Publicidade

Se a central de distribuição da Petrobrás, aquela instalada na região de Santa Cruz/ Rússia, interior de Biguaçu, for fechada, o que fará a prefeitura de Biguaçu?

Esta é a pergunta do contabilista John Kennedy Lara da Costa, 48, filho do ex-prefeito de Biguaçu entre 1989 a 1992, José Eduardo da Costa (Zezinho).

Inaugurada em 2000 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, que inclusive esteve em Biguaçu para a cerimônia (a primeira visita de um Presidente da República ao município, diga-se de passagem), a Central de Distribuição da Petrobrás de Santa Cruz/ Rússia é responsável simplesmente por pouco mais da metade de tudo que a prefeitura de Biguaçu arrecada hoje.

Se esta distribuidora for fechada, se a Petrobrás decidir centralizar toda a distribuição de combustíveis do litoral catarinense em sua central de Itajaí, a conclusão lógica é a de que, do dia para a noite, a prefeitura de Biguaçu irá perder a metade de sua arrecadação de impostos. A pergunta advertência de John Kennedy é: “qual será o “Plano B” de Biguaçu?”

John acrescenta: “se Biguaçu não tiver o Plano B, o impacto é que nem os passageiros do Titanic, no apuro, descobrindo que não havia botes salva-vidas suficientes para todo mundo. Como é que a prefeitura irá manter escolas, creches, postos de saúde e outros serviços funcionando normalmente perdendo a metade de sua arrecadação?”

De onde essa preocupação que John Kennedy está alertando? Ele vem acompanhando dia a dia o noticiário, principalmente o econômico sobre o impacto do verdadeiro saque que houve dentro da Petrobrás.

 

NOTICIÁRIO

Não é novidade para ninguém a operação Lava-Jato que vem apurando o literal saque que houve dentro da Petrobrás. A roubalheira que ocorreu nos governos Lula e Dilma Rousseff (2003-2016) foi considerado o segundo maior da história mundial, só perdendo para um caso de corrupção na Ucrânia.

“A Petrobrás é hoje a empresa mais endividada do mundo. O roubo foi tão gigantesco que a empresa, que estava em ascensão, agora precisa vender patrimônio para equilibrar as contas”, observa.

 

BIGUAÇU

Uma das notícias recentes lidas por John foi a de que várias distribuidoras de combustíveis da Petrobrás espalhadas pelo Brasil serão fechadas e a de Biguaçu corre esse risco.

É que em Itajaí já funciona uma distribuidora de combustíveis e, devido a relativa pouca distância (Biguaçu fica a 100 quilômetros de Itajaí), a Petrobrás pode a qualquer momento decidir concentrar numa só central toda a distribuição de combustíveis do estado de Santa Catarina e o local escolhido será Itajaí.

Nada é oficial, salienta John, mas o fato é que a Petrobrás está planejando um grande ajusta com privatizações, vendas de unidades e, inclusive, fechamento de centros de distribuição de combustíveis e Biguaçu tem tudo para pagar esse pato.

 

PLANO B

Para John Kennedy, é alta a probabilidade da Petrobrás vir a centralizar suas operações em Itajaí, conforme já noticiado, e, como consequência, a base de Biguaçu for fechada, o que seria uma verdadeira “bomba” para o município.

“Por isso, insisto na pergunta: qual o Plano B de Biguaçu? Vão esperar que a Petrobrás seja fechada em Biguaçu para que tomem alguma providência?”, observa.

Para John, a prefeitura de Biguaçu, ou melhor, o prefeito Ramon Wollinger (PSD), não durma no ponto. “Não podemos ser avestruzes, de colocar a cabeça no buraco ignorando o perigo”, observa John.

Para o empresário, Biguaçu precisa trabalhar o Plano B, principalmente buscando alternativas econômicas que gerem o volume de impostos que a Petrobrás proporciona para os cofres públicos do município.

Para John, Biguaçu teria tudo para buscar o setor tecnológico, isto é, atrair empresas de tecnologia e de criar condomínios tecnológicos. Para isso, precisa de um projeto elaborado que vai de leis de incentivo fiscal até a equipe para buscar atrair as empresas da área para se instalarem em Biguaçu.

Quais atrativos tem Biguaçu? Será cortado pelo Anel Viário, como é chamado o futuro desvio da BR-101 entre o interior de Biguaçu até Palhoça. Em resumo: o Anel Viário abrirá o caminho para áreas industriais. Se Biguaçu souber aproveitar a oportunidade trazendo empresas de tecnologia, dentro da perspectiva de que a Petrobrás pode sair do município a qualquer momento, terá aí seu Plano B. Se não souber, será ao sabor do imprevisto, da improvisação etc.

 

TECNOLOGIA

Implantar wii grátis, fomentar o Citeb (incubadora tecnológica), buscar implantar cursos para treinamento de jovens com o objetivo de, depois de formados, poderem trabalhar nas empresas de alta tecnologia, também são fundamentais se Biguaçu quiser ter um “Plano B” para o “pós-Petrobrás” visando o setor da alta tecnologia, cuja geração de impostos é tão boa quanto a do setor de combustíveis.

“Não há maior projeto social do que o emprego. Com emprego e renda, o povo vive com dignidade. Quando não há emprego nem condições de dar renda,  vem o populismo, o cabresto  e suas consequências nefastas para a vida de um país”, observa John.

“A vida se resume ao verbo “querer”. O que Biguaçu quer? O que a cidade querer, vai acontecer. Se não consegue expressar o que quer, aí fica complicado. É como um barco em que o navegador esqueceu, não quis ou acha que não é importante colocar uma vela, um leme, um motor e um GPS. Aí não há santo que ajude se não sabe ou não se importa aonde deseja chegar e se realmente quer chegar a seus objetivos, se é que tem objetivos”, finaliza John Kennedy.

 

POST SCRIPTUM

 

Enquanto escrevíamos esta matéria, John enviou a cópia de uma matéria que ele leu ontem (quinta, 09/11) intitulada “Eletrobras terá que fazer ajustes para vender distribuidoras com dívidas de R$ 20,8 bilhões”.

Que significa isso? É que as estatais estão literalmente falidas. A roubalheira, a má gestão, o cabide de empregos políticos, entre outros problemas, simplesmente ajudaram a falir as empresas públicas.

Tal como a Eletrobras, a Petrobrás é uma empresa pública que foi literalmente saqueada. O leitor se lembra do “Pré-Sal”, da descoberta de uma imensa jazida de petróleo cuja exploração iria render uma fortuna para o desenvolvimento do Brasil?

Pois é! Nem mais se fala disso. O roubo foi tão imenso na Petrobrás que a história de que o Brasil iria tornar-se um país rico por causa do Pré-Sal caiu por terra.

Dentro desse cenário, Biguaçu tem de ser precaver, conforme adverte John Kennedy. A base de distribuição de combustíveis de Santa Cruz/Rússia, interior de Biguaçu, tem tudo para ser fechada no futuro e a prefeitura de Biguaçu vai sentir o impacto de perder 50% de sua arrecadação de impostos do dia para a noite.

Como diz o ditado, “quem avisa, amigo é”. John Kennedy está fazendo esse papel nesse exato momento histórico.

Publicidade