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Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Era 1988 ou 1989. Não se sabe com exatidão. Infelizmente quem guardou os recortes de jornal esqueceu de anotar a data. A banda punk Cholera foi apresentar-se na extinta boate Metrô, situada no bairro Estreito, Florianópolis.

A capital catarinense nunca tinha visto um show em que o público “pongueasse”. “Pongo” é uma dança punk que os headbangers adotaram sob o nome de “mosh”. Trata-se de uma dança em que os roqueiros parecem que estão chutando uns aos outros e quem consegue subir no palco, acaba saltando por cima da multidão.

Os promotores do show pensaram que o público estava brigando, ou seja, era uma incontrolável briga generalizada do público e acabaram chamando a polícia.

No final do show, camburões da polícia fecharam a saída da boate. Alguns dos jovens que estiveram naquele show como Poeta Maldito, Cláudio e Panta acabaram presos. Motivo: estavam usando coturnos do exército.

Quem presenciou a cena viu uma multidão de jovens no paredão e depois colocados em fila em camburões para serem “despejados” no DP (Distrito Policial) mais próximo. Os jovens tiveram o mesmo tratamento que se dá para bandidos comuns.

Na época, era moda entre os headbangers (os apreciadores de Heavy Metal turbinado) usar coturnos, como são chamadas aquelas botas do exército. Havia um comércio de coturnos e de gandolas, coletes militares. Não era difícil comprar coturnos no “mercado negro”.

Outro jovem que tinha ido ao show em questão, Alexandre Camisão, teve a sorte de não ser preso e levado de camburão para a delegacia porque encontrava-se de tênis. Sorte dele.

Já o amigo John o Louco havia saído da boate uns 10 minutos antes do término do show para tomar umas biritas no bar da esquina. Encontrava-se de coturno. Quando viu a polícia prendendo quem estivesse usando coturno, saiu de fininho da região.

Os coturnos apreendidos não foram devolvidos, apesar de que o delegado, como não tinha outro argumento que não o deles estarem usando um item militar adquirido por meios lícitos (afinal de contas, aquelas botas foram compradas e não roubadas), resolveu soltar todo mundo com exceção de um encontrado com um punhado de maconha, conforme o registro jornalístico do ocorrido naquela época.

Matéria do jornal O Estado registrando o fato dos jovens presos e conduzidos à delegacia por usarem coturnos. (Foto Divulgação)
Nota em que o redator lamentou o absurdo. (Foto Divulgação)
Matéria do jornal Diário Catarinense sobre o episódio. (Foto Divulgação)
Diário Catarinense publicou reportagem sobre o show da banda Cólera. (Foto Reprodução)

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