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Em 28 de fevereiro último, certo jornal da grande mídia de Florianópolis cujo nome não precisa ser mencionado publicou um caderno especial de 12 páginas sobre o município de Biguaçu cujo título era “Biguaçu em crescimento”.

Até aí, nada demais. Qualquer jornal pode homenagear a cidade que quiser e elogiar a gestão do prefeito que desejar.

Mas o interessante foi que a prefeitura de Biguaçu não publicou apenas um anúncio, mas três nesta edição comemorativa de não se sabe o quê. O aniversário de Biguaçu ocorre em maio e, na história do município, a data 28 de fevereiro não se refere a nada. Pelo menos, na história oficial não há um fato que tivesse ocorrido num 28 de fevereiro para que hoje fosse comemorado na cidade.

O fato é que o caderno especial foi publicado e os três anúncios impressos com o logotipo da prefeitura de Biguaçu refere-se especificamente a: 1) investimentos em iluminação pública, 2) campanha do IPTU 2018 e 3) os serviços de whattsapp da municipalidade.

Os anúncios em questão saíram publicados na capa e nas páginas 7 e 9.

 

QUESTIONAMENTOS

Não é ilegal a prefeitura publicar anúncios e campanhas publicitárias na imprensa. Pelo contrário. O estranho é qual a razão da prefeitura publicar três anúncios num só suplemento especial. Geralmente publica-se um justamente para que o Tribunal de Contas não venha questionar depois alegando “favorecimento”, ainda mais justamente numa edição em que só eram elogios rasgados, a começar pelo pomposo título: “Biguaçu em crescimento: com destaques em diversas áreas, o município cresce com iniciativas para melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e desenvolvimento da região”.

O suplemento especial é uma sucessão de elogios rasgados à atual gestão da prefeitura de Biguaçu. Parece até que Biguaçu é um “Jardim do Eden” do crescimento econômico e infraestrutura, o que, para os nativos, não é exatamente bem assim.

O JBFoco protocolou questionamento na prefeitura para saber o valor gasto nessa publicidade tripla concentrada, pois estamos desconfiados que tenha sido nada barato, ou seja, o valor total deve ter sido alto e, se a prefeitura tivesse investido na publicação de um jornal dela própria (pelo menos tem uma equipe de assessoria de imprensa para redigir), teria sido suficiente para uma tiragem boa e distribuído para a população.

 

PAGANDO (IN)DIRETAMENTE PARA SER ELOGIADO

O inegável é que o prefeito Ramon Wollinger (PSD) pagou para ser “elogiado” (in)diretamente. Se fosse um só anúncio numa mesma edição, tudo bem, nada fora do usual, mas o fato é que foram três. Será que foram tão “inocentes” assim?

Uma coisa é publicar um jornal da prefeitura, com o logotipo da município, um informativo do poder público. Outra coisa é um conceituado jornal de um grande grupo de comunicação de Florianópolis está “elogiando”. Isso explica o aparecimento de um suplemento em data não comemorativa, mas vendendo a “boa” imagem da gestão do atual prefeito, que tem um “pecado” no mínimo problemático: quando questionado, ele simplesmente se recusa a esclarecer. Não responde sequer questionamentos de vereadores e o JBFoco terá de ingressar na justiça para ter o direito de saber quanto a prefeitura gastou em certas obras.

Por exemplo, um dos anúncios publicados no suplemento em questão foi o investimento em iluminação pública. Paradoxalmente, quando questionado o valor gasto nesta obra, o prefeito Ramon simplesmente recusa-se a responder.

Quer dizer, os gastos com a dita “iluminação” só valem como propaganda. Agora se for para responder uma pergunta tão simples que é o valor do gasto, aí vira “segredo de Estado”.

 

