Na quinta-feira (29/03), isto é, ontem, ladrões estacionaram o carro atrás da casa do agricultor Ivonei de Souza, na região de Sorocaba, interior de Biguaçu. Eram 13h. O dono da casa tinha saído havia cinco minutos. E o final da história foi uma “pequena” limpa na casa, principalmente levando a TV e R$ 300,00 guardados numa gaveta.

Os roubos não param. Segundo Maria Alvina, 66, auxiliar de saúde residente em Sorocaba de Fora, no domingo (25/03) uma casa em Sítio Velho, localidade antes de chegar a Sorocaba, também foi arrombada por ladrões.

Há um mês o posto de saúde da região foi arrombado e a câmera de vigilância captou o rosto dos dois bandidos, conhecidos na região. Isso não foi suficiente para prendê-los, pois um deles, acusado de ter matado a facão um homem há três anos, continua circulando como se o interior de Biguaçu fosse uma terra sem lei.

 

INSEGURANÇA

O problema não é de hoje. Já vem de longa data. O problema é que os ladrões descobriram que a região, onde não há policiais e longe da “civilização”, é o local ideal para arrombamentos.

Literalmente os bandidos fazem excursões. “Passeiam” pelo local, identificam alguma casa “interessante” e promovem o assalto, que pode ser tanto às escondidas (sem que o dono perceba) ou mantendo a(s) vítima(s) como refé(ns). Como a polícia está longe demais, os ladrões facilmente fogem pelas estradas interioranas.

 

QUAL SOLUÇÃO?

Como não há polícia e a justiça está abarrotada de processos, o que faz qualquer decisão demorar uma eternidade, a solução mais plausível para o interior de Biguaçu é a comunidade unir-se, “fazer uma vaquinha”, como se diz na gíria, e pagar seguranças particulares que estariam estacionados em guaritas ao longo da única estrada de acesso à região.

É claro que há questões problemáticas a serem discutidas. A primeira é: a população tem o direito de- ela mesmo- decidir vigiar quem entra e quem sai da região? A segunda: a comunidade local pode dar-se ao papel de manter uma guarda particular armada?

É uma discussão digna de dissertação de mestrado de Direito. O fato é que Três Riachos, Sorocaba e outras localidades da zona rural de Biguaçu estão completamente à mercê da insegurança e o Estado simplesmente não resolve absolutamente nada. Não há policiais para atender a região e, quando há, eles prendem, mas a justiça não mantém os bandidos presos por longas décadas. Por “n” motivos, a bandidagem volta às ruas e retorna ao crime.

A grande questão é: se o Estado não garante a segurança, a comunidade deveria ganhar o direito dela mesma constituir uma guarda paga armada própria para garantir sua própria proteção?

E se o Estado reconhece que não oferece segurança para determinada região, qual a lei que permite que o mesmo Estado possa conceder o direito a determinada comunidade assolada pelo crime dela mesma constituir sua guarda de segurança?

Se o interior de Biguaçu tivesse suas entradas guarnecidas com guaritas, tendo guardas que vistoriem quem entra e sai da região, certamente os bandidos evitariam a região, pois certamente a guarda conseguiria detectar armas. Mas, é claro, estamos esbarrando em questões jurídicas. E no fim, o interior de Biguaçu está literalmente entregue aos ladrões.

 

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