A prefeitura de Biguaçu pagou R$ 36 mil para que a atriz global Elizabeth Savala apresentasse uma peça teatral do projeto “Teatro de Graça” na noite de quinta-feira última (05/04) na praça Nereu Ramos, centro da cidade.

Como se trata de uma famosa atriz da rede Globo, de notório saber e currículo profissional de grandes realizações, o gasto foi registrado como “dispensa de licitação”, isto é, não foi preciso abrir licitação com o objetivo de haver uma disputa pela verba.

Vamos deixar bem claro uma coisa: esse patrocínio não foi crime, nem irregularidade ou qualquer coisa que seja. Pelo contrário. A apresentação teatral de Elizabeth Savala em Biguaçu foi uma honra para a cidade, sem falar que acabou sendo um sucesso de público. Muitos biguaçuenses, que nunca assistiram a uma peça teatral e muito menos de uma famosíssima atriz de televisão ao vivo, em cores, belíssima e engraçadíssima, adoraram o espetáculo.

Aliás, o questionamento nem é isso. O que chamamos a atenção é em 29 de janeiro publicamos uma matéria perguntando publicamente ao prefeito Ramon Wollinger (PSD) quando custaria a apresentação da atriz global.

Passaram-se dois meses e uma semana, repetimos a pergunta várias vezes ao longo deste período e o prefeito Ramon simplesmente não respondeu ao questionamento.

Teria sido elegante da parte do prefeito enviar uma resposta por escrito ou publicar um esclarecimento no site oficial da prefeitura informando que contratou Elizabeth Savala, que está pagando R$ 36 mil pela apresentação etc e tal.

Mas aconteceu o contrário. Ramon escondeu o que pode responder ao questionamento. Relembrando: passaram-se dois meses e uma semana e o “alcaide” simplesmente tentou empurrar com a barriga em não responder.

Ramon engana-se se pensa que não deve explicações. O questionamento não se restringe ao Biguaçu em Foco. Negar dar explicações ao jornal é negar também esclarecimentos à população. Quer queira, quer não, somos o jornal mais lido da comarca e todo questionamento do jornal é PÚBLICO e a população está acompanhando.

 

Nesta parte, o registro da Dispensa de Licitação do show de Elizabeth Savala. (Foto Reprodução)

 

Dispensa de licitação. (Foto Reprodução)

VERGONHA

Que vergonha, prefeito Ramon! Quis esconder de todos que TORROU R$ 36 mil no “Teatro de Graça” (nome bem sugestivo!) da atriz global.

Biguaçu é um “Deserto Cultural”. Não tem programação de shows musicais para a população. Sim, uma concha acústica na praça com músicos tocando, quem sabe às sextas à tarde ou sábado de manhã.

Tem um Centro Cultural Casarão Born, mas não disponibiliza um curso de teatro amador para a população. O mesmo vale para cursos de arte, artesanato, escultura ou o que seja.

A vergonha mesmo nem é passar pela vergonha de manter uma atitude “Em casa de ferreiro, espeto de pau”. Traduzindo: a gestão de Ramon não tem uma política de cultura e TORRA dinheiro numa peça de teatro de uma atriz só porque ela é famosa.

A vergonha é que Ramon não responde questionamentos tanto deste jornal como também de vereadores que não são de sua bancada de apoio. Não importa a pergunta. Pode até ser a mais simples que for (ex.: quando é que a obra vai estar pronta?). Ramon simplesmente não responde apostando que o jornal e os vereadores ingressarão com um processo na Justiça de Habeas Data (pedido para que questionamentos sejam respondidos). Como a justiça esta está abarrotada de processos, Ramon aposta que, até chegar o pedido na mesa do juiz, meses ou anos vão passar.

Vale lembrar a Ramon que a lei exige transparência.

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FALTA DE TRANSPARÊNCIA

Caros leitores. Vocês sabiam que Biguaçu não possui “Conselho Municipal de Cultura”. Sim, trata-se de um conselho de cidadãos moradores do município que debatem e sugerem projetos para a prefeitura investir.

Até o presente momento, o prefeito Ramon não moveu uma palha para que Biguaçu tenha esse conselho. Detalhe: os participantes do conselho não recebem salário algum, diferente dos que integram o Conselho Tutelar da Infância e Adolescência.

Então, por que Ramon não providenciou a constituição do Conselho Municipal da Cultura, se a mesma não constitui despesa para os cofres públicos?

Uma das respostas está no fato de que o ex-vereador e advogado, José Braz da Silveira, faz parte da Academia de Letras de Biguaçu. Como a academia inevitavelmente faria parte do conselho, Ramon certamente pensou que Braz poderia entrar. Para quem chegou em Biguaçu hoje e não conhece a política local. Em 2003, Ramon fazia parte do PSDB e numa eleição na época (2002) apoiou abertamente um candidato a deputado que não era do seu partido.

