A advogada Maria Helena Machado, presidente da comissão de direito dos animais da OAB/SC, em depoimento à  NSC TV, fez a seguinte acusação: “Tenho depoimento que as pessoas da cidade são minoria. Elas vêm de Florianópolis para cá e esses bois são doados por políticos, comerciantes e até por traficantes”.

Ela reivindica a abertura de uma investigação policial junto com a do Ministério Público para identificar os “políticos” e outros incentivadores que estariam doando bois mesmo sabendo que desde 1998 o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou que a farra do boi está proibida.

No entanto, em Governador Celso Ramos, parte da população local simplesmente ignora a proibição, isto é, trata-se de um caso de Desobediência Civil regional.

Se o caso fosse nos Estados Unidos, certamente há muito já estariam os farristas na cadeia pura e simplesmente, mas encontramos no Brasil, famosa “Terra do Jeitinho”, e aqui tem leis que “pegam” e outras que são ignoradas.

 

DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Segundo a advogada, a farra é abertamente praticada em Governador Celso Ramos e nos últimos 20 anos, NINGUÉM foi condenado por prática de farra do boi, inclusive o famoso caso de 2004 quando um bebê, sobrinho do atual secretário de educação de Governador Celso Ramos, Adilson Costa, morreu quando um boi, que fugia de farristas de Canto dos Ganchos, atingiu o carro onde encontrava-se no colo da mãe. Não se sabe se alguém veio a ser responsabilizado por soltar o boi que invadiu a rodovia SC-410 e matou o bebê na região de Jordão, em Governador Celso Ramos. Perguntar não ofende: alguém foi punido? A Justiça colocou alguém na cadeia por causa da morte do bebê?

Para Maria Helena, além da desobediência civil, a Farra do Boi virou um caso de extrema impunidade. A advogada defende a tática de identificar os políticos que doam bois com o objetivo de angariar votos. Se identificados, processados e se a punição for não só a prisão como também a perda dos direitos políticos, isto é, não poder candidatar-se nas eleições durante certo período conforme determina a lei, muitos desses políticos que aproveitam a “frouxidão” na repressão no Brasil pensariam mil vezes antes de estar incentivando a prática da farra, que é completamente ilegal.

 

MORTES

Outro detalhe que a advogada chama a atenção: os registros de morte. Se não bastasse a proibição e a impunidade, a farra do boi vem provocando mortes há anos seguidos. Ela cita o caso recente de um homem próximo dos 40 anos de idade que morreu durante uma farra do boi ocorrida em Governador Celso Ramos.

“Em 2016, outro pescador de 25 anos chamado “Mano Nota Mil”, também morreu durante uma farra do boi, em Bombinhas. A farra do boi tem de ser repreendida porque não significa apenas mortes de animais em condições cruéis. Também significa mortes de pessoas- tanto praticantes como também gente inocente que nada tem a ver com a prática”, observa.

 

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