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Qual é a maior floresta do mundo? Qual a floresta com a maior biodiversidade do planeta?

Parece que a resposta é “Brasil”. Se ninguém provar o contrário, a floresta amazônica concentra a maior “farmácia” do mundo inteiro em forma de plantas. O problema é descobrir como extrair delas os remédios e outros produtos, desafio para profissionais altamente qualificados como os bioquímicos.

O Brasil possui também a floresta atlântica, mas está reduzida ao mínimo. Mesmo assim, esse “mínimo” também é de uma riqueza impressionante.

Mas por que estamos falando de florestas e plantas medicinais? Para comentar como o dinheiro público é desperdiçado no Brasil. Explicamos.

Você sabia, caro leitor, que os índios guarani mbyá de São Miguel, Biguaçu, utilizam 1.500 ervas medicinais? Mas vocês sabem de onde? Daquela pequena faixa de capoeira existente no morro que se estende entre São Miguel até a Saudade, aqui em Biguaçu.

De onde vem essa informação? De uma dissertação de mestrado da UFSC cujo autor elencou as ervas usadas por esses índios, muitos dos quais a ciência ocidental não possui denominação. Por que a conclusão? Pelo fato de que na lista apresentada por ele, as plantas conforme seus nomes em guarani não vêm acompanhadas, em significativo número, com os correspondentes em português e as respectivas denominações científicas.

O que significa isso? Simplesmente que a ciência ocidental não sabe que plantas são essas. E por que não sabem? Ora, porque nem chegaram a ser catalogadas, o início de qualquer pesquisa.

E o interessante é que o “mato” de onde os índios extraem as mencionadas 1.500 plantas medicinais não é a Floresta Amazônica, mas sim uma simples “capoeira”. O que é isso?

“Capoeira” é uma palavra oriunda do tupi. Vem de “caá” (floresta ou mato) e “oeira” (o que já foi), isto é, “o que já foi floresta”. Trata-se da mata que nasce depois da floresta virgem, a “caeté” (de “caá”- floresta e “eté”- verdadeira), ou seja, a floresta primária nunca antes cortada e que possui aquelas árvores extraordinariamente altas e enormes. A capoeira é a mata sem as grandes árvores (que só crescem depois de séculos) e bem menos exuberante que a mata original.

Mesmo sendo uma mata cortada sabe-se lá quantas vezes ao longo dos últimos dois séculos, a “capoeira” de São Miguel também é de uma riqueza não aproveitada.

Se a tal “capoeira” possui, conforme já dito, 1.500 ervas medicinais, no mínimo era para haver pesquisadores realizando estudos sobre isso, mas infelizmente não há.

O Brasil era para ser o país dos bioquímicos, de um exército de mestres e doutores pesquisadores dessa ciência. Deveríamos até ser referência mundial no assunto. Era para ser política de estado, mas não é.

O Brasil tem as plantas, mas quem descobrem a utilidade das mesmas para remédios, anestésicos, comidas ou até mesmo venenos são os bioquímicos estrangeiros que, depois da sólida formação em suas universidades de origem, recebem financiamento para adentrar nas nossas matas atrás desse “paraíso” ignorada pelo Brasil nos vários sentidos do termo.

Vamos analisar o problema a partir da perspectiva de Biguaçu. Conforme dito antes, os índios de Biguaçu conhecem um absurdo número de ervas medicinais extraídas daquele “mato”. Mas se ninguém provar o contrário, simplesmente não há estudo algum sendo realizado atualmente para saber que ervas são essas e que potencialidades escondem.

A prefeitura de Biguaçu poderia ter programa de “Jovens Cientistas” ligado a alguma universidade. Alunos que se destacam em química nas escolas públicas do município poderiam ser selecionados para um projeto piloto. Poderiam ganhar uma pequena bolsa de estudos e algum laboratório poderia ser instalado em alguma escola pública do município para tornar-se a base do projeto em questão.

