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Era por volta das 13h de ontem (quinta, 01/02) quando fui a Florianópolis. Na altura daquele absurdo redutor de velocidade da BR-101 entre Barreiros e o viaduto do bairro Areias, em São José, vi o que estava causando um enorme engarrafamento na rodovia sentido norte, para Biguaçu: um enorme buraco.

Infelizmente não tive tempo suficiente para tirar a foto. Estava dirigindo, mas o que vi foi um enorme buraco na pista da BR-101 e vários funcionários da Auto Pista Litoral Sul, alguns bem vestidos (deviam ser engenheiros) ao redor daquela verdadeira e inesperada cratera. A terra cedeu e um buraco do tamanho de um carro surgiu de repente na rodovia. Pensei: vai ser um dia de cão no trânsito de Florianópolis hoje. E foi.

Eram por volta das 21h quando retornei a Biguaçu. Tive sorte que consegui chegar ao carro antes que caísse o aguaceiro. Afinal de contas, ontem (quinta, 01/02) foi um dia muito abafado.

E assim começou minha “odisseia” para chegar em casa. Em primeiro lugar, as ruas de Florianópolis simplesmente não têm escoamento. Em alguns trechos, formaram-se verdadeiros “piscinões de Ramos”.

E minha surpresa aumentou quando passei pela ponte Colombo Salles, onde formou-se quase que um “piscinão”. Minha nossa!!! Pode uma coisa dessas?!!! Estamos falando de uma ponte. Pensava que, no mínimo, haveria escoamento, ainda por cima por ser tratar de uma ponte, onde a água seria facilmente escoada para baixo.

 

BR-101

Peguei a Via Expressa e foi uma sucessão de “piscinões”, um dos quais quase de se perder de vista.

Não havia engarrafamento, mas não seria por muito tempo, pois, quando cheguei à BR-101 lá encontrava-se a “bicha” (também no sentido português da palavra, isto é, “fila”).

Claro, o Brasil não é o Japão. Aquela cratera das 13h, conforme relatava aqui, não seria arrumada em tempo recorte.

Repetindo: aqui não é o Japão, onde em 2011 houve um catastrófico terremoto, que simplesmente destruiu uma infinidade de rodovias, mas as mesmas, após a calamidade, foram totalmente arrumadas em questão de um ou dois dias, uma façanha de rapidez e eficiência.

Diante da fila, pensei: vou pela lateral da BR-101 com o objetivo de pegar a rua Heriberto Hülse, como é chamada a “rua velha de Barreiros”.

 

O CAOS

Não foi fácil chegar à Heriberto Hülse. Outros também tiveram a mesma ideia “brilhante”.

Mas resumindo tudo, eis que consegui finalmente chegar lá e pensei que rapidamente iria chegar em Serraria e pegaria a lateral da BR-101 rumo a Biguaçu.

No entanto, tive de mudar de ideia. Motivo: a Heriberto Hülse estava totalmente alagada.

Tive de voltar e enfrentar a congestionada lateral da BR-101 onde “pululavam piscinões” de todos os tipos, mostrando que o escoamento pluvial é bem problemático, principalmente no viaduto de acesso ao bairro Areias, em São José, cuja foto tirei.

Mas a fila andava e, passado o viaduto de Areias, eis que o trânsito passou a fluir melhor, mas havia outro problema: entrar na BR-101 não foi fácil. Afinal de contas, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) andou fechando entradas e saídas ao longo da rodovia justamente para forçar os motoristas a não entrarem na BR-101. Tudo bem, mas num dia de chuva forte e formação de tantos “piscinões”, tive de torcer para não encontrar uma “piscina olímpica” pelo caminho.

 

FALTA DE ILUMINAÇÃO

Eis que consegui pegar a BR-101. Que alívio! Mas não durou muito. O problema foi que, no trecho de Biguaçu, não há iluminação. Na Via Expressa, por exemplo, há postes no canteiro central. Isso ajuda na orientação, principalmente à noite e sob chuva intensa. Mas o trecho entre Janaína até Prado, para onde estava dirigindo-me,  não há iluminação central e, onde há, é num trecho pequeno. A BR-101 corta Biguaçu e o trecho é o maior “breu”.

E fui indo tomando o maior cuidado com as poças (sim, a BR-101 também não é “cristã” com relação ao escoamento), segui viagem.

