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Infelizmente os dados da eleição 1992 não constavam no site oficial do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral).

O jornal Biguaçu em Foco só foi lançado em 6 de agosto de 1993. Infelizmente a Biblioteca Pública de Biguaçu não tem coleções de jornais para que pudesse pesquisar. Coleções de jornais antigos só existe na biblioteca do estado, em Florianópolis. O problema é tempo e lugar para estacionar, sem dizer que, para ir e voltar, é um engarrafamento atrás do outro no trânsito.

No entanto, fui folhear minhas encadernações do JBFoco e encontrei um artigo publicado na edição de novembro de 1993 intitulado “Eleições Municipais de Biguaçu de 03/10/92- Considerações gerais”, de autoria de Abrahão Salum Netto (a quem sou agradecido).

Foi desse artigo que consegui algumas informações daquela eleição, mas não tinha detalhes como a votação dos candidatos. Tentei buscar informações sobre a votação de 1992 junto a um historiador amigo, mas ele também não tinha.

 

Jornal da campanha do então candidato Orival Prazeres. (Foto: Reprodução)

 

 

Panfleto da Frente Popular na eleição de 1992. (Foto: Reprodução)

 

POST SCRIPTUM

Casualmente, em dezembro de 2012, quando aproveitei um tempinho para fuçar melhor as prateleiras da biblioteca de Biguaçu, eis que encontrei um livro onde encontrei a informação que procurava.

O livro era intitulado “Santa Catarina- O Estado Político”, de autoria de Elir Sauthier. Foi lançado em 1993 pela editora Papa-Livro, de Florianópolis. Tratava-se de uma compilação do resultado da eleição de 1992 nos 200 e poucos municípios de Santa Catarina, entre os quais Biguaçu.

Infelizmente o mercado editorial brasileiro é problemático devido ao grande percentual de analfabetismo funcional e sua consequência para o desenvolvimento do mercado editorial. Livros de compilação de dados (resultados de eleições, de partidas de futebol, listas de presos, sepultamentos, funcionários em obras etc) são mais raros ainda.

“Santa Catarina- O Estado Político” é um livro de compilação do resultado de uma única eleição, a de 1992. O “bacana” seria se existissem livros de cada eleição, mas isso é pedir demais. É verdade que se trata de um “catálogo telefônico”, mas é também um tipo de livro que tinha de ser viabilizado, pois é através dos quais que podemos verificar números.

Mas o desleixo que o país tem com a educação acaba cobrando seu preço: crianças que não conseguem ser alfabetizadas  plenamente tornando-se adultos não consumidores de livros. E no final dessa história toda, a consequência acaba sendo a inviabilização de um mercado editorial pleno e livros sobre assuntos particulares, mais “micros”, tornam-se mais problemáticos para serem viabilizados.

Dito tudo isso, vamos ao resultado das eleições de 1992 que, se não houvesse o livro “Santa Catarina- O Estado Político”, teria de consegui-los por outros meios, que são: 1) ir atrás do TRE-SC (tomara que tenha os dados, mas vai que, por algum motivo, houve havido algum incêndio ou enchente e os documentos “sumiram”. Digo isso porque uma vez fui numa repartição pública em Floriaópolis em busca de um documento e a funcionária respondeu que foi tudo perdido numa enchente, 2) procurar os candidatos- um a um- para perguntar a eles quanto foi a votação ou 3) ir na biblioteca do Estado em Florianópolis. O problema acabaria sendo enfrentar o engarrafamento já comentado antes.

Que bom ter informações todas reunidas num só livro. Por isso, a importância dessas obras de compilação de dados.

 

PREFEITO

Sadi Peixoto, da coligação PMDB-PTR,  elegeu-se prefeito de Biguaçu ao conseguir 6.661 votos.  Arlindo Corrêa, da coligação PDS, PFL e PRN,  alcançou 6.647 votos. Na ocasião, havia um terceiro candidato, Orival Prazeres, da coligação PSDB-PT-PDT, que alcançou 945  votos.

Aquele ano de 1992 foi tenso. O então presidente Fernando Collor de Melo (PRN) acabou sofrendo impeachment em 29 de setembro de 1992.

Na comarca de Biguaçu, os ânimos inflamaram. Nos comícios políticos, gritava-se: “Abaixo Collor, Abaixo Arlindo”.

Arlindo não era prefeito em 1992, mas era o político mais poderoso na época. Tinha sido de tudo- vereador, vice-prefeito e secretário municipal. Sua imagem acabou veiculada com a de Collor de Melo.

Outro fator que contribuiu para a derrota de Arlindo nas urnas na ocasião foi simplesmente subestimar o adversário Sadi Peixoto. Segundo dizia-se na época Arlindo nem fez campanha. Achava que o PMDB não teria força para vencê-lo.

A vitória de Sadi foi apertadíssima. Foi por apenas 14 votos de diferença.

 

VEREADORES ELEITOS

 

Eleitos pelo PRN

Ivo Delagnelo (PRN)- 557 votos

Dorival Mignoni (PRN)- 337.

 

Eleitos pelo PDS

Arno David Corrêa (PDS)- 490.

Mauri Jovelino A. da Silva (PDS)- 445.

Ozildo José Prazeres (PDS)- 372.

Aclici João de Campos (PDS)- 362.

 

Eleitos pelo PFL

Bertoldo José Costa (PFL)- 428.

Nagibo Müller (PFL)- 335.

Luiz Carlos da Rocha (Carlito)- 317.

 

Eleitos pela Coligação PMDB/PTR

Vilmar Astrogildo de Souza (Tuta)- 376.

Ademir Corrêa- 347.

José Braz da Silveira- 222.

José E. Balcazar Martinez- 260.

 

 

Observação: O vereador Bertoldo José Costa (PFL) faleceu em 1º de abril de 1994, vítima de ataque cardíaco fulminante (Fonte: JBFoco, maio 1994).

Os dados sobre a votação dos candidatos a prefeito e vereadores de Biguaçu constam nas páginas 113 a 115 do citado livro “Santa Catarina- O Estado Político”.

 

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