Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Nesta sexta-feira, 17 de maio, Biguaçu está de “aniversário”: comemora 186 anos de emancipação política.

Que significa isso? Trata-se da data em que Biguaçu, outrora pertencente a Florianópolis, tornou-se município independente, isto é, passou a ter prefeito e vereadores e a municipalidade passou a ter o direito de cobrar e arrecadar impostos.

A data era 17 de maio de 1833. Na época, Biguaçu não se chamava por esse nome. Era São Miguel. O município só passou a chamar-se “Biguaçu” depois de 1910.

Florianópolis não era Florianópolis, mas sim era “Nossa Senhora do Desterro” ou simplesmente “Desterro”. Só depois de 1894 é que passou a chamar-se Florianópolis, em homenagem ao presidente ditador, Floriano Peixoto (1839-1895).

Em 1833, não se usava o termo “município”, mas sim “vila”. Na época, os vereadores eram chamados de “intendentes” e o presidente da câmara era o “Superintendente”, que era numa só pessoa tanto o prefeito da cidade como também o chefe do legislativo.

E foi por pouco que a data da solenidade da emancipação de Biguaçu (São Miguel) não foi em 16 de maio de 1833. Por quê?

Segundo relatou Iaponan Soares (1936-2012) em seu livro “História do Município de Biguaçu” (1988), o local onde ocorreria a solenidade estava arrumado e todos os preparativos estavam feitos, mas naquele 16 de maio desabou uma forte chuva, o que impossibilitou a comitiva da câmara (intendência) de Florianópolis (Desterro) de locomover-se até o local. Se fosse de barco, havia a tempestade. Se fosse a carroça ou a cavalo, as estradas encontravam-se num lamaçal completo.

Enfim, a solenidade acabou transferida para 17 de maio de 1833, o que acabou ocorrendo.

PIB

E chegamos a 17 de maio de 2019, 186 anos depois. Biguaçu foi o sexto município criado em Santa Catarina, província esta desmembrada em 1738 de São Paulo.

A criação do município de Biguaçu foi assinada em 1º de março de 1833 e a solenidade de emancipação, que consistiu tanto no ato em si como na realização da primeira sessão da intendência (câmara) do novo município (vila), ocorreu dois meses depois, em 17 de maio de 1833, conforme já visto.

Como qualquer criação humana, Biguaçu tem sucessos e derrotas, qualidades e defeitos, conquistas e atrasos etc.

Hoje com mais de 70 mil habitantes, tornou-se a quarta cidade mais populosa da Grande Florianópolis. Possui atualmente uma economia diversificada.

No entanto, existe um fato que é preciso ser comentado: apesar de ser, conforme já dito, o sexto município da história de Santa Catarina, sua posição no ranking dos 295 municípios catarinenses em acordo com o seu PIB (Produto Interno Bruto), que a soma de toda sua movimentação econômica, Biguaçu fica na 30ª posição.

DESAFIO

As três cidades mais ricas de Santa Catarina de acordo com o PIB são: 1) Joinville, 2) FLORIANÓPOLIS e 3) Itajaí.

Que significa isso? Ora, Biguaçu fica ao lado de Florianópolis, a segunda cidade com maior movimentação econômica do estado.

Joinville está no topo porque conseguiu desenvolver um parque industrial significativo e Itajaí está em terceiro pelo único fato de que tem um porto.

O fato de Biguaçu estar situado ao lado da segunda cidade com maior movimentação econômica do estado de Santa Catarina, mas, mesmo assim, é o 30º PIB, na realidade, desnuda uma grande incompetência. Explicamos.

Se Biguaçu está ao lado de Florianópolis, o município tinha de ter uma administração mais dinâmica para atrair oportunidades.

Explicamos. Sabe-se que Florianópolis atrai UM MILHÃO DE TURISTAS a cada temporada.

Perguntar não ofende: que plano a prefeitura de Biguaçu vem colocando em prática para atrair digamos 5% desse contingente de UM MILHÃO DE TURISTAS que vão a Florianópolis?

Preste atenção, caro leitor. Conforme dito antes, Biguaçu está no 30º no PIB estadual e fica ao lado da capital, que é o 2º desse mesmo ranking.

O leitor não concorda que, se a prefeitura de Biguaçu tivesse um plano em ação para atrair 5% de UM MILHÃO DE TURISTAS que visitam Florianópolis para dar um “rolê” em Biguaçu, a cidade não poderia gerar mais movimentação econômica e, consequentemente, ao invés de estar na 30ª posição, melhoria para 27º ou 25º lugar.

