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Com a presença do empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, a filial desta loja em Biguaçu foi inaugurada na manhã de hoje (sábado, 20/10).

Como qualquer novidade em Biguaçu, veio uma multidão para conferir a mega loja que teria sido mais fantástica ainda se tivesse um cinema, mas a prefeitura de Biguaçu marcou bobeira.

A filial de Biguaçu é a 115ª loja Havan no Brasil. A rede já está presente em 16 estados brasileiros e emprega 15 mil funcionários.

A ideia do empresário Luciano Hang é inaugurar mais cinco lojas até o final deste ano de 2018.

Em anexo, assista aos breves vídeos gravados da inauguração.

 

BREVE CRÔNICA SOBRE O TERRENO ONDE HOJE FOI INAUGURADA A HAVAN

Aqui uma breve crônica de lembranças sobre o terreno onde foi construída a loja da Havan em Biguaçu, ao lado da Inplac Indústria de Plásticos, do empresário Fernando Marcondes de Mattos. Escrevo para que as memórias não se percam.

Numa rapidez meteórica, a filial da Havan de Biguaçu foi construída em questão de dois meses neste ano de 2018. Até pouco tempo, o local, na lateral da BR-101, era um terreno “baldio”, onde antes havia uma casa onde morava a falecida tia do sr. Abrahão Salum Netto, cujo nome escapa-nos. Parece que se chamada Helena Salum, se não estivermos enganados.

Essa senhora era viúva de um senhor que, na década de 1930, militava num partido político chamado Integralista, de ideologia fascista, fundado por um escritor chamado Plínio Salgado (1895-1975). Qual o nome dele? Estou tentando lembrar-me.

 

INTEGRALISTAS

O Partido Integralista, que surgiu em São Paulo em 7 de outubro de 1932, foi dissolvido em 10 de novembro de 1937 após tentativa frustrada de golpe de estado pelos membros desse partido contra o então presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

Na comarca de Biguaçu, o Partido Integralista teve a maioria de seus adeptos na região de Antônio Carlos, na época distrito pertencente ao município de Biguaçu.

Em Biguaçu, havia um núcleo de integralistas, sendo um dos líderes o esposo da dona Helena Salum.

 

ENTREVISTA FRUSTRADA

Em 1993 ou 1994, eu, Ozias Alves Jr, editor do JBFoco, era repórter do extinto jornal O Estado e resolvi escrever uma reportagem sobre os integralistas de Biguaçu. Dona Laura Reitz (in memoriam), irmã do falecido historiador Raulino Reitz (1919-1990), autor do livro “Alto Biguaçu”, onde apresentou uma detalhada história sobre os integralistas de Antônio Carlos, informou-me a respeito do senhor que na época ainda era vivo e morava numa casa ao lado da Inplac, onde hoje (sábado, 20/10/2018) foi inaugurada a filial da Havan em Biguaçu. Dona Laura contou-me que o senhor em questão era o último integralista da cidade.

Lá cheguei, isto é, numa casa ao lado da entrada da Inplac, às margens da BR-101. Era de noite escura e estava bem frio. Era no inverno, entre junho ou julho. Devia ser por volta das 20h. Eu tinha trabalhado no jornal O Estado e desci do ônibus na frente da Inplac.

Apesar de ter trabalhado o dia inteiro, resolvi estender o trabalho para entrevista o “último integralista de Biguaçu”. Este seria o título da reportagem especial que eu queria preparar para o caderno de domingo do jornal O Estado.

Lembro-me que o terreno era bem escuro e, logo que entrei na propriedade, bati palmas e avisei que era um jornalista que queria entrevistar o senhor… Müller (sim, o sobrenome era Müller, mas o primeiro nome não me lembro).

Fui atendido pela esposa (a senhora Helena Salum), que me convidou a entrar e sentei-me na sala aguardando a chegada do sr. Müller.

Ele apareceu, mas a entrevista não durou mais do que poucos minuto. Motivo: o sr. Müller havia sofrido um derrame cerebral, estava em recuperação e encontrava-se muito esquecido, o que era normal devido às circunstâncias de saúde.

Encerrei a entrevista que mal havia começado. Despedi-me dele. Ele me disse que dentro de algum tempo, já melhor, iria conceder-me a entrevista para contar a história do integralismo na cidade de Biguaçu.

Infelizmente a condição de saúde do senhor Müller só piorou e, tempos mais tarde, veio a falecer. Ele nunca havia dado entrevista, se não estiver enganado, sobre o movimento integralista em Biguaçu na década de 1930 e o capítulo publicado no livro “Alto Biguaçu” de Raulino Reitz enfocava os acontecimentos em Antônio Carlos.