O leitor poderá dizer: mas não tem dinheiro para isso. Pode até ser que isso seja a mais pura verdade, ou seja, que estamos “viajando na maionese’, mas espera aí. Biguaçu não gastou R$ 180 milhões nas escolas públicas municipais (nem estamos falando nas estaduais) nos últimos quatro anos?

Quanto é 1% de R$ 180 milhões? Não dá R$ 1,8 milhão? Quanto é 0,25% do montante original? Não dá R$ 450 mil?

Se for “impossível” investir 1%, pelo menos 0,25% talvez seja possível e, de acordo com o exemplo dado, a prefeitura de Biguaçu não poderia destinar R$ 450 mil para um projeto tipo “Jovem Cientista”?

Se organizar bem as finanças, não existe dinheiro para um programa desses?

Um absurdo no Brasil é o desperdício, quando não coisa bem pior. Por exemplo, as prefeituras são obrigadas a destinar 6% de toda sua arrecadação para o custeio das câmaras municipais.

Analisando bem, é muito dinheiro para custear os vereadores. Se 1% de toda essa grana fosse destinado a projetos de pesquisa, para um fundo de formação de jovens cientistas, não seria um grande impulso para a ciência no país?

O Brasil tem 5.570 municípios. Conforme dito antes, todos têm de destinar 6% para suas câmaras de vereadores. Se ao invés de 6%, fossem destinados apenas 5% e o 1% que sobrou fosse destinado exclusivamente para um fundo de custeio de pesquisas, o Brasil não poderia dar um gigantesco passo em prol da ciência ao longo das próximas décadas?

Se esse 1% municipal fosse focado em bioquímica (como transformar plantas em remédios, por exemplo), o país não conseguiria catalogar 100% de suas plantas e ervas? Dessas pesquisas, não poderiam haver descobertas, talvez até surpreendentes?

Imaginemos um garotinho de 14 anos de idade, de uma escola pública, que conseguiu ser selecionado para integrar o projeto “Jovens Cientistas”. De uma hora para outra, esse menino passa a frequentar o laboratório que fica na sua escola e faz pesquisas básicas orientadas por algum professor universitário. Esse menininho recebe uma “mixaria” de bolsa de estudos. Vamos dizer que são apenas R$ 300,00 por mês.

Mesmo sendo um valor “ridículo”, para essa criança e sua família é algo extraordinário. É o início de uma carreira, uma vida diferente e até mesmo estimulante. O menino, mesmo em tenríssima idade, se for de família muito humilde, já começa a contribuir para o orçamento doméstico (pelo menos, não precisará pedir mesadas) e a medida em que estiver envolvido no programa, nascerá nele aquela vontade de um dia tornar-se “doutor”.

Mas o que acontece no Brasil? Esses R$ 300,00 acabam sendo gastos no meio do bolo dos 6% do custeio de câmaras de vereadores (!!!!!) Haja desperdício, Minha Nossa!!!!!

Em resumo bem “resumido”: o Brasil tem dinheiro, mas gasta absurdamente mal. Possui uma vastidão de plantas, mas que não consegue transformá-las em remédios e negócios. Só se tornam “descobertas científicas” e negócios por mãos dos “gringos”, muitos dos quais doutores em bioquímica, algo que aqui no Brasil é raro e de uma dificuldade imensa tanto para se tornar como para custear pesquisas.

Por que o 1º Mundo é 1º Mundo? Porque mantém um mínimo para custear seu “exército” de pesquisadores. São estes que, bem treinados e financiados, fazem as descobertas científicas que vão transformar-se na inovação tecnológica que move a economia.

Enquanto o Brasil não souber fazer o básico do básico para financiar sua própria equipe de cientistas, continuaremos vivendo nesse “miserê” de perspectivas, infelizmente.

 

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

 

JBFoco Online – Quarta-feira (18/09/2019)

 

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