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Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

Vou apresentar aqui uma rara peça de teatro. O título é “O Passaporte”. A autora é Maria Madeira de Carvalho, ou simplesmente, «Mariazinha Carvalho ».

Nascida em 1935 em Macau, antiga possessão portuguesa no sul da China, Maria mudou-se para o Brasil em 1966, onde mora até hoje em São Paulo capital.

Se der tudo certo, meu livro « Parlons patuá di Macau » será publicado pela editora francesa L´Harmattan neste ano de 2019. Nesta obra abordarei a fascinante história de uma língua crioula em vias de extinção conhecida por « Patuá di Macau ».

Por que « em vias de extinção ». Pelo simples fato de que esse idioma só tem atualmente uns 100 falantes (e olhe lá) e um deles é a sra. Mariazinha Carvalho.

Além da raridade de seu idioma que aprendeu na tenra infância em sua cidade natal Macau (que ela carrega no coração todo santo dia), dª Mariazinha escreve peças teatrais cômicas neste crioulo raríssimo para entreter os sócios da Casa de Macau, clube social da comunidade macaense em São Paulo.

A peça “Passaporte”, da qual dª Mariazinha mais gosta, tal como Roberto Carlos tem a maior predileção à canção “Detalhes” entre toda sua obra, não foi publicada nem consta em obra alguma.

Recebi uma cópia impressa de computador desse peça, cujos alguns trechos estou publicando em meu futuro livro “Parlons patuá di Macau”.

Mas sabendo da importância da peça no contexto da literatura em língua portuguesa e de seus tesouros dialetais, publico aqui a citada peça escrita em São Paulo (literalmente a um mundo de distância de Macau) para que pesquisadores possam ter acesso.

A peça é fala em português, patuá e algumas frases em cantonês, o chinês do sul da China. Vale lembrar que Macau possui atualmente 640 mil habitantes. A língua majoritária é o cantonês. O português é falado por apenas 9 mil habitantes dentro desse “mar” de falantes de cantonês. Dos 9 mil lusofônicos, os falantes de patuá, conforme já dito antes, não passaram de 100 “gatos pingados”. Por isso, dentro das próximas décadas, o idioma, um dos 32 crioulos de base portuguesa no mundo, ingressará no rol dos extintos.

E agora chega de milongas. Vamos à peça:

 

Mariazinha encenando uma de suas peças em 2009 na Casa de Macau. (Foto Luís Manoel Ramos)

APRESENTAÇÃO DO ‘PASSAPORTE

 

Por Mariazinha Carvalho

 

Depois do sucesso da comédia “Chencho co Amélia” e da engraçada apresentação de “Chopstlck Sisters” no Natal do anò passado, deu-nos mais ânimo para continuar com o nosso teatro de patuá.

Hoje ste Grupo retorna com a peça intitulada “Passaporte” ene já foi apresentada tempos atrás aqui na Casa de Macau, que voltou répãgiriãldã, agora cõm música para dãr mais grãçã a peça.

A autora da comédia é uma pessoa de muito talento, a nossa mestra em patuá Mariazinha de Carvalho, com algumas adaptações de Armando Ritehie. A direção e coreografia são também de Armando Ritehie que, como sempre, é cheio de imaginação e competência. HA composição, arranjo e gravação das músicas foram elaborados pelo tajentoso Rigo Rosário, e a idealização e montagem dos cenários ficaram por conta de Armando e Manuel Ramos, com a ajuda do Régis na montagem.

Paraj vocês entenderem melhor a peça, vou-lhes falar rapidamente o resumo da hisjtória.

Duas senhoras j Macaenses, Venâncta e Carlota, daquelas muito chatinhas, sabe?, depois de participarem de um casamento, estavam com fome e resolveram ir a uma padaria comprar pão. Quando estavam chegando perto da padaria, avistaram duas filas. Uma era a fila ida padaria, atendida por um chinês, e a outra era a fila de emissão de passaporte, atendida por um português, cujo escritório localiza-se ao lado da padaria. Uma amiga delas, a Pepita, que estava na fila de emissão de passaporte, as chamou. Elas foram à fila de passaporte para conversarem coirt a amiga pensando que estavam na fila do pão, e aí começa toda a confusão.

