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Li um notícia do Jornal de Joinville, ligado à rede OCP (O Correio do Povo), do qual o JBFoco faz parte, a respeito de um adolescente de 14 anos de idade que, infelizmente, morreu afogado na última sexta-feira (05/01) numa cachoeira particular numa localidade chamada Lageado Baixo, no município de Botuverá, aqui em Santa Catarina.

O estranho dessa notícia é que ele não se encontrava sozinho. Pelo contrário. Há cerca de 180 pessoas na dita cachoeira. Jonas Mickael Rocha da Silva, o adolescente em questão, quer era natural de Brusque, encontrava-se num trecho abaixo da queda da cachoeira.

 

MITOS GUARANIS

Mas a notícia chamou-me a atenção, pois lembrei-me do ex-cacique da aldeia dos índios guarani mbyá de Biguaçu, Milton Moreira Wherá, hoje residindo em Palhoça, mais precisamente na praia do Pontal.

Certa vez eu o entrevistava sobre a mitologia guarani, a religião desse povo e histórias de espíritos.

Num determinado momento, ele me falou a respeito de um determinado espírito da cachoeira, cujo nome em guarani não me lembro. Vale lembrar que a umbanda e o candomblé também falam de espíritos residentes em cachoeiras.

Segundo Milton, quando banhar-se em cachoeiras, é preciso tomar muito cuidado. Comentou que esse espírito da cachoeira é traiçoeiro. Lembro-me que ele me disse que esses espíritos costumam empurrar as pessoas quando estão no alto da cachoeira. De acordo com o índio, parece um acidente. A pessoa “escorregou”, mas, para Milton, muitas vezes não foi isso o que aconteceu e, se for verificar o local de onde a vítima “escorregou”, vai certificar-se que nem há como se escorregar em determinado trecho.

Por outro lado, segundo o índio, o espírito é tão traiçoeiro que ataca vítimas vulneráveis. Voltando ao caso do afogamento do adolescente Jonas Mickael, em Botuverá, o estranho foi que no local havia 180 banhistas, mas o jovem encontrava-se num trecho abaixo da queda e, pelo jeito, encontrava-se sozinho, isto é, da maneira que o espírito quer, pois é traiçoeiro e ataca no momento de maior vulnerabilidade da vítima, segundo o índio Milton.

Se isso é verdade ou crendice, não sabemos, mas registro apenas uma visão diferente em comparação à nossa cultura racionalista.

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