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Bem antes de assumir como o novo prefeito da cidade, Lauro Locks assistiu em 1970 a solenidade que consagrou seu antecessor, Paulo Wildner. Era a inauguração dos serviços da Casan em Biguaçu que passava a ter água potável encanada. Foguetório, discursos emocionados e aplausos saudavam o ilustre visitante, o então governador Ivo Silveira. Ao lado de autoridades e lideranças locais, entre elas Lauro Locks, o governador assistia o desfile comemorativo que tinha como inusitável atração um popular chamado Juvenal Guilherme. Quase como um abre-alas de desfile de escola de samba, Juvenal acenava para a multidão que se comprimia na Praça Nereu Ramos para vê-lo puxando um burrinho carregando um tonel de água. Isto era o abastecimento em Biguaçu até alguns meses antes daquela festa.

Se Paulo Wildner ficou conhecido pela inauguração da água, Lauro Locks tornou-se famoso pelas indústrias que se instalaram durante seu mandato (1973-1976). Em sua gestão, foi aprovada lei em que a prefeitura concedia incentivos fiscais para empresas que se instalassem no município. Foi assim que a INPLAC, Postes Cavan, Mosquiteiros Andorinha, além de outras firmas de pequeno e médio porte, vieram para Biguaçu.

O momento é histórico. Era o início do já deflagrado crescimento de Biguaçu que ocorreria com intensidade nas décadas seguintes, acompanhado do aumento da população. O município mudou radicalmente. De pacata e matuta, virou cidade “de verdade”. Biguaçu situa-se a 17 quilômetros do centro de Florianópolis. A rodovia BR-101 foi inaugurada bem no finalzinho dos anos 1960. A estrada trouxe gente e negócios para o município. Somadas a rodovia e a proximidade da capital, Biguaçu tornou-se ponto estratégico para muitas empresas interessadas no mercado em expansão demográfica do conglomerado urbano que se formou e acabou batizado de “Grande Florianópolis”.

Ao lado da grande fábrica de enlatados e conversas Wildner S/A, surgida em 1955, Biguaçu na década de 1970 já estava começando a abrigar outras indústrias que não empregavam só alguns “gatos pingados”, mas dezenas ou centenas de funcionários. Com oferta de empregos em expansão, Biguaçu atraiu pessoas em busca de trabalho. Daí não é nada errado identificar a época do prefeito Lauro Locks como um período embrionário em que Biguaçu começava a caminhar para tornar-se o que é hoje, candidata a cidade grande.

Lauro Locks nasceu em 18 de março de 1916, em Braço do Norte, município do sul de Santa Catarina. Formou-se em Direito em 1956, em Florianópolis, mas fez carreira na educação. Foi professor e diretor de escola em Braço do Norte.

Militante do PSD, Lauro acabou sendo alvo de represálias políticas. Em janeiro de 1951, Irineu Bornhausen, da UDN, assumiu o governo do estado, sucedendo Aderbal Ramos da Silva, do PSD. Na época, Locks era inspetor escolar em Tubarão. Acabou transferido para Biguaçu, bem longe de sua terra natal. Foi assim que surgiu a família Locks em Biguaçu, hoje ativa na política e economia da cidade.

Nas décadas de 1950 e 1960, Locks candidatou-se quatro vezes para deputado estadual pelo PSD. Não conseguiu eleger-se em duas, mas assumiu vaga como suplente. Com votos de Braço do Norte e Biguaçu, conseguiu eleger-se deputado para as legislaturas de 1963 a 1966 e de 1967 a 1970.

Em novembro de 1964, assumiu a Secretaria Estadual de Educação. Começou no governo de Celso Ramos. Deixou o cargo em agosto de 1966, já no governo de Ivo Silveira. Locks foi escolhido conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, onde aposentou-se em 1968. Outro cargo público que assumiu depois de sua aposentadoria foi o de membro do Conselho Estadual de Educação.

Após a prefeitura, Lauro recebeu o título de “Cidadão Honorário” de Biguaçu. Ele é o patriarca da numerosa família Locks. Com 16 filhos, Lauro possuía no fim de sua vida, em 2004, 45 netos e 13 bisnetos.

 

Lauro Locks. (Foto: Arquivo JBFoco)

 

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