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Antes de começar a matéria, o leitor tem uma ideia mais do menos do que são R$ 180 milhões?

Você sabia que 1% de R$ 180 milhões dá R$ 1,8 milhão. Ou seja, é tanto dinheiro, mas tanto dinheiro que até mesmo o menor percentual desse volume (1%- repetindo mísero 1%) continua sendo um quantia milionária, pois 1% desse dinheiro equivale, conforme dito antes, R$ 1,8 milhão.

Outro exemplo. O leitor se lembra do caso do ex-ministro, o baiano Geddel Vieira Lima, que tinha R$ 51 milhões em 12 malas e caixas dentro de um apartamento vazio em Salvador (BA)?

Na época, a Polícia Federal, que descobriu o dito apartamento, não sabia o valor exato do dinheiro. Então mandou contar. Colocou uma equipe de policiais para contar e, como era muito, mas muito dinheiro, tiveram de usar aquelas máquinas bancárias usadas para somar grandes quantidades de notas.

E sabem quanto tempo foi gasto para contar todos os R$ 51 milhões do apartamento do Geddel? Um dia e a noite inteiros!!! Isso contando com máquinas de contar cédulas e inúmeros policiais.

E esse volume (R$ 51 milhões) é pouco menos de ¼  dos R$ 180 milhões que a prefeitura de Biguaçu gastou em educação básica no município.

Nino: questionamentos. (Foto Arquivo JBFoco)

O leitor agora tem uma ideia do volume do dinheiro?

 

A QUESTÃO

Mesmo o prefeito Ramon Wollinger (PSD) tendo gasto essa quantia astronômica (R$ 180 milhões) nos últimos quatro anos (de janeiro de 2015 a fevereiro de 2019) nas escolas e creches municipais, os resultados foram os piores e mais medíocres possíveis.

Segundo o vereador João Domingos Zimmermann (MDB), popular Nino, essa montanha de dinheiro não serviu para tirar Biguaçu da última colocação do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do ano passado. Entre os 20 municípios da Grande Florianópolis, Biguaçu ficou na última colocação.

E a coisa não para por aí. Nino questiona como é que contando com todo esse dinheiro (repetindo para ser mais exato: R$ 180,1 milhões), o prefeito Ramon não conseguiu construir uma nova creche, isso numa cidade com tanta demanda por esse serviço que atende os trabalhadores que têm filhos pequenos?

E Nino questiona além: onde estão as prometidas creches da Saudade, Vendaval e Saveiro?

Na Saudade, era para ser construída uma “Supercreche”. O investimento seria federal, mas as últimas notícias dizem que a prefeitura de Biguaçu perdeu prazos para a apresentação do projeto. Enfim, a “Supercreche” evaporou-se, ou melhor, virou um amor de noite de verão.

E a coisa ainda não para por aí. As creches municipais NÃO são em horário integral, isto é, o dia inteiro. Para Nino, como é que contando com R$ 180 milhões, a prefeitura não conseguiu viabilizar creches que pelo menos atendessem em horário integral?

 

 

COMPARAÇÕES

E analisando dados do Tribunal de Contas, só em merenda, a prefeitura de Biguaçu gastou R$ 10 milhões.

Ninguém está criticando a merenda das escolas públicas municipais de Biguaçu. Pelo contrário. A comida é excelente e, se ninguém provar o contrário, nunca faltou.

O questionamento é: R$ 10 milhões gastos? Os números ditos na sessão da câmara por Nino e que ele leu numa planilha do Tribunal de Contas estão corretos?

Segundo Nino, Governador Celso Ramos tem 1/7 da população de Biguaçu e, consequentemente, não tem a arrecadação daqui. Sua arrecadação é bem mais modéstia.

No entanto, segundo o que disse o vereador na sessão da câmara, a secretaria de educação de Governador Celso Ramos recentemente fez uma entrega completa de material escolar a todos seus estudantes.

Não fizemos a checagem, mas Nino afirmou que a secretaria municipal de educação de Biguaçu não dá uma caneta e um lápis para os alunos da rede. Se não for exagero do vereador Nino, diante do volume de recursos gastos na educação municipal de Biguaçu, é preciso alguma investigação.

 

 

CPI

Diante da enorme quantidade de dinheiro (equivalente ao volume de quase quatro apartamentos do Geddel Vieira Lima) e os resultados pífios da educação municipal, mas falar da falta gritante de novas creches no município, é mais que evidente a necessidade de se fazer uma investigação nos gastos do setor, ou seja, é preciso abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito).

É verdade que o prefeito Ramon, que certa vez escapou de ter de dar explicações na câmara sobre certas questões de sua administração, tem a maioria na Casa e seus vereadores certamente vão barrar qualquer solicitação de abertura de CPI, mas o fato é que é preciso investigar. É muito dinheiro. Como foi gasto? Em quê?

A razão é muito simples. Se a prefeitura de Biguaçu tivesse pego esse dinheiro e pago escola particular para todos os 5.500 alunos, não só o dinheiro seria suficiente como ainda sobraria um milhãozinho desse investimento.

Doa a quem doer, a investigação é necessária. Não é possível a câmara, com honrosas exceções, continuar empurrando com a barriga com o seu dever de investigar.

Ninguém aqui está afirmando que há alguma irregularidade, mas que existe algo estranho, existe. Portanto, nada melhor do que uma investigação para tirar todas as dúvidas.

 

VÍDEO

 

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