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Conversa sobre arte e ciência

Nos conceitos e nas relações conheça

o pensamento que atravessa fronteiras

entre países e linguagens artísticas

Arte que convida a olhar por outros meios, através de uma lupa entomológica ou pelo microscópio, obras que deixam o espectador imersivo entre sonoridades e imagens projetadas no espaço. Em videoinstalações que apontam o contraste de paisagens distintas, como o equatorial Brasil e a gélida Finlândia, ou nas inter-relações entre arte e observação científica, o resultado é uma experiência provocadora que tenta desmitificar a construção cultural em torno da arte e da ciência. No próximo dia 22, às 19h, a artista Silvana Macêdo conduz uma visita mediada em torno da mostraIntraduzível, que fica aberta até 9 de setembro, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Florianópolis. Aberto, o evento é voltado a pessoas e grupos comunitários e acadêmicos interessados em artes visuais, cinema, música, na relação da arte com a ecologia e defesa do meio ambiente. Biólogos e ambientalistas, a exemplo de todos, também são bem-vindos.

Com carreira iniciada nos anos 1990, Silvana Macêdo adota diferentes linguagens e técnicas artísticas. Cria pinturas, gravuras, fotografias, instalações e conquistou o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2017 para realizar o projeto Intraduzível, que prevê, além da visita mediada, uma palestra e uma oficina idealizada como um festival de vídeo (veja o serviço).

A mostra Intraduzível, com curadoria de Juliana Crispe, apresenta trabalhos inéditos no Brasil pensados em colaboração com a artista finlandesa Henna Asikainen, o compositor Frederico Macêdo e o astrofísico iraniano Reza Tavakol. O projeto tem o apoio da Arts Council England e a produção executiva é da Lugar Específico, de Francine Goudel.

A exposição celebra os 20 anos de parceria artística entre Silvana e Henna. O resultado formal das pesquisas de Asikainen & Macêdo aponta de imediato à associação de ações artísticas colaborativas, ambientais e sociais, além de configurar uma mistura de biografias e paisagens de países muito distintos, a Finlândia e o Brasil.

Nessa constelação de motivos, a mostra tem caráter retrospectivo. Ela permite conhecer trabalhos realizados no Reino Unido, onde Silvana estudou na Northumbria University, Newcastle. Voltada aos multimeios, a artista investiga a complexa relação entre arte, ciência e natureza. Nascida em Goiânia em 1966, é moradora de Florianópolis desde 2004, onde atua como professora do Departamento de Artes Visuais da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Os trabalhos que compõem a mostra são uma série de fotografias e as videoinstalações lab (2017), ar (2001-3), lua (2005-7), a videoinstalação sonoracooperari (2007), instalação trabalho de campo (2017) e segredo (1998)Um dos elementos centrais dessas obras é a noção de tradução, compreendida mais como uma dinâmica ao invés de uma influência, pois tradução está na base mas não é o tema.

Os trabalhos

As videoinstalações –  labarlua cooperari – estão interligadas ao trabalho “tradutório” de cientistas e artistas. ar foi realizado a partir de duas residências artísticas na Finlândia, no Parque Nacional de Koli, e no Brasil, na Reserva Ducke, estação de pesquisa do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas),  em diálogo com investigações de pesquisadores de mudança climática nos hemisférios Norte e Sul. A experiência nas residências está refletida na instalação ar e trabalho de campo.

Já lua originou do encontro com o cosmólogo Reza Tavakol em 2004. As pesquisas de Tavakol cobrem um amplo espectro, da astrofísica à dinâmica não-linear, mas seu interesse nos aspectos estéticos da ciência é que encontraram ressonância na prática artística que explora a interface entre arte, ciência e natureza. lua reflete os modos como a humanidade se relaciona com a natureza, ora se volta para contemplação estética, romantiza sua relação com o mundo, ao mesmo tempo que atua constantemente como agente poluidor do ambiente.

Se as questões centrais de ar e lua refletem sobre o impacto humano nas florestas, no ar e na água, cooperari evidencia a dinâmica (dialética) entre a cultura e a natureza em outros níveis. Construído em colaboração com o compositor Frederico Macêdo, foca em insetos sociais e oferece um rico campo para se estudar como contextos culturais interferem na maneira como interpretamos o comportamento animal.

A presença dos invertebrados no trabalho segredo (1998) só pode ser percebida através de uma lente convexa, que revela o espaço miniaturizado de uma sala contendo diferentes espécimens: formigas, borboletas, coleópteros, vespas, abelhas, mariposas, etc. Quanto mais se aproxima o olhar, menos é possível de se ver com precisão os animais da inacessível coleção.

