A apresentação em Biguaçu do “Teatro de Graça na Praça”, como é chamado o projeto em que está inserido o espetáculo A.M.A.D.A.S da atriz global Elizabeth Savala, custou R$ 36 mil. Mas o mistério continua: quem pagou? O governo do Estado ou a prefeitura de Biguaçu?

A informação a respeito do custo nos foi informada por fonte fidedigna, mas há uma dúvida: o dinheiro é de origem estadual ou municipal? No portal da transparência da prefeitura de Biguaçu, aparentemente não há qualquer registro de “Elizabeth Savala” ou “ESCA Produções e Empreendimentos Ltda”. No entanto, alguns dos espaços onde podemos digitar o nome para efetuar a pesquisa, simplesmente não abrem. Portanto, ficamos na dúvida e, por isso, exigimos da prefeitura de Biguaçu uma explicação que não presta há várias semanas.

O prefeito Ramon simplesmente não tem respondido questionamentos. Não é só com relação ao JBFoco, mas também a vereadores. Até perguntas simples como será iniciada a obra tal, ele não responde.

Elizabeth Savala apresentou-se em Biguaçu na noite da última quinta-feira (05/04) na praça Nereu Ramos. Mais ou menos mil pessoas assistiram à comédia A.M.A.D.A.S (Associação das Mulheres que Acordam Despencadas), um monólogo da consagrada atriz. Diga-se de passagem, foi um senhor espetáculo. Elizabeth foi brilhante. Por pouco, a comédia teatral não levou alguns dos espectadores ao hospital devido aos risos incontroláveis. Foi uma noite inesquecível.

Elizabeth Savala apresentou comédia A_M_A_D_A_S_ em Biguaçu na quinta-feira (Foto Martha Huff – DICOM PMB)

 

Mais de 1000 pessoas assisitiram a peça na Praça Nereu Ramos, em Biguaçu (Foto Alexandra Klingstron – DICOM PMB)QUESTIONAMENTOS

O JBFoco não é contra pagar para a companhia da famosa atriz. Pelo contrário. Todo centavo de dinheiro público para viabilizar a apresentação em Biguaçu desse espetáculo vale integralmente pela qualidade, pela criativa e pela beleza artística em si, mas é problemático o prefeito Ramon Wollinger canetear liberando recursos para uma peça de teatro de atriz famosa enquanto que a prefeitura nunca investiu um tostão em aulas de teatro amador ou em outras artes.

Aliás, perguntar não ofende: o Centro Cultural Casarão Born, situado na frente da praça onde Elizabeth Savala apresentou-se, funciona de fato e não apenas para manter aberta a porta? Existe alguma programação cultural? Há exposições de arte periódicas? São oferecidas aulas de pintura, artesanato, escultura etc?

Por favor, não venham a argumentar que a prefeitura mantém uma Escola de Música. Criada pelo ex-prefeito Tuta (2001-2008) e pelo seu então secretário do SOL (Organização do Lazer), Afonsinho Santos, a Escola de Música de Biguaçu deveria estar agora (2018) num patamar bem maior do que era uma década atrás, mas não está. Aliás, perguntar não ofende: por que a escola de música não promove apresentações quinzenais ou mensais nos bairros de Biguaçu?

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INCÓGNITA

Está escrito na reportagem produzida pela assessoria de imprensa: “O evento faz parte do projeto “Teatro de Graça na Praça”, criado em 2008 pela própria atriz e seu esposo, o produtor cultural Camilo Áttila. Em Biguaçu, A INICIATIVA RECEBEU APOIO DA PREFEITURA MUNICIPAL, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer (Secetul), e abriu a programação de eventos que precede o aniversário de 185 anos do município, em 17 de maio.”

“A iniciativa recebeu apoio da Prefeitura Municipal”. Essa frase está vaga. Que apoio a prefeitura de Biguaçu deu para Elizabeth Savala?

 

Prefeito Ramon e Elizabeth Savala ao final da peça A_M_A_D_A_S_ (Foto Martha Huff – DICOM PMB)

 

Público foi às gargalhadas com Elizabeth Savala (Foto Paulo Rodrigo Ferreira – DICOM PMB)

“CASA DE FERREIRO”

Diz o ditado popular: “em casa de ferreiro, espeto de pau”.  Na eventualidade de que a prefeitura de Biguaçu, e não o governo do Estado, realmente pagou R$ 36 mil para o espetáculo de Elizabeth Savala, isso não é um “escândalo”, nem “crime” nem “irregularidade administrativa”, bem entendido, mas é no mínimo problemático.

Se viesse na prefeitura o curso de artes cênicas da Udesc de Florianópolis solicitar apoio financeiro para a implantação de um curso de teatro amadora em Biguaçu, a prefeitura daria o apoio? Investiria R$ 36 mil num projeto desses que funcionaria um ano inteiro com duas ou vezes aulas semanais ao invés de uma única apresentação de Elizabeth Savala? Quantos biguaçuenses poderiam participar do projeto?

Biguaçu não tem teatro, cinema, uma programação cultural tipo “Música na(s) Praça(s)”, “Danças nas Ruas”, um festival de música popular etc.

Os R$ 36 mil não poderiam ser uma verba mínima para um edital de incentivo à publicação de livros de autores biguaçuenses, por exemplo?

Trocando em miúdos: dinheiro para cultura local não tem, mas para arrancar R$ 36 mil para custear expedição de atriz famosa, ah, isso tem e como tem.