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Em que deveria ser mais prioritário: R$ 300 mil investidos na saúde ou em publicidade? Este é o questionamento que vem sendo feito em Biguaçu.

Na edição de sexta-feira passada (09/03), o JBFoco estampou os questionamentos do vereador Salmir da Silva (PMDB) a respeito de R$ 300 mil gastos a toque de caixa em janeiro último em publicidade.

Não é crime nem ilegalidade. No entanto, há dois aspectos na questão. Em primeiro lugar, a falta de transparência. O Portal da Transparência, link do site oficial da prefeitura de Biguaçu onde constam os gastos da municipalidade, só informa o valor total do gasto, mas não especifica em que foi gasto.

Por exemplo, o caso dos R$ 300 mil gastos em publicidade. O valor total foi este, mas onde foi gasto? Foram out-doors? Publicidade em jornais, revistas, rádios, televisões ou internet? Qua(is) a(s) empresa(s) contratada(s)?

Simplesmente a prefeitura não responde e, pelo jeito, está obrigando tanto o vereador quanto o JBFoco a terem de ingressar na justiça para obter tais informações que não são sigilosas. Pelo contrário. A prefeitura tem o dever e a obrigação de fornecer tais informações, pois trata-se de dinheiro público investido.

Em segundo lugar, há uma questão de questionamento de prioridade. É sabido que, ao contrário da “publicidade” estatal, a situação de Biguaçu não está bem, principalmente quando o assunto é saúde. Entre investir R$ 300 mil em publicidade (sabe-se lá onde foi investido esse dinheiro todo) ou em saúde, qual deveria ser a prioridade?

O JBFoco ouviu a população a respeito e um dado chamou a atenção: todos sem exceção falaram da questão da saúde.

Aqui os depoimentos:

 

ENQUETE

O aposentado José Luz de Faria, 64, residente no bairro Universitário, diz que não concorda que a prefeitura “torre” R$ 300 mil em publicidade. “Minha mulher está sofrendo com câncer e fui tentar pegar um remédio que ela precisa para o tratamento. A caixa custa R$ 180,00. Quem ganha salário mínimo, não tem como comprar. A prefeitura não tem. Não fornece. Aliás, não tem muitos medicamentos. O pobre sofre para conseguir o remédio. Se existisse prioridade na prefeitura, esses R$ 300 mil seriam investidos para abastecer a farmácia dos postos de saúde. As pessoas que ganham pouco contam com a saúde pública para conseguir remédios”, observa José.

O ajudante de motorista Luciano dos Santos Conceição, 39, que reside no Morro da Bina, Biguaçu, também concorda: “Está errado. A saúde em primeiro lugar. A saúde em Biguaçu está muito precária.”

 

QUEIXAS

Já a professora Roseli de Souza, 40, do Rio Caveiras, reclama que há muitas filas na UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

Para ela, o gasto de R$ 300 mil em publicidade é desperdício, ainda mais que a região onde ela mora sofreu enchente em janeiro último. “Ultimamente na região do Koch (supermercado) enche tudo. Vira um Piscinão (de Ramos)”, observa.

O comerciante Saulo Santos Meira, 48, do centro de Biguaçu, coleciona histórias de seus clientes que reclamam da precariedade da saúde no município. “O que adianta ter postos de saúde e a UPA se o cidadão, quando precisa, fica horas na fila?”, observa.

O comerciante Valmor Feijó, 66, do Bom Viver, observa: “Falta muito medicamentos nos postos de saúde. São até medicamentos básicos. Se for de alto custo, aí mesmo que não existe. É uma vergonha.”

 

MAIS QUEIXAS

Joni Vieira, 48, autônomo residente no Morro da Boa Vista, Biguaçu, conta que não faz muito tempo sofreu forte dor abdominal. Chegou na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Biguaçu às 9h da manhã. Só foi atendido às 16h30 e, mesmo assim, mediante protesto por estar havia horas esperando numa cadeira desconfortável.

“E quando fui atendido, a médica nem me olhou direito. É um absurdo. A saúde está uma completa bagunça”, observa.

O confeiteiro Santos Alves Ricardo, 53 do bairro Fundos, acha que a prefeitura tem de gastar o suado dinheiro público extraído literalmente do suor da população em saúde, que, para ele, é mais prioritário. “O noticiário fala de febre amarela e já chegou a Santa Catarina. Por que a secretaria de saúde não usou os R$ 300 mil na compra de vacinas contra a febre amarela para fazer uma campanha de vacinação da população? Se não for da febre amarela, então que reponha os remédios dos postos de saúde, que volta e meia estão faltando.”

José Luz de Faria: “falta medicamentos para doenças graves”. (Foto JBFoco) 

Luciano dos Santos da Conceição: “saúde em Biguaçu está muito precária”. (Foto JBFoco)

 

Roseli de Souza: se não bastasse o problema da saúde, há também o das enchentes que voltaram no Rio Caveiras. (Foto JBFoco)

 

Saulo Santos Meira: “O que adianta ter postos de saúde e a UPA se o cidadão, quando precisa, fica horas na fila?”(Foto JBFoco)

 

Valmor Feijó: “Falta muito medicamentos nos postos de saúde”. (Foto JBFoco)

 

Joni Vieira sofreu ficar quase seis horas na fila esperando atendimento na UPA. (Foto JBFoco)

 

Santos Alves Ricardo pede reposição de remédios que faltam nos postos de saúde. (Foto JBFoco)

 

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