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Dez anos atrás, publiquei o artigo intitulado “Tiradentes: o “Herói” fabricado”. Transcrevo aqui e explicarei o porquê. Aqui vai:

 

Li o instigante livro “AS VÁRIAS FACES DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA- Tiradentes, herói ou charlatão? E o povo, onde estava? O julgamento, farsa e tragédia”, de Júlio José Chiavenato (Coleção Repensando a História, Editora Contexto, São Paulo, 4ª edição, 1994).

Muito interessante. Aqui alguns trechos anotados desse livro. Confira:

1) “A ditadura militar de 1964 oficializou-o herói, pela lei 4.897, de 9 de dezembro de 1965 e, pelo decreto 58.168, de 11 de abril de 1966, obrigou que sua imagem sempre tivesse a barba que ele nunca usou.” (Pág. 10)

2) “Portugal e Inglaterra. Antes do “descobrimento” já se saqueava o Brasil. Franceses levavam pau-brasil e baleeiras piratas pescavam baleias no no litoral. Nos quase 300 anos de colonização até a Inconfidência, os portugueses aqui estabelecidos foram se “abrasileirando”. Criaram uma sociedade com interesses próprios e surgiu uma elite econômica que se ressentia da exploração de Portugal. Percebeu-se então que, livres da metrópole lusa, poderiam fazer seus próprios negócios e lucrar muito mais”. (Pág. 11)

3) “Fatalmente seria preso. (Tiradentes) era o mais visado e o menos importante de todos: pouco mais que um “pé-rapado”. Não tinha posses, conhecido como “mariola”, “bêbado” e até seus correligionários o acusavam de “falastrão”: foi advertido por “falar demais” por Cláudio Manuel da Costa.” (pág. 63).

4) “Esta tragédia vai redimi-lo da figura ridícula que sempre representou, tornando-o patético. Mas a historiografia oficial lança-se sobre ele para transformá-lo em herói, com fumaças de santo.” (pág. 64).

5) (…) (…) “É bom lembrar que muitos historiadores identificam o “martírio” do Tiradentes ao de Cristo. O “herói” também é “santo.” (pág.77) (….)

6) “Portanto, enquanto se demonstra a mistificação oficial forjando um herói e identificando-o com a santidade, é bom notar que não são os historiadores oficiais que conseguem isoladamente a façanha. Não fosse o Estado português tão truculento ao reproduzir os métodos da Inquisição, a historiografia oficial não teria sucesso no parto do herói (Tiradentes) (Pág. 77)

7) “Em 1882, os republicanos criaram o Clube Tiradentes, cultuando seu herói a cada 21 de abril. Mas é com a proclamação da República que se oficializa o herói. Em 21 de abril de 1890, 98º aniversário da sua morte, houve a primeira grande festa oficial, com marchas cívicas etc. Nesse dia o marechal Deodoro da Fonseca presidiu uma solenidade que teve como orador Silva Jardim.

Começam então a erigir estátuas e a financiar a historiografia que mitifica o herói. O ápice dessa construção de um herói dá-se no regime militar de 1964, com a lei 4.897 que o torna patrono da nação brasileira e o decreto 58.168, que obriga que sua imagem tenha sempre a barba que lembra Jesus Cristo.

Essa mitificação é uma das causas porque se conhece tão imperfeitamente a Inconfidência: na mitificação, ao criar-se um herói do passado para servir de exemplo ao presente, é preciso fantasiar ou, no mínimo, desprezar os fatos. Omite-se. Mente-se. Às vezes a omissão é pior que a mentira: a mentira é sempre descoberta, a omissão esconde e sepulta a verdade.”(Pág. 83)”.

Mitos da história. (Foto prettysleepy1- Pixabayde

DESMITIFICAÇÃO

Por que falei de Tiradentes? Porque é um dos vários exemplos de mistificação na história brasileira. Nos livros escolares, esse personagem aparece quase que a personificação de Cristo, algo impressionante.

Mitos, falsidades e “histórias que não foram bem assim como se diz” são abundantes na historiografia brasileira. Damos alguns exemplos.

 

Exemplo 01. Diz-se que a independência no Brasil foi “pacífica”. Mas como se explica a guerra que houve na Bahia que culminou na derrota do exército português em 2 de julho de 1823? Aliás, o baianos comemoram o “7 de Setembro” em “2 de julho”, pois esta última data marca a vitória sobre o exército português.