Em suma, perdi a oportunidade de registrar, por escrito, numa reportagem inédita, de um período da história de Biguaçu de acordo com uma pessoa que vivenciou o acontecimento e nunca antes havia contato suas memórias a um jornalista como também, se não estiver enganado, nunca deixou escritos do próprio punho a respeito.

2ª ENTREVISTA FRUSTRADA

O ano agora era 2001 ou 2002. Eu fui àquela casa. Certa vez lembrei-me do falecido sr. Müller e pensei: será que a viúva dele sabe detalhes da história dos integralistas de Biguaçu? Será que consigo recuperar alguma informação mesmo depois da morte do principal personagem?

Era início de noite. Cheguei à casa de carro acompanhado da esposa. Saí do carro, bati na porta e fui-me logo identificando-me. Afinal de contas, tal como aconteceu em 1993 ou 1994, o local era muito escuro. A casa fica um pouco afastada do portão e não havia postes.

A senhora que cuidava de dona Helena perguntou meio assustada quem era e eu me identifiquei. Afinal de contas, como dito antes, o local era muito escuro.

Passados alguns instantes, a porta se abriu e fomos eu e minha esposa convidados a entrar.

Fui entrevistar dona Helena, mas, infelizmente, a entrevista não rendeu. Ela nada sabia a respeito do integralismo e relatou que seu falecido esposo nunca comentou a respeito.

Pensava escrever uma matéria num enfoque nas lembranças da viúva do líder dos integralistas de Biguaçu, mas também não deu certo.

A matéria sobre os integralistas acabou sepultada de vez.

Preciso rever os arquivos do jornal Biguaçu em Foco. Acho que escrevi uma reportagem sobre dona Helena, mas em outro enfoque. Ao longo de 25 anos de jornal Biguaçu em Foco, foram muitas reportagens e minha memória não anda 100%.

Se não estiver enganado, foi essa matéria que seu Abrahão leu e comentou comigo ser ela sua tia.

A CASA

Pelo que sei, o sr. Müller e dona Helena Salum, como dito antes, tia de Abrahão Salum Netto (para quem é de Biguaçu, dizer este nome já basta para saber quem é, mas, quem chegou agora à cidade, Abrahão é um antigo vereador da cidade na década de 1970), eram pais do falecido colunista social que atuou em Blumenau, Carlos Müller.

Após o falecimento de Helena Salum, uma senhora octagenária que, ao que me parece, filha de Salima Salum, matriarca desta família de imigrantes sírios que chegaram a Biguaçu no final do século XIX, a casa onde morava, situada ao lado da Inplac, virou um restaurante que funcionou pouco tempo no início da década de 2010.

Mais tarde a casa, vazia depois do falecimento de dona Helena, foi demolida e, após algum tempo, acabou virando a loja Havan de Biguaçu.

 

HISTÓRIAS SOBRE HISTÓRIAS

Por que escrevi esta breve crônica? Porque o tempo passa, as histórias são esquecidas, muitas delas não têm registro e, muitas vezes, o presente enterra o passado.

Literalmente em cima do terreno onde hoje (sábado, 20/10) foi inaugurada a Havan,

  • havia uma casa onde moravam a tia do seu Abrahão Salum Netto e o sr. Müller,
  • sendo que este último era descendente de alemães que, se não me engano, era filho do empresário João José Müller,
  • que perdeu a eleição de 1949 para um jovem recém saído do exército chamado Orlando Faria,
  • este último, prefeito de Biguaçu entre o final da década de 1940 e início dos anos 1950,
  • que faleceu em 22 de abril deste ano de 2018 aos 102 anos de idade.

O local onde ficava a casa do sr. Müller e da dona Helena Salum, filha da já citada Salima Salum, sendo que esta última é nome de rua em Biguaçu, se não me engano trata-se da rua transversal da BR-101 em frente à filial da Havan de Biguaçu, foi aterrado e virou o estacionamento da mega loja.

Portanto, não foi exagero dizer ou comparar: o presente (a) ou (en)terra o passado e a vida prossegue numa sucessão de histórias atrás de histórias. Cada aterro é uma história e a vida é uma sucessão de aterros.

Aquela casa situada no meio de árvore e envolta em escuridão devido à ausência de iluminação externa agora é o estacionamento da mega loja Havan de Biguaçu. Que coisa louca! Como a vida modifica-se a olhos vistos!

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