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Se há uma coisa que é mais ou menos consenso, entre os que analisam a atual política brasileira, é que as eleições presidenciais deste ano serão um divisor de águas para a história política do Brasil. E não é apenas retórica. Nestas eleições, estarão em jogo visões diametralmente opostas de país, e o eleitor será chamado a escolher qual será o caminho político que todos nós deveremos trilhar, possivelmente pelas próximas quatro ou cinco décadas!

Pelos números que as pesquisas mais recentes nos apresentam, o brasileiro parece tentado a experimentar algo novo, mas este novo ainda está muito difícil de definir. Por outro lado, o velho modelo político teima em se manter vivo, a despeito de estar apodrecido e em evidente estado terminal.

A velha dicotomia esquerda-direita ainda persiste, mas sofre de um anacronismo agônico. Em meio a escândalos que levam os principais nomes de partidos antagônicos como PT e do PSDB ao descrédito, não existe, até o momento, uma proposta política que consiga dar conta de uma nova realidade que atropela conceitos, ideologias e formulações teóricas. A realidade se impõe no desemprego e na desconfiança das instituições, porém a resposta mais comum dos representantes é o apego ao próprio foro privilegiado, ou seja, uma total desconexão com a população e suas necessidades.

Nestas eleições, enquanto a esquerda tenderá a se radicalizar, preservando de forma patética o próprio nicho, e para isso precisa de um discurso que fatalmente a levará a um novo estelionato eleitoral (como o ocorrido em 2014!); a direita voluntarista, procura de forma errática e pouco convincente, um discurso econômico que possa seduzir o “mercado”, enquanto no trato das questões sociais e dos costumes, nem ousa dizer seu nome…

Diante deste quadro, nos resta como eleitores e cidadãos o compromisso de buscar uma proposta um pouco mais equilibrada, mais ao centro, que consiga, a um só tempo, indicar um caminho seguro para a política econômica de longo prazo, fazendo as reformas de que o Brasil necessita. Também, buscar urgentemente um clima de união nacional, através de compromissos programáticos tanto em prol do bem estar social, quanto em prol do desenvolvimento econômico sustentável, para que o país possa consolidar de uma vez por todas sua jovem democracia, podendo juntar-se, enfim, ao grupo de nações desenvolvidas que garantem aos seus povos vida digna e instituições sólidas.

*Leonardo Secchi – professor de Administração Pública e Pró-Reitor de Planejamento da UDESC, com Doutorado em Ciências Políticas pela Universidade de Milão, Itália, e Pós-Doutorado em Políticas Públicas pela Universidade de Wisconsin – Madison, Estados Unidos.

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