é vasta: fazer jardinagem, marcenaria, declamar poesias, teatro, cinema, enfim, qualquer tipo de arte escrita, falada ou artesanal. Essa religião enfatiza que todo adepto, sem exceção, tem de praticar alguma arte.

O genro da fundadora dessa religião, que segue muitos dos rituais do Xintoísmo, a religião popular do Japão, que aparentemente não era dado às belas letras, nem à música ou à dança, fez da cerâmica o seu dever de casa. Ele fabricava aqueles tradicionais potes de barro japoneses.

Mas por que estamos falando disso? Para comentar uma recente reportagem transmitida pelo Globo Rural, da rede Globo. No interior da Bahia, há uma comunidade de agricultores onde implantou um projeto inédito de levar a arte ao povo. Depois do trabalho, o povo é incentivo a reunir-se para contar histórias, cantar, declamar poesias, pintar, escrever, fabricar artesanato, promover teatro, enfim, produzir artes.

Indagado pela reportagem qual a razão disso, um dos coordenadores da ideia alegou que foi um santo remédio para o estresse dos agricultores, que viviam uma rígida rotina: casa-trabalho- trabalho-casa e até a própria produção agrícola da comunidade melhorou

Vejam bem: o incentivo à arte acabou acarretando no aumento e melhoria da produção agrícola.

Os adeptos da citada religião Oomoto alegam que a arte é a maior de todas as energias humanas e é através dela que se pode alcançar a felicidade plena.

É verdade. Basta apenas assistir alguma reportagem com o artista plástico Juarez Machado (1941-  ), de Joinville e atualmente morando em Paris, França. Apesar de seus 72 anos de idade, ele aparece um “garoto” de 30. É um artista completo: escreve, desenha, pinta, faz esculturas, dança, aprecia teatro, cinema, poesia, artesanato etc.

Não é preciso dizer que se trata de um cidadão muito feliz, realizado, que transborda alegria e felicidade.

A arte é uma energia tão forte que quem está envolvido nela nem se importa em ganhar dinheiro e quando ganha, é consequência e não o objetivo principal. Tal como a Oomoto salientou, a arte, se não é o caminho da felicidade, é seu asfalto.

Mas o que podemos concluir disso tudo? Investir em artes não é desperdício, luxo ou extravagância. Ajuda a comunidade, pois a arte, não importa qual seja, é aquele pequeno prazer do dia-a-dia.

Dito tudo isso, viabilizar em Biguaçu um centro de cultura com vasto leque de cursos de arte de todos os gêneros jamais será extravagância ou desperdício de dinheiro público. Pelo contrário. É ajudar a dar felicidade aos munícipes. (03.09.2013)