A questão é simples: se os baianos não tivessem vencido as forças do brigadeiro Madeira de Melo, o comandante militar português, este exército português não se tornaria uma ameaça ao jovem imperador Dom Pedro I (1798-1834), que menos de um ano antes, em 7 de setembro de 1822, empunhou a espada gritando “Independência ou morte”?

 

Exemplo 02.  Dom João VI (1767-1826) era um “abobado” e um “comedor de coxinha de galinha”, conforme representado no filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, produzido por Carla Camurati em 1995.

O curioso foi que esse filme satírico a respeito de Dom João VI, que o apresenta em situações patéticas, teve o patrocínio do Banco do Brasil, justamente a instituição financeira fundada pelo próprio personagem retratado.

Um detalhe: no leito de morte, Napoleão Bonaparte (1769-1821), dizia que Dom João VI foi o único que conseguiu tateá-lo.

A pergunta óbvia é: se Dom João VI era lembrado por Napoleão no final de sua vida como o cidadão que o tapeou nos estratagemas políticos, será que o rei português era tão patético como mostrava o filme de Carla Camurati?

 

Exemplo 03. Em 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea pela princesa Isabel libertando os escravos, mas eles foram deixados ao Deus dará pois não lhes foram dadas oportunidades de emprego ao longo das décadas que se seguiram.

Isto é um mito, pois o Brasil só começou a industrializar-se em maior escala depois de 1930, quando Getúlio Vargas (1882-1954) tomou o poder.

Os antigos escravos e seus filhos e netos não tinham emprego entre o final do século XIX até 1930 porque o Brasil não tinha indústrias. As que existiam eram poucas, pois o país era predominantemente agrícola e produzia-se quase que exclusivamente café para exportação.

Não se dava emprego aos antigos escravos não por questão de preconceito racial, mas sim porque não havia geração de empregos na escala do crescimento dessa população.

Alegar que os “negros foram abandonados à própria sorte” não passa de um mito alimentando pelo discurso esquerdista de querer alimentar suas próprias teses das mentiras e exageros que puderem ser fabricados.

 

Exemplo 04. O branco europeu foi responsável pela escravidão africana e o atraso daquele continente.

Você sabia, caro leitor, que os árabes e certas tribos negras da África também escravizavam brancos e realizavam excursões frequentes, principalmente no sul da Europa, para capturar escravos europeus?

Você sabia que mais ou menos 1,2 milhão de europeus foram escravizados e levados tanto para o mundo árabe como também para a África negra?

Isso é contato nos livros de história aqui no Brasil?

 

Exemplo 05. E por falar em escravidão, o leitor sabia que o mito de Zumbi dos Palmares (1655-1695) herói do movimento negro foi fabricado pela esquerda no século XX, pois o Zumbi real era como os africanos do seu tempo: tinha seus escravos. Aliás, desde que a África é e foi África, a escravidão sempre fez-se parte de sua história.

Aliás, outro mito que os livros de história no Brasil vendem aos alunos: que os escravagistas brancos “escravizavam” os negros dando a entender que eles adentravam o continente africano para capturá-los.

Não é verdade. Os europeus nunca fizeram isso. Nem precisava. O trabalho sujo era feito pelas próprias tribos africanas. Os vencedores escravizavam os vencidos e, quando os navios negreiros aportavam no litoral da África ocidental, lá estavam os escravos enfileirados à venda, como um grande “Shopping Center”.

Bastava negociar e, acertado o preço, os próprios africanos que capturaram conduziam as filas de seus escravos para os navios.

Se os europeus não comprassem, os escravagistas africanos vendiam seus cativos para os árabes ou para outras tribos da África.

Antes da chegada dos navios negreiros europeus, o comércio escravagista já existia na África no mínimo mil anos antes.

 

 

Vamos parar por aqui, mas como o leitor pode perceber, há muitos mitos que se incorporaram na história e, por isso, a necessidade de ir a fundo separando o joio do trigo da verdade histórica do mito fabricado.

É assim que se faz história: buscando a verdade nua e crua.

 

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

 

JBFoco Online – Quarta-feira (11/09/2019)

 

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