Publicidade

Em 1999, previa-se que Biguaçu tornar-se-ia uma “Cidade Universitária” com um mega campus de 18 blocos da Univali. Na ocasião, a prefeitura doou grande extensão de terra para aquela universidade.

O tempo passou, a Univali não conseguiu sair do segundo bloco e acabou devolvendo mais da metade do terreno que ganhou. O sonho da “Cidade Universitária”, inclusive com foco em cursos de medicina e áreas médicas, evaporou-se.

A prefeitura de Biguaçu resolveu pegar as terras devolvidas da Univali, reservadas para o dito sonho da “Cidade Universitária”, para implantar uma “Vila Militar” e nela deverá ser construído um novo presídio da cidade. Desconfia-se que o dito presídio nada mais é do que a penitenciária camuflada.

Por isso, não é exagero algum afirmar que, de “Cidade Universitária”, Biguaçu vai acabar mesmo transformando-se em “Cidade Penitenciária”. É rir prá não chorar!!!

Por favor, analisemos pela matemática pura e simples. A prefeitura doou um terreno de 94 mil m² quadrados da antiga “Fazenda dos Búfalos” onde fica a Univali nova. A ideia é construir nesta área a tal “Vila de Segurança”, um complexo onde estarão instalados o novo batalhão da PM, a nova delegacia de polícia, a sede do Detran, o IGP e o novo presídio, além da sede dos bombeiros, que já foi instalada.

Biguaçu tem um presídio que funciona em instalações improvisadas atrás da delegacia, na rua Hermógenes Prazeres, centro de Biguaçu.

Segundo números oficiais, a cadeia de Biguaçu tem capacidade para 43 detentos, mas hoje possui 80. Só não colocam mais porque já não cabe mais uma agulha no local. Ali estão “socados” 80 homens.

Agora analisem bem. O governo do Estado anunciou que o “novo” presídio de Biguaçu a ser instalado na futura “Vila de Segurança” terá capacidade para 400 detentos, ou seja, mais de quatro vezes mais detentos do que tem hoje.

O governo do Estado não usa o termo “penitenciária”, mas admite oficialmente que irá construir um presídio com capacidade quatro vezes maior. O prefeito Ramon tem dito que “não aceitará penitenciária em Biguaçu”, que só admitirá presídio para encarcerar bandidos do município. No entanto, os números estão aí. O “novo” presídio será, no mínimo, quatro vezes maior do que a atual cadeia da cidade.

E agora?

 

FUGAS

Em 4 de março último, houve a fuga de quatro detentos do presídio de Biguaçu. Este é um dos inúmeros casos registrados nos últimos anos.

Agora o governo do estado pretende construir um presídio para 400 detentos. Qual a garantia que Biguaçu tem que será de segurança máxima?

Por que o questionamento? No bairro Areias, funcionava o São Lucas, o centro de detenção para menores infratores.

Como funcionava em instalações improvisadas, naquele centro fugas constantes. A situação chegou a tal ponto que o São Lucas foi fechado e demolido.

O então governador Leonel Pavan (PSDB) chegou a querer instalar o novo São Lucas na região da Estiva, interior de Biguaçu, conforme o JBFoco denunciou em 2010, mas o governo do Estado resolveu reconstruir esse centro no mesmo local de antes, às margens da BR-101 no bairro Areias, São José.

Anunciou-se que a construção do novo São Lucas seria “moderna”. A ideia era um centro com segurança total. O(s) arquiteto(s) e engenheiro(s) que proteta(ram) o novo São Lucas tiveram todo o tempo do mundo para construir um reformatório com toda a segurança do mundo.

Pasmem! Inauguraram um centro novinho em folha e, para espanto de todos, mal se passou algum tempo, eis que voltaram as fugas. Ou seja, haja incompetência e falta de planejamento mínimo e decente.

Questionar não ofende: lembrando o caso absurdo do São Lucas, qual a garantia que o governo do Estado não venha a construir um presídio comentando os mesmos erros das construções antigas e, por isso, não ocorrerá novas fugas?

Como dizia o antigo personagem do humorista Chico Anysio (1931-2012), “me engana que eu gosto”.

 

QUE GARANTIAS?

Recapitulando: o atual presídio de Biguaçu, com capacidade apenas para 43 presos, tem hoje 80. O governo do Estado irá fazer um “novo”, mas para 400 vagas. Isso oficialmente não é a QUADRUPLICAÇÃO da população carcerária na cidade? Alguém tem alguma dúvida a respeito? Alguém não percebeu que há algo errado nisso tudo?

Qual garantia há de que, fazendo um puxadinho aqui, um puxadinho acolá, o presídio de 400 vagas não tenha 500, 600, 900, 1.000 ou 2.000 detentos? E isso não é uma “penitenciária”?  Que garantia Biguaçu tem que a instalação do “presídio” nada mais é do que a penitenciária camuflada para que ninguém venha a protestar?

 

INTERESSES DE BIGUAÇU

Ah, o presídio é para 400 vagas? Não. Que o prefeito Ramon exija que o novo presídio só tenha no máximo 100 vagas. O prefeito mesmo não andou dizendo que só aceita presídio para presos locais? Por acaso, Biguaçu, com quase 70 mil habitantes, consegue produzir 400 bandidos?