O QUE O SUPLEMENTO NÃO FALOU

  • O suplemento não contou que as contas de 2016 da administração Ramon Wollinger foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas, que apresentou uma série de evidências que deveriam ser investigadas.
  • O suplemento não contou que o alarde da prefeitura de Biguaçu em dezembro de 2017 de que arrecadou mais do que gastou deveu-se não a resultado de economia ou ações para modernizar a administração, mas sim porque a empresa que está construindo o Anel Viário da BR-101 cortando o município pagou uma grande soma de compensação para Biguaçu e esse dinheiro salvou a prefeitura de amargurar um déficit orçamentário ano passado. Ou seja, o que Ramon quis vender o “superávit” como fruto da competência de sua administração nada mais foi do que um lance de sorte.
  • Aliás, analisem bem: se a prefeitura está tão bem de situação financeira (teve “superávit” em 2017), por que não promoveu o carnaval de 2018? Não é estranho isso?
  • E por falar em Anel Viário, o suplemento não abordou a questão dos estragos das estradas do interior de Biguaçu por caminhões pesados que estão fazendo essa obra. Questionado, o prefeito Ramon nada responde a respeito de quais providências tomará a respeito.
  • O suplemento não falou que Ramon anunciou que faria a Reforma Administrativa. Onde está que ninguém viu?
  • Entre tantos elogios rasgados, o suplemento especial não contou um grande paradoxo da administração do prefeito Ramon Wollinger: o “Elefante Branco” das obras do ginásio do novo bairro Beira Rio. Sim, as obras estão paralisadas. Por quê? Qual a razão? Por outro lado, há pouco tempo, um internauta enviou-nos uma foto do estado precário do primeiro e até agora único ginásio de esportes PÚBLICO de Biguaçu, o Nagib Salum. A prefeitura já arrumou o problema?
  • O suplemento não contou a respeito da sede da Escola do Mar que a prefeitura não construiu no terreno da Lagoa do Amilton, no bairro Praia João Rosa. Biguaçu era para ter ganho essa instituição, mas não ganhou. E o prefeito Ramon recusa-se a responder a essa pergunta tão simples.
  • O suplemento especial elogiou o Hospital Regional de Biguaçu Helmuth Nass, mas não falou a respeito de uma reportagem de uma rede de TV ano passado informando que boa parte dos leitos desse mesmo hospital seriam desativados por falta de verbas. O prefeito Ramon simplesmente não prestou esclarecimentos do que está acontecendo e vale lembrar que o hospital funciona há apenas dois anos e sete meses e, em tão pouco tempo, está numa situação dessas.
  • O suplemento não contou a respeito do caso ISEV (Instituto Saúde e Vida), empresa contratada para gerenciar os postos de saúde do município. Durante a gestão dessa empresa em Biguaçu, não faltaram queixas de falta de medicamentos, funcionários reclamando de atraso de salários, questões trabalhistas, entre outros problemas. E o prefeito Ramon recusa-se a responder ao questionamento se houve ou não pagamentos da prefeitura a esse instituto sem que supostamente não tivesse sido apresentadas certidões negativas.
  • O suplemento especial não contou a respeito do projeto de construção da Super Creche dos bairros Prado de Saudade. O prefeito Ramon simplesmente recusa-se a prestar esclarecimentos.
  • O suplemento não relatou que o grande xodó da administração Ramon é a macrodrenagem, herdada do prefeito Castelo. Até aí, temos de bater palmas. Trata-se de uma grande e importantíssima obra. No entanto, Ramon não fez algo básico: manter limpeza periódica dessas canalizações. Resultado: entupiram e foram responsáveis por certos alagamentos em Biguaçu nos últimos meses. Só agora é que Ramon mandou fazer o que deveria ter sido feito: mandar limpar os canais da macrodrenagem só agora nesta semana. Vale lembrar que macrodrenagem sem manutenção equivale à volta das inundações em qualquer dia de chuva forte.
  • O suplemento não contou a respeito do questionamento que Ramon não respondeu a respeito da possibilidade da futura Vila Militar de Biguaçu virar a Penitenciária do Estado. Que garantias a cidade tem de que não teremos essa surpresa desagradável? Ramon nada respondeu a respeito.
  • O suplemento não contou que a questão da falta de uma política clara com relação aos animais de rua em Biguaçu. O município não tem centro de zoonoses. Com relação ao centro de castração, está funcionando? E se está, como é que esperar “zerar” o número de nascimentos de mais animais abandonados nas ruas da cidade se as cirurgias de castração são tão poucas semanalmente?
  • O suplemento não contou que o prefeito Ramon enviou no final do ano passado decreto para aumentar a taxa da COSIP (iluminação pública). Quer dizer, uma das publicidades da prefeitura no citado caderno especial era a respeito da “nova iluminação pública de Biguaçu”, mas não informou que o prefeito apresentou projeto (que foi combatido pelo vereador Salmir Silva-PMDB) para justamente aumentar a COSIP, o imposto sobre a iluminação pública. O suplemento não contou que o prefeito Ramon prometeu a tarifa de ônibus interbairros em Biguaçu a R$ 1,00 (um real) para incrementar o comércio do centro da cidade. Cadê a promessa?
  • Aliás, o suplemento não contou que mais de 80% das promessas de campanha o atual prefeito de Biguaçu simplesmente não cumpriu.
  • Em abril de 2017, o prefeito Ramon recebeu representantes de uma empresa que queria instalar na cidade com o objetivo de transformar lixo em energia elétrica. Perguntar não ofende: e aí, prefeito Ramon? Não vai sair a dita empresa?
  • Aliás, por falar em lixo, o suplemento não contou que o prefeito Ramon teve a ousadia de querer apresentar um projeto de lei para que a população de Biguaçu voltasse a pagar a taxa de lixo, sendo que esse imposto havia sido extinto pelo então prefeito Castelo (PP) numa discuta judicial com a empresa Proactiva, que administra o aterro sanitário da Estiva. Pode uma coisa dessas? Seria algo como dar algo a alguém e ao mesmo tempo cobrar um preço pela doação? Isso o suplemento não falou.
  • O suplemento não fez qualquer comentário para um detalhe intrigante: não há qualquer calendário de eventos culturais em Biguaçu. Por que não há shows musicais ao ar livre, apresentação de teatro, exposições de arte, concursos de literatura patrocinados pela prefeitura? Aliás, na cultura, Ramon nunca disse para que veio, se é que sabe o que é isso.
  • O suplemento não contou a biblioteca pública de Biguaçu teve de reduzir parte de seu acervo por falta de espaço, pois o prefeito Ramon não sinalizou até o presente momento uma nova sede para a instalação, que ocupa apenas um pequeno espaço do Centro Cultural David Crispim Corrêa.
  • O suplementou não contou a “gafe” do prefeito construir um novo posto de saúde do bairro Prado sem prever a construção de uma escada ou rampa de acesso. Para consertar o “esquecimento”, mais gastos de uma obra que até o presente momento não foi concluída.
  • O suplemento não contou literalmente o número de buracos nas ruas de Biguaçu e a “chuva” de reclamações de moradores que reclamam da precariedade das ruas.
  • O suplemento não contou a respeito de uma grande placa metálica que o prefeito Ramon mandou instalar na praça da entrada do Jardim Carandaí que simplesmente desabou. Ainda bem que não acertou algum transeunte. Ao invés de consertar e acionar o engenheiro responsável no órgão de fiscalização da categoria, o que fez a prefeitura? Mandou retirar a placa simplesmente. E além disso, não respondeu o questionamento do jornal a respeito de quem é a responsabilidade desse “acidente”.
  • O suplementou não contou que em 2013 a prefeitura de Biguaçu ganhou um mamógrafo do governo do Estado e, passados cinco anos, não instalou e que mulheres do município têm de fazer o exame de mamografia em outros lugares ou pagar do próprio bolso. O prefeito Ramon nunca deu explicações a respeito desse mamógrafo abandonado.

