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Nada contra a prefeitura de Biguaçu gastar R$ 104 mil para a famosíssima banda Titãs apresentar-se em 17 de maio próximo, no aniversário do município. É até uma honra Biguaçu receber os Titãs como também a atriz global, Elizabeth Savalla, que esteve aqui no município em abril último.

Mas gostaria de tecer alguns comentários que creio serem importantes para a discussão. Aqui vão.

 

FESTAS

O leitor lembra-se da antiga Bigfesta? Pois bem. Recordando: a Bigfesta surgiu em 1993 no governo do antigo prefeito Sadi Peixoto (1993-1996).

Em 1997, assumiu o prefeito Arlindo Corrêa e, alegando que herdou dívidas da gestão anterior, resolveu promover uma festa mais simples que recebeu o nome de “Praça Cidadã” (nome este criado por Felipe Asmuz). Como era em torno da praça Nereu Ramos, eis o nome “Praça Cidadã”. Foi nessa época que surgiu a gincana, que cresceu e se tornou a marca registrada das comemorações.

Nos anos que se seguiram, os aniversários de Biguaçu eram comemorados com os dois eventos simultâneos: a Bigfesta e a Praça Cidadã.

A Bigfesta era a festa com atrações regionais e nacionais da música. A Praça Cidadã era a festa comunitária, das barraquinhas e da gincana.

 

BIGFESTA

A Bigfesta era administrada por um empresário. Os investimentos no evento saíam do seu bolso, inclusive a contratação dos artistas.

A banda Titãs tocou na Bigfesta um pouco mais de 10 anos atrás. Foi um sucesso. O empresário administrador da Bigfesta foi quem custeou o show da famosa banda e não a prefeitura.

Mas por que estou falando disso?

 

A QUESTÃO

Como dito antes, a prefeitura vai gastar R$ 104 mil com o Titãs. Mas esse dinheiro não seria melhor empregado se ampliasse a escola de música? Se construísse uma concha acústica na Praça Nereu Ramos? Se pagasse professores para oficinas de arte no Centro Cultural Casarão Born?

Repito: não sou contra contratar o Titãs, mas o dinheiro público precisa ser empregado em projetos que podem prolongar-se por mais tempo e não numa só noite e acabou.

A atual gestão da prefeitura “enterrou” de vez a Bigfesta só porque era um evento criado pelo MDB e ressuscitado pelo ex-prefeito Tuta.

Ramon não teve nem a competência de pensar numa licitação para outorgar ao vencedor o direito de explorar e investir no evento.

Em resumo: se existisse a Bigfesta, quem pagaria os R$ 104 mil para contratar o Titãs não seria a prefeitura, mas sim o empresário administrador da Bigfesta. Assim a prefeitura canalizaria o dinheiro para cursos de artes e outros investimentos culturais locais.

 

RESUMO DA ÓPERA

Biguaçu não oferece curso ou oficina de teatro amador para a população, mas torrou R$ 36 mil para o “Teatro de Graça” da atriz Elisabeth Savalla.

Biguaçu não tem concha acústica ou projeto “Música na Praça”, mas paga banda famosa para tocar no aniversário, o que é interessante, não há dúvida disso, mas problemático numa cidade que investe pouco em cultura ao ponto que, quando saiu a notícia de que o Bar da Zilda não abre mais à noite, o povo reclamar que agora a cidade não tem nem mesmo essa atração, pois volta e meia aquele bar oferecia música ao vivo.

Biguaçu precisa repensar uma política de cultura, se é que se pode dizer que tem um.

Décio Baixo Alves
E-mail decio@jbfoco.com.br

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