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Li a respeito de uma Fake News, uma notícia falsa difundida no facebook segundo a qual havia vagas de emprego para as obras do Contorno Viário da Grande Florianópolis. Resultado: uma multidão de desempregados passou a madrugada de domingo para segunda (de 2 para 3 de junho último) na fila em frente ao Sine de São José.

Tudo em vão. A notícia era falsa. Não havia vagas, mas, diante de tantos desempregados na frente da agência, os funcionários do SINE os atenderam sugerindo se estariam interessados em cursos de aperfeiçoamento.

Em seguida, li a respeito de cursos profissionalizantes e um tremendo paradoxo: o país está com número recorde de desempregados, mas tem certas áreas onde falta mão de obra. Motivo: falta de qualificação profissional, isto é, escolaridade precária e desconhecimento técnico para certas profissões.

Eu me fico perguntando: como é que não se oferecem cursos técnicos nas escolas de 2º grau no país? Por que o jovem já não sai do ensino médio formado em algum curso técnico ou uma introdução básica ao mesmo?

Ora, é uma vergonha haver tantos jovens que passam 11 anos na escola, mas, com o certificado na mão, não possuem qualificação técnica para preencher certos cargos que estão sendo oferecidos, mas não são preenchidos justamente por falta de conhecimento e capacitação técnica. Pensando bem, isso é um horror!

A escola pública tinha de oferecer alguns cursos técnicos. Não digo que para todos. Poderia haver algum teste de seleção, mas o aluno tinha de sair com alguma profissão definida ou pré-definida.

Que cursos técnicos deveriam ser oferecidos? Depende. O parâmetro é bem “simples”: o que as pesquisas de mercado indicarem.

Se no mercado de uma determinada região houver falta de um determinado tipo de profissional, as escolas poderiam oferecer o curso para formar um número razoável de futuros trabalhadores para suprir tal demanda.

As escolas não estão equipadas para o ensino profissionalizante. Mas o que impede de ser assinados contratos com o SESI e SENAI, instituições de ensino técnico, para que estudantes (ou quem sabe, um grupo que passou por uma pré-seleção) possam frequentar tais cursos nas sedes do SESI e SENAI?

Caros leitores. Vocês não acham que é um absurdo o jovem passar oito anos de ensino fundamental e três de ensino médio e sair da escola sem uma profissão (pré-)definida? Onze anos estudando matemática, física, química, biologia, português e o famoso inglês começando no verbo “to be”, indo para o “to have” e sabe-se lá se um dia chega ao futuro “will” ou “shall”, mas tudo isso não capacitando o jovem a conquistar o primeiro emprego??? Que desperdício de tempo, dinheiro, energia!!!

E não vamos longe. A prefeitura de Biguaçu gastou R$ 180,1 milhões entre 2005 a fevereiro de 2019 em educação básica. E para quê? Para figurar no último lugar no IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) de 2018??? Os alunos que frequentam as escolas públicas municipais de Biguaçu estão na última colocação entre os 20 municípios da Grande Florianópolis num estudo que avalia se as crianças sabem as operações básicas elementares de matemática e se conseguem ler, entender e interpretar textos em língua nacional (português) com alguma desenvoltura.

Enfim, a nossa educação não ocupa nem desocupa a moita, como diz o ditado popular. Não tem conseguido formar estudantes com um nível mínimo de conhecimentos gerais (escrever, ler, matemática etc) nem oferece uma formação profissional mínima com a qual podem tentar o primeiro emprego ou montar um negócio próprio para não figurar na triste estatística do desemprego.

Só para se ter uma ideia: dos atuais 13 milhões de desempregados no Brasil, por volta de 26% (pouco mais de ¼) é formado por jovens entre 18 a 24 anos de idade.

A principal reclamação dos jovens é que os empregadores pedem experiência, mas como ter experiência se nunca antes trabalharam?

Outra reclamação é que lhes é exigido alguma formação profissional, pois o 2º grau generalista que é oferecido não é suficiente. Mas como os jovens podem conquistar o primeiro emprego se passaram 11 anos de sua juventude estudando conteúdos que simplesmente são esquecidos e sem valor prático, pelo menos para certas entrevistas de emprego?

Como é que a sociedade permite que os jovens passem 11 anos na escola sem que nesse tempo eles recebam alguma formação profissional, nem que fosse introdutória?

Um exemplo pode esclarecer. O jovem de hoje que vai procurar emprego, se não teve alguma formação suplementar, ou seja, só tem a escola pública como única formação, certamente não terá chances nas entrevistas de emprego apenas apresentando o certificado de 2º grau.

Agora se ele, durante a escola, teve um curso profissionalizante de técnico em informática ou aprendeu programação ou passou por algum outro curso em demanda hoje, certamente essa formação poderá abrir-lhe portas.

Como diz o ditado, a “desocupação é a oficina de satanás”.

Temos de zelar pelos empregos de nossos jovens. Jovens que trabalham são e serão jovens mais sadios, mais responsáveis, mais produtivos. Dar perspectivas aos jovens é dar perspectivas a um país.

Esperamos ter contribuído para o debate.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Ensino profissionalizante. (Foto Google Images- Ineprotec)

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