Pedimos para vocês ficarem em total silêncio e prestarem atenção na peça porque a graça toda está no diálogo das duas velhinhas com p português. Elas faiando o dialeto do nosso Macau antigo, que ê o patuá, e ele falando o português castiço, gerando uma confusão enorme porque um não consegue entender o outro.

Gostaria de salientar que em todas as suas peças, a Mariazinha costuma sempre homenagear macaenses; são macaenses que estão presentes e outros que já não estão mais aquí. Portanto prestem atenção porque no decorrer do texto pode aparecer nome de alguns de vocês ou da sua família.

Entrou um novo integrante no nosso teatro, novo na idade e novo no nosso grupo. Ele é muito tímido mas encheu-se de coragem e juntou-se aos veteranos – pode estar nascendo um novo ator. Vamos conferir.’

Divirtam-se com esta comédia.

  

 

PECA TEATRAL “O PASSAPORTE”

 

VENÂNCIA CO CARLOTA ENTRÁ NA BICHA Dl PASSAPORTE PENSÁ QUI SÃ

BICHA PA COMPRÁ PÁM

 

Meu Deus do Céu!!! Estas duas juntas (Venância e Carlota) é um perigo. (Foto Divulgação)

Cenário:

Olhando para o palco,(lado esquerdo) um letreiro em portugês e chinês com dizeres;(Repartição Pública – Sector de Emissão de Passaporte) uma mesa de trabalho com cadeira, um telefone, um caldeiro e mais duas cadeiras. (Do lado direito) outro letreiro) com dizeres em duas línguas; (Padaria Vó Lông) uma banqueta com uma cesta grande para pão, uma dúzia de pães, sacos de papel e pegador grande.

 

Personagens:

Venância – Armando S. Ritchie Carlota – Mariazinha de Carvalho Português – Manuel Ramos Coajuvantes:

Pepita: Yolanda Ramos

Padeiro – Pedro Assis Fong

Mendigo – Francisco Madeira de Carvalho

2o Português – Júlio Branco

Senhora na Fila – Judite Branco

Figurantes: Seis figurantes…

 

Início da Cena — Acto 1

–           O Português entra em cena e canta

(nem as paredes confesso, luzes de holofotes)

–           O Padeiro entra em cena (faz propaganda do pão, marca compasso com as mãos, luzes de holofotes)

Nei Sau Kó, lat til ichông, Ngo tou kuai, iat til long Hán fai tchoi, paih cheung long

 

Sân sin pau, hâi Vo Long.

 

Yao pong pau, Tchi tchai pau, Póló pau, Câi tchai pau, Tché long pau, Soi tchán pau, Nái yau pau, Ngao yau pau, Tchi má pau, Cáps sâm pau, Tchát soi pau… Hám pa lám hou mei kaaá…

 

•           Forma-se a fila com 1°. figurante, a Senhora, 2° e 3°. figurante, 2o. Português, 4o. Figurante.

 

•           O Mendigo entra em cena, marca compasso com dois paus e canta (luzes e holofotes)

 

ÇLók Kái Mou chin mái min pao, Tché chin páh lou pó nau! Aiiá hou sân fu…

 

–           A Senhora da fila entra em cena e dá dez avos ao mendigo Ngó Pei iat hou chi nei mái min pau.

 

O mendigo agradece, Ah! Tó ché sui tché nei hâi hou ian!

 

–           O 2° Português entra em cena e o padeiro faz-lhe pergunta. Bom dia sinhô Balanço hoji qué quanto pám ah?

 

O Português responde: hoje quero três pães.

O Padeiro: Ah hoji o sinhô Balanço qué tlês paiiis!

 

Dois figurantes entram na fila, seguida de Pepita entrar na cena.

 

Dos seis figurantes, dois ficam na fila de passaporte e outros na fila do pão.

 

Acto 2

– Venância e Carlota entram em cena (Introdução da música Venância co Carlota)

 

Venância:

 

Carlota, cusa assi tanto genti andá vai andá vem na rua, tudo i janota!

 

Carlota:

Ai Venância, vôs nunca lembrá? Hoji sã dia di Macau, tudo genti ta vai pa Palácio di Praia Grande chipí mám di Governador.

 

Venancia:

Ai sã verdadi, olá Carlota acunga home nuncassa Api, acunga qui inventá Hino di Macau?

 

Carlota:

Cusa? Macau agora têm Hino? Nuncassa Heróis do Mar?

