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Era uma aula na Aliança Francesa de Florianópolis. O diretor da instituição comentou a respeito do tempo em que morou num país africano chamado Djibouti. O leitor já ouviu falar desse país?

Não é invenção nem geografia fictícia tipo a famosa Ciméria de Conan o Bárbaro. Realmente existe um país real chamado Djibouti, no nordeste do continente africano, banhado pelo Mar Vermelho e fronteiriço com a Etiópia, país este mais conhecido pelos brasileiros devido ao noticiário de epidemias de fome e guerras.

O diretor da escola, de nacionalidade francesa, contou ter certa vez contratado um pintor djiboutiano para uns reparos na casa em que morava na capital daquele país cujo nome também era “Djibouti”.

E aconteceu algo que o francês ficou impressionado. É que o pintor não sabia como se armava uma escada articulada. O cidadão disponibilizou a dita escada em posição de “v” e, além de subir nela nesta posição (como conseguiu, eis a questão), colocou o galão de tinta em cima num precário equilíbrio. O acidente da tinta esparramada no tapete da sala seria questão de pouco tempo, para horror do contratante que teve a “infeliz ideia” de conferir o serviço.

Como é que poderia uma criatura pensar que uma escada articulada desafiando a gravidade ser a correta e segura?

Por que estamos falando disso? A prefeitura de Biguaçu iniciou recentemente um “mutirão” de limpeza da lagoa do Amilton, na Praia João Rosa.

Trata-se de uma lagoa que surgiu nos anos 1960 após escavações num terreno que pertencia ao sr. Amilton Adriano, cujo nome acabou batizando o lago que se formou no local.

A prefeitura de Biguaçu desapropriou o terreno e o transformou em 2011 num parque municipal, o que foi algo realmente importante, pois foi criado espaço público para o lazer da comunidade.

Mas há um problema sério. Na década de 1960, a lagoa em questão era ligada ao rio Caveiras próximo da foz desse mesmo com o mar. Naquela época o rio em questão era um curso d´água limpo, pois a população ao redor era escassa. Era através desse canal que os peixes entraram e assim explodia a fartura dos pescadores na dita lagoa.

Ao longo das décadas seguintes, houve explosão demográfica e o rio Caveiras tornou-se o “esgoto” da região.

A lagoa do Amilton continua até hoje ligada ao rio Caveiras através de um canal. O objetivo é que a água seja renovada pelo fluxo das marés. Mas o problema é que a água do rio Caveiras é esgoto concentrado mais preto que carvão.

Apesar do lindo parque que foi instalado ao redor, a lagoa do Amilton convive com intensa proliferação de algas nocivas, sem falar do assoreamento do canal que liga a tal lagoa ao rio Caveiras.

Mas esse talvez nem seja o maior problema. O pior dos males desse parque inaugurado há apenas três anos é o forte cheiro de esgoto, segundo reclamam moradores.

Uma solução seria fechar o canal que liga a lagoa ao rio Caveiras. O problema é que a água apodrece por falta de circulação. Mas o contrário também é problemático visto a podridão que é o rio Caveiras.

Perguntar não ofende: tal como aquele pintor de Djibouti da escada articulada ao contrário, como é que a prefeitura de Biguaçu não pensou numa alternativa para, se não tivesse condições de limpar o rio Caveiras (como é que poderia pensar que renovar água com esgoto através da maré seria solução para a “saúde” da Lagoa?), pelo menos ter trocado o canal de renovação da água ou colocado outra solução para que o parque não continuasse a feder de esgoto?

 

Ozias Alves Jr

Editor

Prefeitura realiza limpeza e manutenção da Lagoa do Amilton (Foto Paulo Rodrigo Ferreira – DICOM PMB)

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