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A história é digna de uma peça de Nelson Rodrigues (1912-1980). Parece loucura, mas aconteceu. Vamos omitir nomes e, inclusive a cidade catarinense onde ocorreu a dita tragédia. A família mora na Grande Florianópolis. Aliás, nomes não importam. A história em si é prá lá de “maluca” literalmente nos dois sentidos da palavra. Aqui vai.

A jovenzinha de seus 17 anos de idade era filha de um médico que era conhecido pela alta sociedade. Aliás, o homem era tão fino que ninguém se lembrava de sua origem humilde que a prestigiada faculdade apagou da memória coletiva.

Certa vez essa jovenzinha deparou-se com uma cena inusitada quando passava num determinado endereço indo para a escola com várias amigas: um débil mental, que vagava pelas ruas, surtou e arrancou as roupas (ou as mesmas foram arrancadas, ninguém sabe o que realmente aconteceu).

O fato é que a mocinha e suas amigas viram o cidadão nu, mas a imagem não saiu da mente da filha do médico. Afinal de contas, a história aconteceu nos anos 1960.

Na realidade, a moralidade era muito forte. Moça de família não mantinha relações sexuais com namorado. Casava virgem, no altar. Dava-se ao respeito. Era uma obrigação social. A família era total vigilância. Ficar grávida fora do casamento era um escândalo dos escândalos.

Mas voltando ao débil mental mencionado, além de alienado das ideias, o cidadão não falava. Ele tinha algum problema que o impedia a falar.

A moça ficou fascinada pelo dito cujo. Não pela ideia de namorá-lo, mas sim de saciar seus desejos sexuais inconfessáveis. O débil era jovem e, tirando a cabeça, era atraente.

A mocinha tinha um noivo, mas o cidadão foi estudar no Rio de Janeiro. Trocavam cartas incessantes e o rapaz prometeu que, dentro de poucos anos, voltaria e eles iriam casar. O rapaz estudava medicina.

A história é longa, mas resumindo-a, o que aconteceu foi o seguinte: a moça não iria esperar vários anos pelo casamento. Seu fogo estava fora de controle.

Ela poderia saciar sua vontade com algum rapaz, quem sabe alguém da escola, mas era arriscado demais. Afinal de contas, se o jovem fosse contar aos amigos que foi para a cama com fulana, certamente em pouco tempo ela estaria “falada”, o que arruinaria seu futuro casamento.

Hoje as jovens não se importam tanto com isso, mas estamos falando, como dito antes, dos anos 1960. Naqueles tempos, todo o cuidado era pouco.

A solução para seu “problema” era o dito débil mental, cuja nudez a fascinou. Afinal de contas, ele não falava e, mesmo se falasse, quem iria dar crédito à fala de um débil mental?

E assim ela arquitetou o “plano”: atrair o débil mental, que paradoxalmente ainda andava pelas ruas, pois não foi internado, a uma área verde e dar vazão à loucura total.

E foi o que aconteceu. A investida deu certo e a “malucona” fez a loucura planejada.

Mas o tiro literalmente não saiu pela culatra. Mesmo tendo sido uma única vez, a jovenzinha engravidou. Quando descobriu (a história é longa e estamos encurtando ao máximo), desesperou-se. Como iria admitir que estava grávida para sua conservadora família? Aliás, como iria dizer que engravidou literalmente de um débil mental que não falava? Ou seja, como é que admitiria que fez a loucura de se saciar sexualmente com um louco?

Mesmo sendo filha de médico, ela não contou nada para o pai. Este, sendo médico, certamente sabia fazer cirurgia de aborto ou tinha algum amigo também médico que poderia fazer com total sigilo. Afinal de contas, aborto é ilegal no Brasil.

A moça, no desespero, acabou tentando fazer um aborto clandestino. Quem indicou o nome e o endereço foi a melhor amiga que, de tão amiga, foi junto para ajudá-la a encarar o desafio.

Mas no final dessa história, deu tudo errado. A hemorragia não cessava. Acabou indo para o hospital. O pai soube. Entrou em choque.

E o pior aconteceu: ela morreu e está enterrada num cemitério da Grande Florianópolis. Parece até mesmo uma peça de Nelson Rodrigues. Talvez ele não conseguiu ser mais louco do que essa história.

 

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

 

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