“Com outros artistas e cientistas, na prática artística insistimos em tentar traduzir o intraduzível mistério do mundo natural, sem nunca realmente consegui-lo. ‘A coisa mais bonita que podemos experienciar é o mistério.  É a fonte de toda arte e ciência’, disse Albert Einstein. Significativamente, nunca poderemos ‘conhecer um mistério desvendando-o ou analisando-o até matá-lo, mas apenas de maneira a preservar o mistério como mistério’.”

Outras ações

A exposição agrega ações que apostam na aprendizagem, na troca de experiências, no encontro e em discussões. Paralelo à mostra, ocorrerão atividades gratuitas para que jovens e adultos possam vivenciar a proposta artística de forma mais ampla. Além de visita mediada no dia 22 de agosto, às 19h, o projeto Intraduzível promove em 29 de agosto, em parceria com o PPGAV/Udesc, um evento-palestra com Ana Ferreira Maio, artista, doutora e professora do Departamento de Artes Visuais da Furg (Universidade Federal do Rio Grande).

A palestra Conversa Intraduzível abordará temas pesquisados por Ana Maio e o lugar da experiência com imagens em movimento no cinema, videoinstalações, videoprojeções e outras tendências na contemporaneidade.

Nos dias 31 de agosto e 1º de setembro ocorrerá, sob a supervisão de Silvana Macêdo, o Festival de Vídeo 24h Arte & Meio Ambiente, que consiste de um encontro de três horas com apresentação de conteúdo teórico sobre a interlocução entre arte, ciência e natureza, seguido de parte prática para orientação coletiva de projetos em vídeo sobre o tema arte e meio ambiente, a serem desenvolvidos individualmente ou de modo colaborativo. O segundo encontro, 24 horas depois, servirá para apresentação dos vídeos criados pelos participantes, com exibição dos mesmos no MIS na última semana da exposição. Essas atividades, todas gratuitas, são abertas, voltadas sobretudo a estudantes de cinema, artes visuais, design ou áreas afins. No caso da oficina, requer conhecimento básico de edição de vídeo.

Sobre Silvana Macêdo

Silvana Macêdo pesquisa o diálogo entre a arte contemporânea, ciência, natureza e tecnologia, o tema de seu doutorado (2003), na Northumbria University, Newcastle Upon Tyne, no Reino Unido. Aprofundou suas pesquisas sobre tecnologia de telepresença em seu trabalho de pós-doutorado sob orientação da professora e doutora Diana Domingues na Universidade de Caxias do Sul, em 2005. Desde então desenvolve projetos artísticos que envolvem o uso de tecnologias novas e antigas, high e low tech, sobre a temática do meio ambiente. Mais recentemente pesquisa sobre maternalismos contemporâneos, com foco em debates feministas, abordagem usada no pós-doutorado iniciada na Glasgow School of Art, Escócia (2014), em andamento no DAV (Departamento de Artes Visuais) da Udesc. Professora efetiva do DAV desde 2006, professora do PPGAV (Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais), Udesc, atua nas áreas de pintura, instalação multimídia e artes midiáticas, atua na área de multimeios.

 

Sobre Henna Asikainen

Artista finlandesa, moradora de Newcastle, Inglaterra. PhD in fine art practice, Northumbria University, Newcastle, UK, mestre em artes visuais (M.A.Fine Art), Northumbria University, Newcastle, UK, e bacharel em artes visuais pela Karelia University of Applied Sciences, Joensuu, Finlândia. Seus interesses e pesquisas são em torno da relação humana com o meio ambiente e natureza, associados ao desejo de contribuir com o entendimento das complexas questões sociais e ecológicas que emerge destas áreas de conhecimento e que servem de base para sua prática artística. Seu trabalho se desenvolveu por meio de colaborações com artistas e levaram a uma leitura mais politizada dos espaços de disputa do ambientalismo. Trabalha com diferentes meios, como vídeo, instalação, gravura, fotografia, trabalhos site-specific e ações participativas.  Entre os projetos recentes, destaca a residência na ISIS Arts, Newcastle, (2017); Blanket (2016) instalação com a participação de refugiados políticos no Reino Unido.

Sobre Reza Tavakol

Professor de matemática e astronomia e membro de grupos de poesia, na Queen Mary, University of London. Suas pesquisas cobrem um amplo espectro, da astrofísica à dinâmica não-linear, filosofia e arte. Desenvolve colaborações com artistas explorando os aspectos estéticos da ciência, publicou o livro de poemas Memories of Light, com M. Shultz, ensaios fotográficos intitulados: Times(s) of Photographs e Distant Gazes e artigos para Aesthetics of the Cosmic Space. Colaborador em videoinstalações An Other Forest’ (com Darke) e Convivencia at the Turnpike (com H Bresheeth), bem como no projeto Lua, com Silvana Macêdo e Henna Asikainen.

