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José Ricardo Koerich, 69, juiz de paz em São José, leu a reportagem sobre a denúncia do vereador Nei Cláudio da Cunha (PPS), sobre o mamógrafo que está encaixotado há quatro anos em Biguaçu.

Fico indignado com a notícia, mas indignação maior dele também foi a infeliz, absurda, blasfema ou sabe-se lá o que a dizer da frase no mínimo “louca” do secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso: “mamógrafo não é urgência.”

Diante desse absurdo, José Ricardo entende o “absurdo” que vem sofrendo na própria pele. Aqui sua história.

Koerich sofre de enfisema pulmonar e precisa de três remédios muito caros de uso contínuo. O mais caro custa R$ 250,00 e outros R$ 180,00 e R$ 80,00, dando um total de R$ 510,00.

Como juiz de paz não tem salário (sim, juiz de paz só ganha por serviço prestado, mas não tem salário fixo), José Ricardo foi obrigado a entrar na Justiça e conseguiu uma liminar para conseguir que esses medicamentos sejam-lhe fornecidos pela secretaria de saúde do Governo do Estado que, por sua vez, repassa para a prefeitura de São José.

 

MARTÍRIO

“É uma vergonha”, conta José Ricardo. A vergonha é que, apesar da determinação da justiça e amparado por lei, o fornecimento dos medicamentos em questão é muito irregular.

“Às vezes fico três a quatro meses sem receber. Um mês recebo e depois volto a ficar mais outros três ou quatro meses para receber a próxima leva. Vale lembrar que são remédios de uso contínuo”, conta.

José Ricardo protesta contra certos secretários de saúde, entre os quais o já citado Vicente Caropreso, que alegam que as pessoas que ingressam na justiça para solicitar medicamentos caríssimos estão “inflacionando” a saúde.

“Quer dizer, querem colocar a culpa dos problemas da saúde em cima de nós, os que ingressaram na justiça para pedir medicamentos que estão acima das nossas condições de pagamento. Isso é um absurdo, uma vergonha. Estamos exercendo nosso direito previsto em lei. Além do mais, eu e o povo brasileiro pagamos impostos, que não são baratos. Não somos culpados pelos desmandos na saúde e outros órgãos públicos. Que o digam a Petrobrás, a Lava Jato, o Mensalão e outros escândalos”, protesta.

Contatos com José Ricardo, que está lutando para conseguir seus medicamentos, que a justiça lhe deu o direito de receber, mas não está recebendo, pelo fone 9-8490-6865.

 

MATÉRIA

 

Vereador Cunha questiona mamógrafo encaixotado desde janeiro de 2013 em Biguaçu

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