 

Venância:

Nuncassa!…

 

Carlota:

Nuncassa Chilai, Chilai, Chilai?

 

Venância:

Vôs sã divéra montong-montong. Hino di Macau agora sã chomá Macau Terra Minha.

 

Carlota:

Aia vai chéra corda-na, vôs qui ta inventá história.

 

Venância… olá, olá, acunga home di camisa cor di  sã filo di Errol Flyn….

 

Venância:

Filo di Errol Flyn? Unde? Unde? Qui modo Errol Flyn já largá unga filo na Macau?

 

Carlota:

Aia, sã filo di Chani Airosa, conhecido como Errol Flyn di Macau, vôs non sabi?

 

Venância:

Quim non sábi? Tudo genti sábi Chani Airoso quelóra jovi sã cara di Errol Flyn.

Chega di tanto papiaçám, afinal vôs tamêm querê vai pa Palácio chipí mám di Governador?

 

Carlota:

Cusa, só chipí mám? Non têm más ancusa bom pa chipí?

 

Venância:

Estapóra, garidona, iou sábi cusa vôs querê chipí. Uví, iou ta morê di fómi. Melhó sã nôs vai buscá unga padaria comprá pám vai casa capí bife pó bolacho comê.

 

Carlota:

Sã, iou tamêm ta uide fómi. Olá ali riva têm unga bicha cumprido qui cumprido pa comprá pam, Vêm deixá nôs vai intrá atrás destunga bicha tamêm.

 

(Elas sobem ao palco)

 

Pepita (na fila de passapore):

Venância, Carlota, qui tanto tempo nunca olá pa vosôtro. Unde vosôtro vai assi janota co fula-fula na chapéu, co pêto empolado?

(Carlota e Venânacia descuidaran e entraram na fila de passaorte ao invés da fila de pão)

 

Carlota:

Nôs já vai pa unga casamento qui arrependido! Convite falá cavá casá recebê convidado co unga copo di água. Iou co Venância qui réva, virá costa vai embora, bebê água nôs têm na casa.

 

Pepita:

Venância azinha falâ qui figura têm estunga noiva?

 

Venância:

Unchinho chapadéca mas chistosa.

 

Pepita:

Carlota… e o noivo quim sã?

 

Carlota:

Falá qui sã unga chengkâu di Cheok-Châi-In.

 

Pepita (para Venância):

Ai sã?….

Uvi como vai vosso marido Ambrosio?

 

Venância:

Unga hora duro-duro, ôtro hora mole-mole. Sã igual “iau- cháu-kuai” co “chi-chéong- fân”.

 

Pepita:

Ai qui ramêde! E vôs Carlota, como vai vos-sâ Chico? Carlota:

Estunga estopôr já vai buscá mestre-china, A-Pak, já dá mesinha pa tomá. Agora já ficá más yau-chau-kuai qui chi- chéong-fân..

 

Português:

Próximo!!!

 

Pepita:

Ai sa iou-sa vez agora. Mandá lembrança para vosso dôs gông-gông.

 

Carlota:

Vôs já uvi estunga amuirona, cara di putau, astrevê chomá nosso marido di gông-gông?

 

Venância:

Ne bom ficá réva Carlota, Sã inveja. Tudo genti sabi nosso marido sã uide chistoso. Unga sa cara di Robert Redford, ôtro sã cara di Paul Newman.

 

Português (gritando)

Próxima!!!

 

Venância e Carlota abrindo as suas bolsas para tirar dinheiro):

Iou querê 5 pám…

Iou querê 4 pám…

 

(NOME)

Português:

Nome….

 

Venância e Carlota (trocando olhares):

Nome…..?

 

Português:

Sim, tenho que anotar seus nomes e dados, não temos tempo a perder…

Venância e Carlota Iou chomá Venância…..

Iou chomá Carlota…..

 

Português:

Uma de cada vez por favor. Preciso de nome, apelido… nome completo.

 

Venância:

Iou chomá Venância. Iou-sa Avocông, lado di pai sã unga general importánti di Portugal, assi iou tamêm têm nómi dele. Avocông di lado di iou-sa Mamá sã genti simples, trabalhá na policia. Iou-sa Mamá uide gostá dançá. Tudo sábado vai bailá na Clube Militar. Iou-sa Papá sã unga home uide socegado, gostá junlá rancho vai impê na Café Ruby. Cavá iou já casá co estopôr di Ambrósio. Têm dôs fila-fila, unga já vai pa Porugal, ôtro já vai pa Inglaterra largá nôs dôs onçôm- onçôm…..

