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O “dialeto” alemão hunsrück é uma língua em vias de extinção na comarca de Biguaçu. Os falantes mais fluentes desse idioma são idosos como o sr. Leonídio Zimmermann, 88, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Biguaçu (Sintrarubi). Encontrar jovens que ainda se expressam no alemão nativo é raro, mas nas reportagens do JBFoco pelo município surpresas aparecem.

Uma dessas surpresas que surgiu numa reportagem sobre buracos de rua foi o pedreiro Rosemar Pitz, 43, morador na rua Feliciano Francisco da Silva, 385, em Areias de Cima, Biguaçu, nas proximidades da divisa com Governador Celso Ramos.

Para os padrões de uma língua com sério risco de extinção nas próximas décadas, Rosemar, aos 43 anos, é considerado um “jovem”, pois, como dito antes, o idioma quase que é exclusividade dos mais idosos.

Falando num excelente hunsrück, ele conta que sua família, oriunda do interior de Antônio Carlos, ainda se expressa no alemão nativo. Cita sua mãe Bernardete Apolônia Richartz Pitz e sua sogra Neide Besen, ambas residentes na rua Neide Terezinha, no bairro Fundos, perímetro urbano de Biguaçu, como falantes ainda fluentes do idioma em vias de extinção.

Rosemar trabalha como pedreiro e comenta que seus filhos não falam seu idioma “por falta de tempo”. Na realidade, não há uma política linguística na comarca de Biguaçu. Não há alfabetização nesse idioma ou qualquer tipo de investimento público para a elaboração de livros, dicionários e manuais ou incentivo para a produção de programas de rádio nesse idioma, enfim, um projeto de resgate da língua para evitar seu completo desaparecimento num futuro não muito longínquo. Repetindo: Leonídio Zimmermann, o mais fluente falante dessa língua ameaçada, tem 88 anos de idade.

Contatos com Rosemar, principalmente para conversar em bom hunsrück, pelo fone (48) 9-9114-7709.

 

CENSO

E por falar em língua hunsrückisch, a reportagem do JBFoco está preparando uma reportagem especial sobre o “censo” que a prefeitura de Antônio Carlos realizou em parceria com um certo IPOL (Instituto de Políticas Linguísticas), com sede em Florianópolis, mas que simplesmente não concluiu. O Governo do Estado liberou R$ 100 mil através da lei de Incentivo à Cultura Elisabete Anderle para que essa entidade fizesse um censo sobre o número de falantes de hunsrückisch no município de Antônio Carlos. Simplesmente não concluiu e a prefeitura de Antônio Carlos teve de devolver R$ 53 mil para o governo do Estado.

Em breve, mais detalhes sobre o caso.

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