Publicidade

EM 1988, assisti a um show da famosa banda Sepultura em Porto Alegre (RS). Antes da apresentação, conversei com Igor Cavalera, o guitarrista da banda. Ele me contou que a banda ensaiava de quatro a cinco horas por dia, de segunda a domingo, religiosamente todo santo dia. Isso vinha ocorrendo por vários anos seguidos. Isso chamou minha atenção.

Antes da apresentação do Sepultura, houve a apresentação de duas outras bandas. A primeira gastou um tempão afinando os instrumentos antes de começar a apresentação. A segunda atrapalhou-se com o equipamento.

Quando chegou a vez do Sepultura, a banda subiu ao palco, colocou os plugs nas guitarras e começou a tocar imediatamente. A música era igual a dos discos. Geralmente a música em shows ao vivo soa diferente a dos discos, mas isso não ocorreu com o Sepultura. Arrasou. Lá estava a prova viva de que quatro a cinco horas de ensaios diários fazem A DIFERENÇA!

Nunca vi tanta banda de rock na Grande Florianópolis. A juventude de Biguaçu também continua vivendo essa febre.

Na década de 1980, antes do governo do Presidente Fernando Collor de Melo (1990-1992), guitarra importada era coisa de luxo. Só se conseguia no contrabando e era muito cara.

Hoje qualquer bandinha tem guitarras e outros equipamentos de som importados, comprados em qualquer lojinha e, ainda por cima, podendo pagar a prestação e a preços razoáveis.

Apesar dessa facilidade, inacessível aos teenagers dos anos 1980, viver de música hoje não é fácil, se bem que nunca foi em qualquer tempo.

Multiplicaram-se como gafanhotos as bandas buscando seu lugar ao sol e a “ilha” do sucesso é muito pequena para abrigar a todas.

Apesar das dificuldades, isso não quer dizer que não se pode sonhar em tentar ser estrela do rock. A questão é: Como destacar-se entre milhares de bandas?

A resposta já foi dada pelo Sepultura: ensaiar todo santo dia, de segunda a domingo, no mínimo quatro horas.

A esmagadora maioria das bandas ensaia de uma a duas vezes por semana. Assim dificilmente chegará a lugar algum. É redundância dizer que, quem ensaia muito, desenvolve cada vez mais a sensibilidade musical ao ponto de ser capaz de, escutando um assobio, reproduzi-lo na guitarra.

Em segundo lugar, selecionar os músicos. Não se pode deixar qualquer um entrar na banda, fazer o que bem entende e, no final, acabar em briga. É preciso encontrar os “caras certos”, i.e., aqueles que querem pegar firme. No meio musical, há muito “mala”. É preciso separar-se dessa turma.

Em terceiro lugar, ter liderança, i.e., ser o “dono da banda”. Nada de democracia. Se no exército qualquer soldado tivesse o direito de dar sua opinião e não existisse general, capitão e cabo, viraria o pandemônio. A banda é sua e os integrantes têm de submeter-se às regras. Quem não se submeter, caia fora imediatamente. Não é tirania. É querer vencer. Se até em barco de remo há um só para dar ordens, por que na música deveria ser diferente?

Em quarto lugar: ter um foco musical bem definido e saber seu público alvo.

Em quinto lugar, o mais importante: cuidado redobrado com o uso de álcool e drogas. Os músicos em geral, de personalidade poética, são mais suscetíveis ao uso de entorpecentes. Nada contra uma cervejinha bebida socialmente, mas vale lembrar que álcool e drogas já destruíram muitas carreiras. Se algum dos músicos estiver abusando, dê cartão vermelho. Todo o cuidado é pouco porque pode botar tudo a perder.

Em sexto lugar: o sucesso não vem automaticamente. Talvez nem venha. É preciso trabalhar arduamente, com persistência e disciplina.

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Banda Sepultura. (Foto Google Images)

https://chat.whatsapp.com/CwLeRbK861A1Ks6fButk29

Clique no link acima e receba gratuitamente notícias do JBFOCO regional. Nesse grupo não existe interação. Somente recebimento de matérias jornalísticas de Biguaçu, Antônio carlos, Governador Celso Ramos e região.

 

 

Publicidade