 

Português:

Onçom-onçom…! Este onçôm-onçôm deve ser o apelido dela. Então vou escrever o nome dela “Venância Onçôm-onçôm” .

 

Carlota:

Venância…. Estunga estopôr di português chomá vôs di Venância Onçôm-onçôm…

 

Venância:

Cusa? Iou-sa nómi nuncassa onçôm-onçôm. Dessá iou contá tudo di novo pa vôs uví.

 

Português:

Chega-chega! A senhora falou montes de babozeiras e eu só ouvi o seu primeiro nome que é Venância e o seu último que é Onçôm-onçôm pois a senhora se chama Venância Onçôm- onçôm.

(virando para Carlota)

E a senhora…. eu quero nomes, nomes e nomes e não absurdos como a sua amiga.

 

Carlota:

Vôs querê nómi? Iou tem unga chônto di nómi pa vôs. Iou chomá Maria Carlota. Iou-sa Mamá sã uide devota di Santa Rita di Cássia, assi já batizá iou co nómi di Rita di Cássia tamêm. Lado di iou-sa Mamá sã genti di Espirito Santo di bairro di Santo Antonio, certo vôs já uví falá sã genti di mole- mole duro-duro. Lado di Papá sã Vieira Ribeiro di Tap-Seac, genti di Very Good Chipido. Cavá iou já casá co iou-sa amuchai Chico, família di Madeira di Carvalho, irmandadi unga más chistoso qui ôtro, agora velo-ia unga más careca qui ôtro.

 

Português (irritado):

Minha senhora, não interessa se a senhora pertence a família mole-mole duro-duro ou very good chipido, e seu marido agora ficou careca. Agora favor repita seu nome completo, tal qual que está na sua carteira de identidade.

 

Carlota:

Torna? Ai, estunga portugês sã divéra burro. Iou chomá: Maria Carlota Rita di Cassia Espirito Santo Vieira Ribeiro Madeira de Carvalho.

 

Venância:

Carlota, qui difícil pa comprá pám. Até parece tempo di guerra tudo ancuza sã racionado.

 

Carlota:

Venância, iou sintí nôs logo morê di fomi impido, mareio.

 

(IDADE)

Português:

Idade….

 

Venância e Carlota (batendo a cabeça do Português com as suas bolsas):

Atrevido….malcriado…. abusador….

 

Português:

Precisa dizer as idades senão nada feito.

 

Venância:

Iou trinta fora….

 

Carlota:

Iou quarenta fora..,.

 

Português:

Fora quanto?

 

Venância:

Trinta um

 

Carlota:

Quarenta um

 

Português:

As duas parecem mais de sessenta fora, setenta fora…. ( LOCAL DE NASCIMENTO)

 

Português:

Local de nascimento

 

Venância:

Cusa?

 

Português (para Venância):

Onde a senhora nasceu?

 

Venância:

Ah! Iou já nascê na hospital, unde más, na rua?

 

Português (virando para Carlota):

E a senhora, onde nasceu?

 

Carlota:

Iou já nascê na casa. Iou-sa Mamá más esperta, já chomá parteira Marica vêm casa fazê parto.

 

Português:

Depois destas disparates, saio desta repartição diretamente para o aeroporto e de lá direto a Portugal.

 

(DATA DE NASCIMENTO)

Português (virando para Venância)

Data de nascimento…

 

Venância

Iou nascê no dia di Santo Antonio Português:

Minha senghora, eu não tenho o dever de saber os dias dos santos. Favor dizer o dia, mês e ano.

 

Venância:

Ah! Sã dia 13 de junho, já isquecê qui ano, festa di Santo Antonio, tem grandi procisão. Quelora iou pichote, iou-sa Mamá davesti iou di anjo….

 

Português:

Chega, chega de historias inúteis (virando para a Carlota)

E a senhora, suponho que também vai-me dizer o santo do dia de seu nascimento.

 

Carlota:

Senhor português, iou pôde puxá unga cadéra sentá unchinho? (puxa cadeira e senta). Vôs pôde virá página?