 

Sobre Frederico Macêdo

Graduado em música pela Universidade Federal de Goiás, tem mestrado em música pela mesma universidade, e PhD em música pela Lancaster University (Reino Unido). Trabalha na área de composição e é professor do Departamento de Música da Udesc desde 2003, onde coordena o Laboratório de Música e Tecnologia e ministra disciplinas nas áreas de música e tecnologia e metodologia científica.

 

Sobre Ana Maio

Professora dos cursos de artes visuais licenciatura e bacharelado da Furg (Universidade Federal do Rio Grande), onde leciona disciplinas de cinema e vídeo desde o ano de 1992. Pesquisadora e artista visual investiga as convergências entre o cinema – experimental e conceitual – e as artes visuais, abordando, principalmente, os temas arquivo e memória na arte contemporânea. Com pós-doutorado em poéticas visuais pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e em estudos artísticos contemporâneos na UC (Universidade de Coimbra), fez mestrado em história, teoria e crítica da artes pela UFRGS. Coordena o projeto de extensão e cultura Fresta – Mostra de Audiovisual, desde 2016, que se configura como um espaço de produção e reflexão sobre cinema e vídeo de artista e busca criar modos de exibição do audiovisual, em que o espaço de exposição se transforme em espaço de projeção.

Sobre Juliana Crispe

Artista Visual, pesquisadora, professora, arte educadora e curadora. Pós-doutoranda no PPGAV da Udesc. Doutora em educação, na linha de educação e comunicação do Centro de Educação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Mestre em artes visuais, licenciada em artes visuais e bacharel em artes plásticas pelo Centro de Artes da Udesc, atuou na instituição como professora substituta entre os anos de 2011 a 2015, nos cursos de bacharelado e licenciatura em artes visuais.  Atua nas áreas de gravura/processos gráficos, múltiplos/publicação de artista, curadoria/orientação de processo artístico, formação/capacitação docente, ensino não-formal/produção de materiais artísticos-pedagógicos. Desenvolve oficinas para artistas e professores.

 

Visitação Foto Endrigo Righetto

 

Visitação 2 Foto Endrigo Righetto (3)

 

Intraduzível MIS Foto Endrigo Righeto Div

 

Cooperari MIS Foto Endrigo Righeto Div

 

Equipe técnica

Artistas: Silvana Macêdo, Henna Asikainen, Frederico Macêdo e Reza Tavakol

Curadora: Juliana Crispe

Produção executiva: Francine Goudel – Lugar Específico

Ação educativa: Silvana Macêdo

Montagem: Flávio Brunetto

Fotografia: Endrigo Righeto

Designer digital: Alecxandro Nascimento

Assessoria de imprensa: Néri Pedroso

 

Serviço da visita mediada

O quê: Visita mediada com Silvana Macêdo

Quando: 22.8.2018, 19h

Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: 3664-2555

Quanto: Gratuito

Perfil do público: evento aberto, voltado a estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação em artes visuais, cinema, música, além de artistas e pesquisadores dessas áreas; grupos comunitários interessados na relação da arte com a ecologia e defesa do meio ambiente, biólogos e ambientalistas

 

Serviço da palestra

O quê: Palestra Conversa Intraduzível com Ana Ferreira Maio

Quando: 29.8.2018, 19h

Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: 3664-2555

Quanto: Gratuito

Perfil do público: aberto, estudantes de cinema, artes visuais, design ou áreas afins

Serviço da oficina

O quê: Festival de Vídeo 24h Arte & Meio Ambiente, com Silvana Macêdo

Quando: 31.8 a 1.9.2018

Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: 3664-2555

Quanto: Gratuito

Serviço da Mostra

O quê: Mostra Intraduzível

Quando: Até 9.9.2018, terça a domingo, 10h às 21h

Onde: Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: 3664-2555

Quanto: Gratuito

 

Realização: MIS (Museu da Imagem e do Som, PPGAV (Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais), Ceart (Centro de Artes), Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina)

Apoio: Arts Council England

Produção: Lugar Específico

 

Contatos:

Ass. imprensa: NProduções Néri Pedroso (jorn.) neripedroso@gmail.com Skype: neripedroso (48) 9-9911-9837 (Tim)/3248-4158 Facebook: Néri Pedroso

Tel.: Silvana Macêdo: (48) 9-9690-0395 (Tim) 3209-5321

Tel.: Juliana Crispe (48) 9-9952-3971

NProduções Néri Pedroso (jorn.) neripedroso@gmail.com Skype: neripedroso  Face: Néri Pedroso (48) 9911-9837/3248-4158

 

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