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Recebi a notícia do falecimento, ocorrido na segunda-feira da semana passada (17/06), do professor Marco Antônio Castelli, que fez carreira no departamento de Língua e Literatura Vernáculas do curso de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele atuou tanto na graduação como também na pós. Nesta última, seu foco de estudo foi o teatro.

Eu o conheci pessoalmente. Fomos colegas de sala de aula num curso ocorrido muitos anos atrás.

Nesta breve crônica póstuma sobre o professor Castelli, gostaria de relatar um fato ocasional que merece o devido registro.

Os nomes do curso, da instituição, do aluno e do professor não precisam ser esmiuçados. Deixa pra lá. Não importa. O que importa é que havia um aluno muito jovem no nosso curso, às vezes tagarela em suas explanações, às vezes sem noção, mas notoriamente inteligente, apesar de certas dificuldades e atrapalhações.

O santo do professor não batia com a do citado aluno que eu e o professor Castelli conhecemos e com o qual convivemos.

E certa vez o professor Castelli contou-me a respeito de uma conversa com o professor e, no meio da qual, falaram a respeito do grande exame do final do ano que encerraria o dito curso.

Lá pelas tantas, o professor disse que, avaliando os exercícios escritos que recebeu, o nível da turma era excelente e que todos certamente iriam passar naquele exame final, com exceção, segundo o mesmo, daquele aluno cujo santo não lhe batia.

Esse rapazinho não tem capacidade nenhuma. Vai rodar. É limitado. Não sabe nada direito. Etc, etc, etc.

Castelli contestou:

Professor, será que o senhor não está equivocado? Fulano parece uma coisa, mas não é. Ele tem suas dificuldades, mas esse rapaz é mais inteligente do que aparenta ser. Etc, etc, etc.

Estou tentando lembrar-me das palavras exatas, mas o tempo é imperioso, pois realmente foi um bom tempo atrás. Mas essa passagem na qual Castelli observou que é preciso prestar muita atenção “pois as aparências enganam”, realmente me chamou a atenção e ficou marcado nas minhas lembranças.

Apesar da diversidade de opiniões, essa mencionada conversa não virou uma acalorada discussão. Pelo contrário. Foi a conversa amistosa entre dois professores, um dos quais, Castelli, ali naquela ocasião, como aluno.

E Castelli, com o qual eu tinha grande amizade, contou-me o ocorrido e, por causa dessa conversa, passei a ficar mais atento com relação ao “rapazinho”.

Dito e feito. O final do ano chegou, o tal exame final veio e qual a surpresa? O “rapazinho” passou no dito exame, apesar da “Bolsa de Apostas”, se esta existisse ali, não dar um tostão por ele.

Confesso que fiquei admirado, mas o que me admirou mesmo foi a capacidade de análise do professor Castelli, a de literalmente separar o joio do trigo, a de ver o talento onde muitos só enxergam “fracassados”, “limitados” etc, a de olhar o outro com benevolência e não sob o prisma dos preconceitos.

E o tempo confirmou o olhar do professor Castelli. Aquele “rapazinho” que parecia um “fracassado” surpreendeu por ser alguém acima da média e com notório talento. Nas vezes que eu o vi ou soube de seu paradeiro nos jornais a respeito de suas obras, logo me vem a lembrança das palavras do professor Castelli.

Benevolência. Olhar o outro evitando a primeira impressão. Entender o outro. Saber discernir onde está o talento do outro e ter em mente que “as aparências enganam”.

Estes são os ensinamentos que extraí.

Professor Castelli. Que sua alma descanse em paz! Amém!

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

As Aparências enganam. (Foto Google Images)

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