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O Acre sempre foi território espanhol desde o antigo tratado de Tordesilhas (1494).

A Bolívia separou-se da Espanha em 1809 e o Acre fazia parte de seu território, inclusive reconhecido pelo Brasil pelo Tratado de Ayacucho (1867), onde foram definidas as fronteiras entre os dois países.

O Acre era uma imensa floresta e não havia ocupação boliviana na região. No entanto, brasileiros começaram a aparecer naquelas terras de mata virgem a partir de 1852. Estavam atrás de seringueiras, árvores das quais extrai-se o látex, do qual se fabrica borracha, produto que começou a se tornar cada vez mais procurado no mercado mundial, principalmente com o surgimento dos automóveis. Por volta de 1877, já havia considerável população brasileira naquela região.

Nessa época, o presidente da Bolívia era Aniceto Arce (1824-1906). Um coronel do exército daquele país chamado José Manuel Pando (1849-1917) resolveu promover um golpe de estado, mas deu errado e o cidadão fugiu rumo ao “deserto” do Acre. Foi então que Pando deparou-se com a multidão de brasileiros.

O tempo passou, Pando retornou e acabou virando presidente da Bolívia entre 1899 a 1904.

 

Guerra do País Acre é um episódio pouco conhecido da história do Brasil. (Foto Google Images)

REVOLTA

E com a caneta na mão, esse presidente, agora general, ordenou o envio do exército boliviano ao Acre. Objetivo: tomar posse da região e, se possível, mandar o maior número de brasileiros embora.

Qual foi o resultado? Estourou uma revolta dos brasileiros em 1º de maio de 1899. E o governo da então província do Amazonas, sem consultar o governo brasileiro, decidiu apoiar os rebeldes que não tiveram dúvida: decretaram a independência do Acre, isto é, que a região virou um novo país.

A cidade de Puerto Alonso acabou mudando de nome para “Porto Acre” e para lá rumou, em junho de 1899, partindo de Manaus (AM), um aventureiro espanhol chamado Luis Gálvez Rodríguez de Arias (1864-1935).

Em 14 de julho de 1899, foi proclamada a República do Acre e Luis Galvez tornou-se o primeiro presidente daquele novo país. É claro que a Bolívia não aceitaria uma coisa dessas. Estourou a guerra.

 

2ª REPÚBLICA

Em 15 de março de 1900, o exército boliviano teve importante vitória que levou à dissolvição da “República do Acre” em 15 de março de 1900, mas, em novembro daquele mesmo ano, oito meses depois, os brasileiros reorganizaram-se e voltaram a proclamar a 2ª República do Acre.

A história é longa e cheia de detalhes (o que não poderia ser diferente), mas, em resumo bem “resumido”, a guerra prosseguiu, agora sob o comando do segundo presidente da história do país Acre, um jornalista chamado Orlando Corrêa Lopes, enviado pelo governador do Amazonas, mas o exército de rebeldes foi novamente derrotado pelos bolivianos na véspera do natal de 1900. Com a derrota, a 2ª República do Acre foi dissolvida.

 

3ª REVOLTA

Mas o conflito não parou. Dois anos depois, em 1902, um militar gaúcho chamado José Plácido de Castro acabou enviado ao Acre pelo governo do Amazonas e, devido a sua notória experiência, conseguiu reorganizar as forças brasileiras alcançando a vitória sobre o exército boliviano em janeiro de 1903, ocasião em que foi refundado o “país”, ou seja, a 3ª República do Acre.

Desta vez, o governo brasileiro resolveu agir. Enviou reforços e foi instalado um governo militar sob o comando de um general.

 

TRATADO DE PAZ

O general presidente da Bolívia, o já mencionado José Manuel Pando, mandou o exército para o Acre, mas o então chanceler da diplomacia brasileira, Barão do Rio Branco (1845-1912), conseguiu apaziguar os ânimos propondo um tratado de paz em 1903 em que a Bolívia venderia o Acre por dois milhões de libras esterlinas e uma estrada de ferro. Virou o Tratado de Petrópolis (1903). Em 1904, o Acre acabou incorporado ao Brasil.

A capital “Porto Acre” acabou sendo rebatizada de “Rio Branco” e outros dois importantes personagens dessa história, o militar Plácido de Castro (1873-1908), o militar que liderou a vitória sobre o exército boliviano e virou o primeiro governador do Acre agora sob domínio brasileiro, e o diplomata Assis Brasil (1857-1938) acabaram sendo homenageados com seus nomes em outras duas cidades do atual estado do Acre.

 

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