 

Capa do suplemento de 28 de fevereiro último. (Foto Reprodução)

 

Segundo anúncio no mesmo suplemento especial de certo jornal em 28 de fevereiro. (Foto Reprodução)

 

Terceiro anúncio num mesmo suplemento. Quem garante que prefeito não estaria patrocinando jornal para elogiar sua gestão? Coincidência ou não, o jornal era só elogios. (Foto Reprodução)

 

Funcionários da Secretaria de Obras retiram lixo de galerias no bairro Vendaval (Foto Maike Z Ferreira – DICOM PMB)

 

Ginásio abandonado no bairro Beira Rio: obras paralisadas. Até agora, a prefeitura nem respondeu se as obras serão retomadas e qual a razão da paralisação. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Jardim São Miguel, bairro Rio Caveiras, enchente em janeiro de 2018. Macrodrenagem não limpa ajudou a aumentar o problema das inundações. (Foto Divulgação)

 

Posto de Saúde do Prado Atrasos, erro de planejamento e mais gastos do que o previsto. (Foto JBFoco)

 

Não se trata de uma placa artística. Na realidade, conforme se pode ver, trata-se da base que não suportou o peso e desabou. (Foto JBFoco)
Isev (Instituto Saúde, Educação e Vida) é uma empresa terceirizada para administrar a saúde de Biguaçu. (Foto JBFoco)

 


Mamógrafo: Biguaçu ganhou em 2013, mas prefeitura nunca instalou. (Foto Google Images)
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