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“Biguaçu” vem de “bi.i.guatchu” e significa “Lagarto Grande”, segundo os índios guarani mbyá conforme relato de Caio de Cápua, professor e pesquisador da religião desses indígenas que residem em São Miguel, Biguaçu.

Como assim “lagarto grande”? Caio conta que essa tradução foi-lhe dada por Celita Antunes, líder dos índios de São Miguel.

Segundo a história oral da tribo, seus inimigos, os kaingang e os xokleng, índios do interior de Santa Catarina, costumavam fazer incursões no litoral catarinense duas vezes por ano numa trilha que eles tinham na mata.

O objetivo era atacar os homens brancos e capturá-los para serem mortos em rituais canibais.

De acordo com Celita, os homens brancos eram conhecidos como “bi.i.guatchu”,  que significa “Lagarto grande”.

Lagartos eram muito apreciados como caça e os espécimes “guatchu” (grandes) ainda mais. Por analogia, os prisioneiros eram conhecidos como “bi.i-guatchu”.

Mas o relato tem um problema. Os índios tupiniquins e tupinambá, de São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente, eram canibais e, quando capturavam homens brancos, sejam eles portugueses ou franceses, realmente os prisioneiros eram abatidos e comidos.

O que não se sabe se os índios xokleng e kaingang, pertencente a uma outra etnia, língua e cultura completamente diversas das dos índios tupis e seus “primos” guaranis, praticavam também o canibalismo ritual. Talvez praticavam, mas é preciso pesquisar. O início dessa pesquisar é perguntar aos próprios xokleng e kaingang se há relatos de seus anciãos de que no passado remoto seus ancestrais praticavam o canibalismo.

O fato é que, segundo Caio escutou em 2018, os índios guarani mbyá têm uma lenda, relato ou testemunho de que a palavra Biguaçu tem uma origem completamente diferente da versão tradicional do “biguá grande”.

 

HISTÓRIA ORAL

De acordo com Caio, os índios lhe relataram que onde hoje fica a aldeia guarani mbyá de São Miguel, Biguaçu, mais exatamente atrás da escola local, foram encontradas peças de metal. Eram peças usadas para prender escravos.

Segundo os índios, na região havia um quilombo onde os africanos fugidos refugiavam-se.

Os guarani mbyá chegaram ao local em 1987. Foram guiados pelo pajé Alcindo Wherá, que havia sido orientado pelo deus Nhande Ru Etê (Nosso Pai Verdadeiro) num sonho, ocasião na qual indicou a terra para onde deveriam dirigir-se. E assim surgiu a aldeia de São Miguel, Biguaçu.

Mas havia um detalhe muito curioso, segundo o que os índios contaram a Caio. De noite, os índios escutavam vozes, gritos, conversas, toda sorte de barulhos na mata local. O problema era que nada havia. De onde vinham essas vozes e gritos?

Em 2004, a aldeia de Biguaçu recebeu a visita de monges tibetanos. Eles vieram para “fechar o portal”.

As vozes que os índios escutavam até então eram oriundas das almas sofridas dos antigos escravos que ali viveram no passado remoto. O fato é que, após a visita dos monges, o “portal fechou” e nunca mais os índios voltaram a escutar as vozes da mata local.

Não fica muito longe da aldeia a ilha de Anhatomirim. O nome é geralmente traduzido como “cachorro” não sei o quê. Para os índios, segundo Caio, o nome nada tem a ver com “cachorro”, mas sim com “anhan”, como chamam o demônio.

“Anhatomirim” seria traduzido como “ilha dos pequenos diabos” em alusão a várias execuções no passado e que, devido à má fama da ilha, culminou no fuzilamento de revoltosos da Revolução Federalista de 1894.

 

Alcindo e sua esposa Rosa Poty Djá Moreira. (Foto Acervo Caio de Cápua)

 

 

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