O caso é real e aconteceu na década de 1980. Foi na seleção de uma multinacional em São Paulo. Selecionava-se equipe de estagiários e o auditório estava lotado, pois o salário era realmente tentador.

Após um breve discurso de apresentação da empresa, um dos selecionadores perguntou: “quem lê jornais todos os dias?”

Em seguida, ele acrescentou: “quem levantou o braço dizendo que sim, vai para este lado. Quem não levantou, vai para o outro lado.”

A esmagadora maioria dos candidatos não levantou o braço. Por isso, acabou indo para o lado oposto do pequeno grupo dos que se declararam “leitores de jornais”.

Organizados os dois grupos, o selecionador deu a sentença: “Vocês que não leem jornais estão todos eliminados desta seleção. Podem ir embora. Saiam já.”

E assim terminou o concurso para a maioria dos candidatos. Para a multinacional que quer crescer, é inadmissível ter funcionários que sequer têm o hábito de informar-se e ler jornais é no mínimo fundamental para esse processo.

Essa história fez-me lembrar do livro de memórias da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) do jornalista italiano, Curzio Malaparte (1898-1957), que relatou a seguinte cena, a de um oficial do exército alemão que invadiu a Rússia em 1941 puxando uma folha com um texto em russo. Mandou que os prisioneiros russos lessem a mensagem. Aqueles que leram bem foram para um canto; já os não conseguiam ler direito, foram mandados para o lado oposto.

Entre aqueles que estavam no grupo dos que leram bem, i.e, os mais alfabetizados ou letrados, uns não aguentaram para tirar um sarro dos que estavam no grupo dos não letrados.

Depois que o último acabou de ler a folha, o oficial deu a terrível ordem aos soldados. O grupo dos letrados foi fuzilado ali mesmo, sem direito nem a perguntar a razão de tamanha barbaridade.

Por que tal selvageria? Porque era ordem expressa de Hitler. Tal como fez na Polônia em 1939, a Alemanha pretendia anexar a Rússia e, como iria anexar aquele país caso vencesse a guerra, a ordem era eliminar toda a elite e os mais letrados entre os russos. O objetivo era transformar o povo russo em escravos e, para não atrapalhar o macabro plano, nada de deixar viva gente mais letrada e crítica para não haver rebeliões no futuro.

Dependendo da ocasião, ser letrado ou iletrado pode ser a diferença entre a vitória e o fracasso ou a vida e a morte nos vários sentidos das palavras conforme as circunstâncias.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Kaputt. (Foto Google Images)

 

https://chat.whatsapp.com/CwLeRbK861A1Ks6fButk29

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio carlos, Governador Celso Ramos e região