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O leitor sabia que na madrugada de 1º de janeiro último, virada do ano, um grupo de mendigos e casqueiros invadiu por uma porta lateral o Centro Multiuso de São José onde fizeram uma verdadeira “limpa”?

Os invasores levaram fios, cabos, computadores, aparelhos de ar condicionado, torneiras, enfim, o que tivesse na frente que fosse feito de metal. Vale lembrar que viciados roubam peças metálicas para vender em ferros velhos. E não contentes de roubar, promoveram quebra-quebra e mais prejuízos.

O saldo final foi uma destruição do centro e os prejuízos estão calculados em torno de R$ 1 milhão. A Guarda Municipal alegou que fez rondas pela região no dia do ocorrido, mas foi apenas visual do lado externo. Enfim, foi tarde demais para promover prisões e impedir a “limpa” do local.

O mistério que ronda é: quem pode ter interesse em destruir o Centro Multiuso? Será que alguém facilitou a invasão?

A prefeitura de São José promoveu, em 6 de dezembro do ano passado, uma PMI (Proposta de Manifestação de Interesse). Uma empresa ganhou. Agora, com a destruição, o pagamento da compra ficou incerta porque a questão é: a prefeitura vai pagar pelos prejuízos ou ficará a cabo da empresa vencedora? Vale lembrar que o Centro Multiuso ainda não havia sido entregue à nova administração. Zelar pela integridade do patrimônio estava ainda a cabo da prefeitura.

A invasão foi bem planejada, pois os bandidos entraram por uma lateral do centro que fica longe dos olhares de quem passa pela Avenida Beira Mar de São José. Aproveitaram a festa de réveillon para fazer a baderna e o saque.

A destruição foi tamanha que a programação de eventos deste primeiro semestre foi toda cancelada.

 

QUESTIONAMENTOS

Construído pelo ex-prefeito Fernando Elias (2005-2008), o Centro Multiuso de São José era um amplo local para eventos administrado pela prefeitura local.

Na Grande Florianópolis, não há centro de eventos administrado pelo poder público e os existentes são particulares e custam o “olho da cara” para alugá-los. Por exemplo, se alguém quiser alugar o centro de eventos da baía sul, em Florianópolis, certamente enfrentará uma fila e, talvez, poderá alugar para ano que vem se não no seguinte.

A questão é: como é que se explica a prefeitura de São José querer privatizar o seu Centro Multiuso? Com tanta demanda por eventos na região da Grande Florianópolis, como é que não consegue alugar o dito centro, ter lucro e investir? Será que a prefeitura só tem incompetentes para administrar?

Numa cidade decente, o assunto merecia até mesmo uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) não apenas para investigar a destruição do Centro Multiuso em si, mas para responder a uma questão: o local dava prejuízos? Com tanta demanda por eventos, o local não dava para ser alugado para os eventos? Por que a prefeitura quis passar esse patrimônio para a iniciativa privada?

 

Comentários: ozias@jbfoco.com.br.

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