Ora, só pela matemática, está mais que evidente que o governo do Estado, ESPERTAMENTE, está enfiando, de goela abaixo de Biguaçu, como tal enfiar peixe em goela de biguá, um presídio QUATRO VEZES maior do que hoje tem na cidade e já provoca tantos problemas!!!

 

CONSULTA

Como se trata da quadruplicação do presídio da cidade, no mínimo, a população tinha de ser ouvida. No mínimo, tinha de haver uma consulta à câmara de vereadores. No mínimo, os vereadores teriam de votar se aceitam ou não o novo presídio ou que a capacidade do mesmo fosse reduzida para apenas 100.

O que não pode é a cidade seja ludibriada com essa “bucha” chamada presídio.

 

O QUE RAMON ESCONDE?

Não importa qual seja a pergunta. Pode ser um simples questionamento sobre quanto foi gasto numa obra tal. O prefeito Ramon simplesmente não responde. Vale lembrar que, por se tratar de órgão público que gerencia verbas oriundas de nossos impostos, o prefeito não pode negar prestação de contas e esclarecimentos.

Sobre a questão do “presídio/ penitenciária”, o JBFoco questionou  prefeito Ramon em 17 de janeiro último. Até o presidente momento, ele não prestou qualquer tipo de esclarecimento.

Iremos reproduzir o artigo publicado na ocasião. Aqui vai:

“O mandato do prefeito Ramon Wollinger (PSD) vai até 2020. Depois não vai poder candidatar-se à reeleição. Pode até ir a vereador, mas não se sabe se isso está em seus planos.

O fato é o seguinte. Pelo que sabemos, Ramon é agente penitenciário de profissão. Já imaginaram Ramon sendo nomeado “diretor” do futuro Presídio de Biguaçu, na realidade, a penitenciária estadual camuflada sob o nome de presídio?

Por que a indagação? Para começo de toda e qualquer conversa, ser nomeado “diretor de penitenciária” não é crime. Não há ilegalidade alguma. Também não é improbidade ou qualquer outra coisa do Código Penal. Pelo contrário. É até um prestígio. É um cargo de autoridade. Melhor que isso só se for eleito Reitor, desde que sem confusão com a Polícia Federal e sem ir jogar-se no Shopping Center Beira Mar.

Hoje Ramon é prefeito. Quer queira, quer não, está envolvido no processo para viabilizar a tal “Vila Militar”. Ele dispõe de informações privilegiadas por força do cargo que ocupa.

Se ele souber que o “presídio” a ser construído na futura Vila Militar na realidade será a Penitenciária “camuflada” só para despistar a opinião pública da cidade de Biguaçu, Ramon vai opor-se? Vai botar no trombone? Vai dar murro na mesa? Vai querer barrar a obra? Irá acionar o departamento jurídico para impedir a obra? Vai fazer o que a população, que é contra, quer de um representante máximo dela?

Mas se em 2021, depois que sair da prefeitura, ele se tornar o diretor da futura “penitenciária” de Biguaçu? Como é que fica?

Repetimos: Ramon não está cometendo crime algum. Mas se vier a se tornar diretor, não poderemos ter outra conclusão que não a de que ele conduziu o processo da Vila Militar já pensando adiante para depois de sua passagem pela prefeitura. E se assumir um cargo desses, a coisa estará “escancarada”.

Sim, uma gestão de interesse inconfessável. Não é crime, mas é no mínimo uma “sacanagem”, como se diz na gíria. Biguaçu quer um prefeito para agir em prol dos interesses da coletividade e não pensando nos seus próprios interesses. Biguaçu não merece receber, de goela abaixo, uma Penitenciária só para que o senhor Ramon tenha futuramente seu cargo de diretor após a passagem pela prefeitura.

 

CARTÓRIO

Se isso aqui é tudo especulação, teoria da conspiração, intriga da oposição, imaginação fértil, Ramon pode calar a boca de todos: ir no cartório da Dona Elza e registrar uma carta em que ele assume o compromisso público de que não vai ser o FUTURO diretor do presídio (penitenciária camuflada) de Biguaçu.

Por que isso? Aí ele estaria provocado e calando a boca de todos que sua condução nas negociações a respeito da Vila Militar são as melhores possíveis e não há interesses inconfessáveis em suas atitudes.

Se Ramon não fizer isso, estará dando margem à dúvida de que está com interesses inconfessáveis e Biguaçu não merece mais essa decepção.”

 

EM SILÊNCIO

Pois é! Publicamos isso em janeiro e, até o presente momento, o prefeito Ramon usa a tática do silêncio puro e simples. Não assume o compromisso de que irá comprometer-se a não assumir o cargo de direito do futuro presídio/penitenciária.

 

Presídio de Biguaçu.(Foto João Vianei)

 

Ramon Wollinger: o que está fazendo para evitar que Biguaçu não seja tapeado com uma penitenciária que não aceita? (Foto Arquivo JBFoco)

AVISO

Receba gratuitamente notícias da comarca de Biguaçu em seu whatsapp. Clique no link abaixo, adicione nosso número (4898484-7539) e dê um OK.

bit.ly/WhatsJBFoco

Publicidade