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Será que é preciso quatro anos na escola para aprendermos a ler e escrever em nossa língua mãe, palavras e frases simples?

No mês de setembro deste ano, uma conhecida da minha prima comentou que seu filho de 10 anos, estava repetindo o terceiro ano (dos anos iniciais) e se recusava a ler frases e pequenos textos do caderno ou do livro didático.

O motivo da recusa era o fato de não saber ler e escrever as palavras em geral, segundo a informação da mãe. Se pararmos para observarmos essa situação perceberemos  que essa criança esteve, no mínimo, quatro anos nos bancos de uma escola.

Isso me fez recordar que em 2002 tive a oportunidade de lecionar para uma turma do quinto ano onde havia um aluno que  somente escrevia em letra de fôrma, maiúscula. Durante todo aquele ano letivo permiti que continuasse escrevendo dessa forma.

Ele conseguia ler qualquer texto em letra de imprensa. Também observara que reconhecia todo o alfabeto nas letras cursivas, porém não aceitava escrever na forma cursiva, preferindo a de fôrma. Nossos modelos de escrita estão restritos ao dueto “letra de imprensa” versus “letra cursiva”.

Os preceitos construtivistas defendem o uso da letra bastão maiúscula (também chamada de imprensa, ou de fôrma), como o mais adequado no estágio inicial da aquisição da escrita. Esta prática é aceita nas escolas até o início do processo de alfabetização e depois passa a ser utilizado a letra cursiva.

Este assunto vem sendo questionado por alguns educadores e por alguns pais de alunos sobre a possibilidade de todo o processo de alfabetização ser com a letra bastão.

Diariamente a criança recebe informações impressas, através dos rótulos das embalagens, dos outdoors, dos jornais, revistas, dos jogos eletrônicos, dos livros, da internet e de outras fontes informativas. A letra cursiva poderia ser apresentada como uma opção, depois que a criança terminasse os anos iniciais, fazendo parte dos conteúdos programáticos da disciplina de Artes e ou Português.

Mas, torna-se necessário uma atenção dos responsáveis pela educação formal (escolar) dos  brasileiros em relação a essa prática de inciar com a letra bastão e no percurso a troca pela letra cursiva.

A partir dos dois anos de idade é possível observarmos o interesse da criança em ganhar um lápis e uma folha de papel em branco para desenvolver seu grafismo infantil. Ela começa com a fase pré-esquemática, depois a fase esquemática e até chegar na fase do realismo.

Essa evolução, da garatuja (rabiscos) para o desenho de formas mais estruturadas, é um importante passo no seu desenvolvimento, pois é o início dessa expressão que a conduzirá não só ao desenho e à pintura, mas também à palavra escrita.

Durante todas essas fases os pais podem auxiliá-las na busca da melhor forma de segurar o lápis para a execução dos desenhos. A forma como a criança segura o lápis contribui para seu desempenho quanto ao traçado das letras.

Quando a criança já está na fase do realismo, quando demonstra seu interesse em desenhar as letras do alfabeto brasileiro, tendo a mediação de um adulto para auxiliá-la nessa tarefa, a letra de fôrma (bastão) é a mais indicada. Com esse auxílio ela pode desenvolver o traçado de cada letra e nesse processo pode começar a identificar o nome de cada uma.

A partir desse processo os adultos (mediadores) poderão alargar o contexto cultural dessa criança. Poderão apresentar para ela as sílabas dos sons de cada consoante. Por exemplo a letra C (ce), e na sequência o desenho de uma palavra que comece com C, no caso poderia ser cebola, cegonha. Com a letra G (ge) poderia ser geladeira, com F poderia ser feijão,  com L (leite) e assim tentaria ao máximo frisar o som da consoante e depois partindo para as demais sílabas, simples ou compostas, mas sempre buscando desenhos para representar as palavras e separando-as em sílabas. Por exemplo, ME-SA, acompanhada do respectivo desenho.

Esse processo de aprendizagem que aqui pontuo é uma maneira de ser trabalhado em casa a alfabetização de uma criança.

Os pais podem mediar a educação formal e inicial de seus filhos, sim. Seria necessário um dicionário para saber a escrita formal de cada palavra e a separação das sílabas (tem dicionários que vem com a separação também), mas isso também é possível de ser encontrado pela internet.

Então o questionamento é, como evitar que a criança passe de três ou quatro anos em uma escola, para aprender a ler e escrever o básico?

 

(*) Mari Rieke

E-mail: maririeke@bol.com.br

 

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