Braz defendeu uma punição exemplar ao então vereador Ramon e esta foi a expulsão do partido. E o pedido chegou numa época em que,  se fosse desligado, Ramon não poderia concorrer à eleição de 2004. Wollinger foi salvo por uma manobra partidária na executiva estadual. Daí a raiva dele contra Braz.

Por isso, ter um “Conselho Municipal de Cultura”, bandeira de luta do ex-presidente da Academia de Letras de Biguaçu, professor e historiador Joaquim Gonçalves dos Santos, não interessa a Ramon, pois se o conselho existisse e viesse o pedido de autorização para investir R$ 36 mil numa peça de teatro de atriz global, talvez os conselheiros pudessem apresentar objeções e isso Ramon não quer de forma alguma.

Portanto, nada de “Conselho Municipal de Cultura”.

 

FALTA DE COMPETÊNCIA

Ninguém é contra investir R$ 36 mil para que Biguaçu tenha o privilégio de assistir ao vivo a uma peça de uma atriz global famosíssima como Elizabeth Savala.

Mas a gestão do prefeito Ramon Wollinger poderia ter tido a competência de buscar patrocínios da iniciativa privada, isto é, conversado com várias empresas grandes instaladas em Biguaçu ou que vão se instalar (Havan, Fort Atacadista, entre outras) e tentado conseguir algum dinheiro.

A ideia é que a prefeitura não precisasse- ela sozinha- gastar R$ 36 mil com os custos de Elizabeth Savala.

Para que isso? Para que o dinheiro que sobrasse fosse usado justamente para custear projetos de cultura, que tanto tem faltado à cidade.

 

CONCLUSÃO

Que o episódio de Elizabeth Savala sirva de exemplo para Biguaçu repensar a questão da cultura e, quem sabe, o assunto possa repercutir nas sessões da câmara municipal desta semana.

Biguaçu precisa urgentemente de um “Conselho Municipal de Cultura”.

 

 

ESTADO DE SANTA CATARINA

MUNICÍPIO DE BIGUAÇU

SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO

DIRETORIA DE LICITAÇÃO, COMPRAS E CONTRATOS

 

 

TERMO DE INEXIGIBILIDADE 58/2018-PMB

 

OBJETO: Contratação de grupo teatral para apresentação do projeto: Teatro de Graça na Praça  Espetáculo A.M.A.D.A.S estrelado pela a atriz Elizabeth Savala .

 

 

EMPRESA CONTRATADA: Esca e Empreendimentos Ltda ME

 

VALOR: R$ 36.000,00.

 

DOTAÇÃO ORÇAMENTÁRIA:

 

393 15/1 2052 333903999000000

 

VIGÊNCIA: 90 (noventa) dias.

.

JUSTIFICATIVA: Contratação de grupo teatral para apresentação do projeto: Teatro de Graça na Praça Espetáculo A.M.A.D.A.S estrelado pela a atriz Elizabeth Savala. O processo tem fundamento legal no art. 25, III e parágrafo primeiro da Lei 8.666/93:

– para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.

O contratado apresentou os documentos de regularidade fiscal dentro do prazo de validade, de acordo com a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo os valores contratados conforme consultas prévias aparentam encontrar-se compatível com o praticado no mercado.

 

 

Biguaçu, 22 de março de 2018.

 

 

___________________________________

RAMON WOLLINGER

PREFEITO MUNICIPAL

 

  Por delegação – Daniel Cesar Luz

Secretário de Administração

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Show de Elizabeth Savala divide opiniões em Biguaçu 

 

Elizabeth Savala apresentou comédia A_M_A_D_A_S_ em Biguaçu na quinta-feira (Foto Martha Huff – DICOM PMB)

 

Atriz Elizabeth Savala num encontro com o prefeito Ramon em janeiro deste ano no acerto da apresentação da peça. (Foto Divulgação PMB)

Prefeito Ramon e Elizabeth Savala ao final da peça A_M_A_D_A_S_ (Foto Martha Huff – DICOM PMB) 

A reportagem de capa do JBFoco de segunda (09/04) a respeito da apresentação de teatro da atriz global Elizabeth Savala em Biguaçu dividiu opiniões na cidade. Aqui analisaremos as opiniões registradas sobre a matéria na página do JBFoco no facebook. Eis as opiniões:

  • Esta quantia (R$ 36 mil- valor do show) seria melhor aproveitada pagando o conserto do compressor do gabinete dentário do posto de saúde do bairro Bom Viver que há três meses não funciona e aí não tem atendimento odontológico no citado posto.”

Henrique Dias, aposentado, bairro Bom Viver, Biguaçu.

 

RESPOSTA: O leitor Henrique tem 36 mil razões de estar correto com relação a sua bronca. Ora bolas, o povo do Bom Viver vai dizer sem atendimento odontológico pura e simplesmente?

 

  • Pelo menos o povo se divertiu, é cultura, teatro. Acho que tem dinheiro que vale a pena gastar.” Meryelem Melo.