 

Português:

Não toques no meu caderno e esta página ainda tem muito espaço para escrever. Vamos lá qual o seu santo do dia?

 

Carlota:

Sâ São João, São Pedro, São Paulo, Santo Antonio, São Judas Tadeu, Santa Rita di Cassia, Santa Luzia, Santa Barbara….

 

Português:

Chega…chega…Até parece que estás rezando ladainha. Só quero saber a data de seu nascimeno.

 

Carlota:

Ne bom assim mau gênio senhor português. Iou nascê no dia priméro di Novembro, dia di Todos os Santos.

 

Português (assegurando a cabeça):

É hoje que vou-me matar!

(MORADIA)

 

Português:

Mordia….

 

Carlota?

Cusa? Morêquidia?

 

Venância:

Qui blasêmia! Só Dios sábi qui dia nôs vai morê!

 

Português:

Minhas senhoras, moradia quer dizer onde as senhoras moram.

 

Carlota:

Ah….lou vivê perto di Hospital São Rafael. Junto defronti di acunga porta fazê curativo di pê, nuncassa acunga porta qui dá pa mortuário qui vivê família di Bernadete e Antonio Placé, tamêm nuncassa acunga casa qui fica baixo di rua qui dâ na cara co familia di Aié Sales.

 

Português:

Minha senhora, senão sabes o endereço, perunta ao seu vizinho, Bernadete e Antonio Placé…

 

Carlota:

Já morê-ia.

 

Português:

E que tal o Ai-É Sales?

 

Carlota:

Vos sã divéra burro, nuncassa Ai-É, sã pronunciá Aié; Nuncassa Aichi, Aichi sã ôtro home, sã Aié          

 

Português:

O problema é que vocês Macaenses tem nomes muito esquesitos, como Ai-E, Aichi, conheci recentemente tal de Alou, Api, Pau-Pau, Anão Chái. Esses nomes são dados para aimais de estimação. Pronto, então perguntas ao tal de Aié Sales.

 

Carlota:

Até enfim vôs já pronunciá bem. Ele tamêm já morê-ia. Português:

Senhora, vou te dar uma sugestão. Procure os filhos, netos destas pessoas, eles devem saber.

 

Carlota:

Ilôtro tudo já rafundi pa Brasil, America, Canada, Portugal. Português;

Vou te ajudar de outra forma. Como Macau é pequeno, se descrever como é a sua casa talvez posso identificar.

Vamos lá!

 

Carlota (canta):

Unga casa macaísta, vôs olá,

Têm carinho na pobreza,

Si tem genti bate porta, pôde intra,

Vêm comê co nôs na mesa.

Genti pobre, genti rico sã gosta,

 

Cativá tudo visita.

Masqui-seza unga casita,

Têm su chiste co alegria,

Tudo ora, tudo dia.

 

Português (levanta cantando):

Quatro paredes caiadas,

Um cheirinho à alecrim,

Um cacho de uvas douradas,

Duas rosas no jardim;

Um São José de azulejos Mais o sol da primavera;

Uma promessa de beijos Dois braços à minha espera,

É uma casa portuguesa com certeza É com certeza uma casa portuguesa.

 

Carlota e Venância:

Ladrám… pirata, vosôtro português vêm rubá nosôtro-sa cantiga? Sã unga casa macaísta nuncassa unga casa portuguesa.

 

Venância:

Nosôtro maquista non têm São José di azulejo na porta, nos têm sã unga Pak-Kuá pendurado na porta pa afungentá mau olhado.

 

Português:

Perco o tempo discutir com estas malucas (virando para Venancia)

E a senhora, onde mora?

 

Venância:

Ah, iou vivê nunga casa qui tem unga quintal uide grándi. Tamêm têm unga teraço pa sugá rópa. Abri janela sã logo olá pa acunga ladéra subí riva pa Macaco Fá In. Vôs entendê?

 

Português:

Não entendo nada…

Olha minha senhora, talvez terei mais sorte consigo do que com a maluquinha de sua amiga. Vou tentar ajudar a localizar o enderço se colaborares comigo, descreva a sua casa, está bem assim?

 

Venância (Canta);

Telado qui velo, co rópa sugá Escada qu’isrêto, janela co fula,

Nho-nhonha cantá,

Min-Pau quente-quente, padéro gritá…

Sol fórti di riva, têng-têng-lôu di basso Assi sa iou-sa casa…

Português (levanta e canta):

Disse uma graça na Guia,

Corre Alfama e Mouraria,

Chega logo a Madragoa..