E finalmente, depois da ponte sobre o rio Biguaçu, cheguei ao bairro Prado de Baixo e ao último obstáculo rumo à minha casa: a rua Rosa encontrava-se alagada. Não como antigamente, mas em alguns trechos, já se formava “piscinão”. A obra de tubulação da rua feita pelo ex-prefeito Castelo (2009-2014) não funciona mais. Pelo que se fala, a prefeitura não mantém limpeza dessa tubulação.

Temendo que o carro não desse pane, enfrentei o alagamento e consegui chegar em casa finalmente.

 

REFLEXÕES

Caros leitores. O trânsito de Florianópolis é o reflexo de como os antigos prefeitos e governadores lidaram com o planejamento da cidade. Aliás, “planejamento”? Deve ser uma piada, não é?!

Florianopolis é uma ilha e não tem transporte marítimo. Pode uma coisa dessas? Todo o trânsito afunila-se numa ponte de quatro pistas para entrar e outras quatro para sair.

Uma solução de uma via rápida de escoamento seria aterrar para construir uma longa avenida Beira Mar entre Palhoça até Biguaçu. Não é coisa do outro mundo, mas obra pública no Brasil custa o olho da cara. Se num aterro, como foi o caso da avenida Beira Mar de São José, onde sairia mais barato enterrar dinheiro do que terra, imagine quanto seria o custo para estender essa avenida até Biguaçu.

Por outro lado, o Anel Viário da Grande Florianópolis, que desviaria o trânsito que não é interno da região, não termina nunca. A avenida PC-3, projetada para uma ligação alternativa para ligar Florianópolis a Biguaçu, foi rejeitada pelos vereadores de São José para atender a interesses de eleitores proprietários de casas que teriam de ser demolidas dando espaço à rodovia. Detalhe: o projeto datava da década de 1970 e boa parte das casas que se encontravam no traçado da rodovia simplesmente é de “invasões” ou construídas com autorização da prefeitura de São José sem importar com o fato de que estava prevista uma rodovia.

Em 1952, foi elaborado um plano diretor para Florianópolis e, na época, previa-se a construção de uma linha de trem interligando Palhoça, São José e Biguaçu com Florianópolis. Nunca construíram e a região optou pelo transporte mais caro, que é o automotivo.

Ciclovias? Nunca se pensou. As poucas ciclovias que existem, como a frase diz, são poucas. A ciclovia da BR-101 na realidade não é bem uma ciclovia propriamente dita ligando vários bairros. Na realidade, é um local de exercícios físicos para os moradores do bairro mais nobre de Florianópolis.

A avenida das Torres, construída em São José aproveitando a faixa de domínio das torres de transmissão de energia (daí a origem do nome), poderia ser ampliada estendendo-se por Biguaçu, mas a prefeitura não dá importância alguma para essa possibilidade. Se existisse, seria uma opção de acesso para os motoristas biguaçuenses que deparassem com os engarrafamentos da BR-101.

Enfim, estamos pagando bem caro o pato pela omissão das “ôtoridades” do passado que tiveram toda a oportunidade do mundo para planejar a região numa época pouco povoada, mas não o fizeram por negligência, ignorância, omissão, falta de visão e todas as variantes em torno da palavra chave “mediocridade”.

E hoje pagamos o pato através do estresse de conviver com tanta precariedade.

 

Lateral da BR-101 na altura da Centro de Distribuição dos Correios, em Barreiros, São José, virou um “piscinão”. (Foto Ozias Alves Jr)
Lateral da BR-101 em São José foi a alternativa para seguir viagem. (Foto Ozias Alves Jr)
Rua Velha de Barreiros ou Heriberto Hülse: virou a “Lagoa Azul”. (Foto Ozias Alves Jr)
Repórter tentou tirar uma foto da cratera na BR-101, mas a moto passou na frente. Este foi o motivo que tanto caos no trânsito na BR-101 na quinta, 01 de março de 2018. (Foto Ozias, Alves Jr)
Engarrafamento na lateral da BR-101 na entrada do viaduto de acesso ao bairro Areias. (Foto Ozias Alves Jr)
Piscinão de Ramos que se formou debaixo do viaduto de acesso ao populoso bairro Areias, em São José, na noite de quinta, 1º de março de 2018. (Foto Ozias Alves Jr)
Rua Rosa, bairro Prado de Baixo, Biguaçu: infelizmente o escoamento da via encontra-se problemática e quase se formou uma nova enchente. (Foto Ozias Alves Jr)
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