 

RESPOSTA:  Dona Meryelem. Também concordamos. Mas perguntar não ofende. A senhora leu com atenção a matéria? A senhora verificou exatamente o ponto em que estamos discutindo?

Em momento algum, fomos contra a apresentação de Elizabeth Savala. O que questionamos foi que o prefeito Ramon Wollinger nunca investiu em teatro amador. Não há programação cultural na cidade. Não existe shows musicais, apresentações de teatro amador, cursos de arte gratuitos à população. Mas basta uma atriz ultra famosa aparecer para que o dinheiro role, isto é, a prefeitura patrocinou o espetáculo em questão.

 

  • Valeu a pena o povo aproveitou!!!” Salete Iachitzki.

 

Foi um ato cultural, e que venham mais e mais peças teatrais para o nosso município.” Ederson Soares.

 

Foi uma noite inesquecível.” que consta na própria matéria diz tudo. Cultura para Biguaçu, que deixe de ser uma cidade dormitório e passe a ter status de cidade desenvolvida. Tudo custa dinheiro, se formos pensar somente por esse lado, nada acontece!” Fabiana Frigo Souza.

 

Pesquisou quanto custa uma entrada de um bom teatro com uma conceituada atriz? Viu quantas pessoas prestigiaram? Algumas delas sequer podem ir ao cinema, imagine um teatro. E outra coisa. Cultura faz parte da administração pública.” Neno Pfleger.

 

Se o dinheiro da cultura fosse usado pra outros fins e a prefeitura fosse processada por improbidade, o mesmo jornal estaria julgando e questionando porque não foi investido em cultura! Irônico… Mas já sabemos a finalidade deste jornal.” Gabriela Dallwitt

 

RESPOSTA: Em momento algum, o JBFoco foi contra o show de Elizabeth Savala ou disse que se tratava de “improbidade” ou “irregularidade”. O que chamamos a atenção é que o Centro Cultural Casarão Born não oferece curso de teatro. Se alguém vier à prefeitura de Biguaçu apresentar uma proposta para promover um curso de teatro amador gratuito à população (isto é, a amadores interessados), mas pedindo uma ajuda de custo para o projeto (pagamento de um salário ao professor), o prefeito Ramon certamente vai dizer que não tem dinheiro, “agora não dá” etc e tal. No entanto, em se tratando de Elizabeth Savala, aí a coisa muda.

Os R$ 36 mil gastos com Elizabeth Savala já se foram. Foi apenas uma noite e acabou. Mas esse mesmo dinheiro não seria mais que suficiente para pagar o salário de um/a professor/a para um ano inteiro de aulas (duas ou três vezes por semana). E no final, os alunos poderiam encenar várias peças em vários bairros de Biguaçu.

Isto sim é investimento em cultura. E num cenário desses, antes da apresentação de Elizabeth Savala, poderíamos ter a encenação dos alunos do curso de teatro amador do projeto mantido pela prefeitura de Biguaçu. Quem sabe até mesmo a própria Elizabeth assistiria a peça e, quem sabe, poderia admirar-se da performance de algum dos atores amadores e poderia aí rolar um convite para um teste no Rio de Janeiro.

Este foi o cerne da matéria. Nada contra a atriz global, mas Biguaçu precisa ter alguma político e investimento em cultura.

 

  • Vão à m….! Vão pagar melhor os nossos etugadores (o internauta escreveu muito rápido. A palavra deve ser “educadores”).” Edson Amaral.

 

Palhaçada. Vão investir na saúde.” Marcos Alessandro.

 

Puts agora teatro……Falta de remédios nos postos de saúde, uma vergonha.” Cal Barros.

 

Dinheiro que poderia ser investido em saúde e educação.” Neno Pfleger.

 

RESPOSTA: Num cenário de problemas nos postos de saúde, é problemático gastar dinheiro público em qualquer outra coisa que não seja resolver o problema mais urgente urgentíssimo que é a saúde.

No entanto, a vida não se resume a posto de saúde. A prefeitura pode e deve investir também em cultura. A uma hora que o público biguaçuense passou na noite da última quinta (05/04) assistindo à hilariante peça de Elizabeth Savala, rindo à beça, esquecendo de seus problemas, tendo a oportunidade de ver um espetáculo cultural de altíssimo nível, não tem preço. Os R$ 36 mil foram mais que bem investidos.

Mas Biguaçu é uma cidade onde não tem sequer um recital de música clássica, é problemático não ter um foco mais condizente com a nossa realidade.

Este foi o cerne da crítica. Em primeiro lugar, investir na cultura local para depois patrocinar os espetáculos de fora. Agora fica problemático uma cidade que não tem absolutamente nada ou quase nada de investimentos em cultura gastar o pouco dinheiro que tem (e nunca investe em cultura, diga-se de passagem) numa atração de fora.

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