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Não me lembro qual foi o evento universitário, mas era o de um pesquisador ou professor universitário argentino ou chileno falando sobre as “ditaduras militares das décadas de 1970 e 1980” na América Latina.

Boa parte de sua palestra foi dedicada à análise da ditadura do general Augusto Pinochet (1915-2006), o ex-presidente do Chile entre 1973 a 1990 que subiu ao poder derrubando o então presidente daquele país, Salvador Allende (1908-1973).

Pena que não me lembro do nome do palestrante, mas vim a conversar com ele depois do evento e na nossa breve conversa, voltou a enfatizar os números da tirania de Pinochet.

Entre presos, torturados, desaparecidos e mortos, acredita-se que o número de vítimas da ditadura de Pinochet tenha sido 40 mil pessoas, sendo 3.065 mortes confirmadas conforme um relatório de 2011.

Entre as ditaduras militares que pulularam a conturbada história da América Latina, Pinochet figura entre as mais terríveis.

Gostaria de chamar a atenção é para o seguinte detalhe que vem passando despercebido pelo grande público. Sempre que podem, as televisões falam da “ditadura militar de 1964” do Brasil ou dos países vizinhos. Nas universidades, é comum falar, atacar, criticar, lembrar, relembrar, repetir, fazer a caveirinha, falar à exaustão sobre as ditaduras militares “de direita” da Argentina (1976-1983) e do Chile (1973-1990), sem esquecer a do Brasil (1964-1985). Os números oficiais de assassinatos políticos dessas ditaduras são as seguintes: Argentina (entre 9 a 30 mil mortos), Chile (mais ou menos 4 mil mortos) e Brasil (entre 357 a 957 mortos, ou seja, um número inferior a mil).

Ninguém aqui está defendendo ditadura, tortura, mortes, nem justificando regimes totalitários e, muito menos, querer amenizar esse drama. Uma única morte de inocente já justifica a condenação de qualquer ditadura. Entre os milhares de mortos, certamente houve considerável número de inocentes injustiçados.

Mas como é que a Esquerda, infiltrada aos borbotões nas universidades e na grande imprensa, fala tanto dos 35 mil mortos das piores ditaduras militares da América Latina, mas silencia-se completamente dos 94 milhões de mortos das ditaduras comunistas do mundo?

Segundo o “Livro Negro do Comunismo”, cuja edição brasileira saiu em 1999 e editado por Stéphane Courtois, liderando uma equipe internacional de pesquisadores, os números “por baixo” dos mortos por perseguição política nos regimes comunistas são os seguintes:

 

20 milhões de assassinados pelo regime comunista na União Soviética (leia-se Stalin)

65 milhões na República Popular da China (governo Mao Tse-Tung)

1 milhão no Vietname

2 milhões na Coreia do Norte

2 milhões no Camboja

1 milhão nos Estados Comunistas do Leste Europeu

150 mil na América Latina

1,7 milhões na África

1,5 milhões no Afeganistão

10 000 mortes “resultantes das ações do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder” (página 4)”.

 

Trinta e cinco mil mortos por ditaduras direitistas na América Latina são “café pequeno” se comparados aos 94 milhões de mortos pelas ditaduras comunistas.

Repetindo: ninguém aqui está justificando as mortes das ditaduras militares da América Latina, mas salta aos olhos o fato de que “94 milhões” de mortos nos regimes comunistas simplesmente é ignorado ou não recebam o proporcional destaque tanto nas nossas universidades como também na grande mídia.

Entre abril a setembro de 2017, um ano antes da última eleição presidencial, a rede Globo passou a minissérie (ou melhor, uma novela de 88 capítulos) intitulada “Os Dias eram assim”, em que mostrava como era o regime militar entre 1964 a 1985 no Brasil.

O objetivo era nítido: atacar Jair Bolsonaro, ex-capitão do Exército brasileiro, que já despontava na liderança da corrida presidencial, o que acabou sendo confirmada nas urnas.

Nada contra bater nos “milicos”, mas a Globo nunca produziu uma minissérie contando a história de um chinês, por exemplo, que conseguiu fugir para o Brasil escapando de figurar entre os 65 MILHÕES de mortos da ditadura de Mao Tse-Tung (1893-1976). Uma história dessa não dá um filme, novela ou minissérie?

Se a ditadura militar brasileira, que matou menos de mil pessoas (até as fontes esquerdistas concordam com esse número), mereceu ser “relembrada” com todo o destaque e, às vezes, não poupando a sordidez da época na minissérie “Os Dias eram assim”, as ditaduras comunistas do mundo responsáveis por 94 MILHÕES DE MORTOS (não estamos falando de milhões de presos ou torturados, mas sim de MILHÕES DE MORTOS) não “inspiram” filmes, novelas, minisséries e…debates nas nossas universidades???

Repetindo pela terceira vez: ninguém aqui está defendendo a ideia de matar e, muito menos, a de que “matou-se pouco” nas ditaduras militares da América Latina e que fuzilar ou enforcar comunistas justifica-se, mas não podemos deixar de chamar a atenção para a verdadeira “distorção”: os 35 mil mortos da Direita são mais “odiosos” e merecem todo o destaque na academia, na imprensa e na memória coletiva do que os 94 milhões de mortos pelos comunistas.

Que distorção é esta que faz jus ao ditado “Pimenta nos olhos dos olhos é refresco”???

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

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