Lá vai ela como louca, correndo de boca em boca Pelos bairros de Lisboa…

Dizem que a cidade é grande vê lá!

Mas se é grande não parece,

Na rua constantemente, de Benfica a São Vicente Toda a gente se conhece…

Para seu conhecimento esta cantiga se chama Assim é Lisboa. Venância e Carlota:

Lardrám, pirata, torná rubâ nosotro-sa cantiga?

Estunga cantiga sã chomá Assi sã Macau, nuncasa Assim é Lisboa.

 

Português:

Não adianta explicar quem são os verdadeiros ladrões.

Vamos continuar, aposto que vem mais tolices por aí…..

(CASAMENTO)

 

Português:

Estado civil….

 

Venância:

Cusa sã estado civil? Sã fícá estado di grávida? Uví, nôs non têm más idadi pa fazê estunga asnéra…

 

Português:

Estado civil significa, se as senhoras são casadas, solteiras, divorciadas ou viúvas.

 

Venância e Carlota:

Ah! Nosôtro sã casado.

 

Venância: Iou co Ambrosio Carlota: Iou co Chico

 

Português:

Casamento com comunhão de bens?

 

Carlota:

Tanto tempo já passá-ia, mas iou lembrá qui acunga dia di iou-sa casamento, iou já recebê comunhão.

(virando para Venância)

E vôs Venancia, tamêm já recebê comunhão no dia di vosso casaamento?

 

Venância:

Iou tamêm já, nôs sa católico.

 

Carlota (virando para o Português): .

Senhor português, pôde iscrevê, nôs dôs já comungá nacunga dia di nosso casamento….

 

Português:

Chega, chega eu desisto…. As senhoras podem voltar daqui a 10 dias para retirar os seus passaportes.

 

Carlota:

Passaporte? Qui passaporte? Nôs vêm comprá pám… Para qui passaporte?

 

Português:

Para vocês saírem de Macau o mais rápido possível e darei os passaportes com o maior prazer.

 

Venância:

Iou non quero passaporte. Iou lôgo vivê e morê aqui na Macau. Senhor português, vôs pôde dizê unde têm unga padaria más perto?

 

Português:

Raios que parta com a vossa padaria.

(levanta, coloca as mãos na cebeça, virando para o publico) Essas duas devem estar no manicômio não andando soltas nas ruas de Macau. O expediente está encerrado por hoje!

(pega os seus livros/cadernos, irritado sai da cena)

 

Carlota:

Estunga português qui buro-na, nunca entendê nada cusa nôs falá. Venância, iou já desconfia qui estunga bicha nuncassa bicha pa comprá pám. Qui modo fazê tanto pergunta só pa comprá pám?

 

Venância:

Sã divéra Carlota, nôs já entrá na bicha errado. Agora Padaria já fichá porta. Estunga demônio di português já fazê nôs perdê tempo. Deixá nôs vai entrá na ôtro bicha di pám.

 

Carlota:

Uvi Venância, toma cuidado qui bicha nôs vai entrá, Ne bom enfiá atrás di qualquer ôtro bicha….

 

Venância:

Agora nádi medo… lôgo olá bemfeto ante di chuchu na bicha.

 

 

Esperamos que tenham gostado da peça.

Apresento em primeiro lugar, os figurantes, que são aqueles que ficaram na fila: Edite Rftchie, Bela Ramos, Elizabeth Mclean, Lilian Camargo, Marcos Mclean e Brian Alexandre

Os coadjuvantes foram: Jullo Branco, o Tótó, e Judite Branco

Como o mendigo cantor: Francisco Carvalho, que todos conhecem por Çhicoi

Como Padeiro, apresento o tímido Pedro Assis. Ele é o nosso mais novo integrante – palmas para ele.

Na composição, arranjo e gravação das músicas – Rigoberto Rosário Jr., mais conhecido por Api.

Bom, até agora apresentei os atores coadjuvantes, agora eu vou apresentar os protagonistas:

-Como Cartota, a autora da engraçada peça: Mariazinha Carvalho. -Como a hilariante Venância, eu convido o Armando Ritchiey, que não se importa Ide vestir-se de mulher

 

VÍDEO

 

 

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