Aqui foi dado um exemplo de como fazer uma ação que poderia gerar mais renda para o município e isso teria reflexo no PIB.

REFLEXÃO

Uma coisa é ser o 30º no PIB no meio de uma região de municípios pobres. Outra coisa é Biguaçu estar ao lado de Florianópolis, o 2º maior PIB, e ao norte de São José, que o 5º desse ranking e próximo de Palhoça, o 10º da mesma lista.

Biguaçu consegue a “proeza” de ficar na 30ª posição, ou seja, não teve competência de atrair empresas e potencialidades que Florianópolis, São José e Palhoça conseguiram.

Vamos analisando. Por exemplo, Florianópolis tem uma “Tecnópolis”, que nada mais é do que uma área de morro ao lado de um centro de zoonoses e do cemitério do Itacorubi, mas que reúne empresas de tecnologia, geralmente aquelas que produzem programas de computador, os chamados “softwares”.

A Tecnópolis, a “Cidade da Tecnologia”, sem emitir fumaça, ocupando um terreno relativamente pequeno, movimenta milhões.

A pergunta é: como é que a prefeitura de Biguaçu nunca batalhou para conseguir uma “Tecnópolis” no município?

Sim, Biguaçu tem morro, tem áreas não ocupadas, no meio do verde, onde poderia instalar casas de empresas de tecnologia. Talvez até mesmo na Tecnópolis de Florianópolis, haja empresas que pediram para serem instaladas, mas não conseguiram por falta de vaga.

A pergunta é: não poderiam instalar-se em Biguaçu, considerado um “bairro” de Florianópolis devido a estar tão próximo da capital?

PERDENDO A OPORTUNIDADE

Como os números não mentem, o fato de Biguaçu estar na 30ª colocação do PIB, isso numa região com três das 10 cidades de maior PIB do estado, mostra que o município que hoje está comemorando seu 186º aniversário de Emancipação Política vem dormindo no ponto e não tem um planejamento com o objetivo de tentar melhor a posição do PIB, isto é, se hoje está em 30ª colocação, tinha de estar trabalhando arduamente para ajudar o município a melhor de posição ao longo dos próximos 10 e 20 anos.

ESCLARECIMENTOS

O leitor vai perceber que nesta sexta (17/05) vão sair jornais com todo tipo de elogios a Biguaçu. Vão chamar de “Terra do Progresso”, “Sucesso”, “Expoente do Desenvolvimento Econômico” etc e tal. Tudo discurso fácil e elogio gratuito.

O JBFoco contribui hoje com uma reflexão que ninguém fez ou está fazendo: Biguaçu precisa ter um projeto, planejamento, plano de ação, uma diretriz com um objetivo muito simples: crescer, melhorar sua posição no PIB e “surfar” no desenvolvimento de São José, Palhoça e Florianópolis.

Esperamos ter contribuído para o debate e para o esclarecimento.

1935. Vista Biguaçu e da ponte velha. (Foto Arquivo JBFoco)
Aqueduto de São Miguel. (Foto Henrique Azevedo)
Cachoeira de São Miguel (Foto Henrique Azevedo)
Chafariz de Biguaçu Fotos Henrique Azevedo)
Desafio do desenvolvimento econômico. (Foto Arquivo JBFoco)
Desenho de 2007 de um estudo de como seria Biguaçu no futuro. (Foto Arquivo JBFoco)
Expansão urbana. Biguaçu. (Foto JBFoco)
Figueira plantada na década de 1940 na Praça de Biguaçu. (Foto Henrique Azevedo)
Hoje Biguaçu tem 70 mil habitantes. (Foto Arquivo JBFoco)
Igreja de São Miguel. Biguaçu Fotos Henrique Azevedo)
Município de Biguaçu. (Foto Divulgação)
Pôr do Sol na foz do rio Biguaçu. (Foto Henrique Azevedo)
Praça Nereu Ramos. (Foto Henrique Azevedo)
Rio Cachoeira, no interior de Biguaçu. (Foto Henrique Azevedo)
Riqueza da fauna de Biguaçu Fotos Henrique Azevedo)
Rua João Born, Biguaçu, no início do século XX. (Foto Arquivo JBFoco)
Vista do município de Biguaçu. (Foto Arquivo JBFoco)
Vista do município de Biguaçu. (Foto Arquivo JBFoco)
Vista do município de Biguaçu. (Foto Arquivo JBFoco)
Vista noturna de Biguaçu. (Foto Henrique Azevedo)

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