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Na última quarta-feira (18/09), houve uma reunião no bairro Praia João Rosa. Na ocasião, o prefeito Ramon Wollinger (PSD) encontrava-se lá para ouvir as reclamações dos moradores da rua Domingos Coelho a respeito dos problemas que uma obra de pavimentação na região vem provocando. Afinal de contas, segundo populares, a obra já se estende por dois meses e está provocando muita dor de cabeça na região.

A reunião transcorria sem grandes emoções até que Carlos Wanderley Gomes da Silva, hoje proprietário da TV em Foco (diga-se de passagem, que nada tem a ver com o jornal Biguaçu em Foco, cujo nome mudou para a abreviatura JBFoco, em adequação aos tempos de internet), pediu a palavra e dirigiu algumas perguntas ao prefeito ali presente.

Aqui o relato do dono da citada TV digital: “(…) após todos os presentes fazerem seus questionamentos e colocações, Wanderley educadamente e exercendo sua função de repórter, o questionou: “por que a prefeitura não convocou os moradores e comerciantes para explicar e orientar antes de se começarem as obras evitando com isso todos os transtornos causados?”

Prosseguiu o relato: “Continuou Carlos Wanderley…  “E, por que a CASAN irá quebrar o novo asfalto em 2020 para instalar a rede de esgoto e não se optou em colocar os canos da rede de esgoto agora que seria o mais lógico?”

Relatou o dono da TV digital: “Estas simples perguntas foram o suficientes para transformar e enlouquecer o Prefeito Ramon. O homem ficou incontrolável e começou a xingar e a ofender, foi preciso mais de quatro pessoas para segurá-lo, evitando que ele agredisse fisicamente o repórter que ali pacificamente estava desempenhando o seu ofício”.

Infelizmente não há vídeo desse momento. Se houvesse, seria a prova inconteste para entender o que realmente aconteceu.

Mas se Carlos Wanderley estiver correto, o episódio mostra que o prefeito Ramon simplesmente não sabe lidar com críticos e oposição. Aliás, Ramon não tem a calma de um Lord e muito menos a sapiência de um político experiente.

Imaginemos que o relato de Carlos Wanderley não é verdadeiro. Este chegou “xingando” e isso tirou do sério o prefeito. Nesse caso, entenderíamos o sangue de Ramon subir à cabeça e ele responder a provocação na altura do tamanho da raiva. Numa ocasião dessas, é difícil ter o famoso “Sangue de Barata”. Ramon é gente e tem todo o direito de ficar com raiva. Quem não ficaria?

Mas se Carlos Wanderley estiver correto, que toda a confusão começou com uma simples pergunta (por que a prefeitura não convocou os moradores e comerciantes para explicar e orientar antes de se começarem as obras evitando com isso todos os transtornos causados?), Ramon mostrou uma atitude lamentável. Afinal de contas, ele é prefeito e “la noblesse oblige” (a nobreza obriga) é o que se exige de quem encontra-se nesse status social.

Se a pergunta não foi iniciada com palavrões e xingamentos, Ramon tinha de se portar tranquilamente porque, repetindo, ele é prefeito, ocupa cargo público, administra dinheiro público e, se qualquer cidadão brasileiro (não importa se morador de Biguaçu ou não) lhe dirigir perguntas sobre obras e investimentos públicos, ele tem de responder ou, pelo menos, dizer que no prazo tal sua assessoria irá encaminhar a resposta. Mesmo entre inimigos, não importando se de guerra ou adversários políticos, o respeito tem de haver.

O problema de Ramon é que, independente do episódio aqui relatado, ele tem demonstrado um longo histórico de raiva inconteste por não admitir que sua “nobre figura” seja questionada sobre investimentos públicos. Aliás, o “nobre alcaide” não responde questionário algum.

Ele não respondeu a maioria dos questionamentos PROTOCOLADOS do vereador João Domingos Zimmermann (Nino) (MDB). É verdade que Nino faz parte do partido adversário do PSD de Ramon, mas não há lei que autorize o prefeito a NÃO RESPONDER questionários de vereadores, mesmo os da oposição. Nino não está acima de ninguém, mas quer queira, quer não, ele é um vereador, portanto, também outra autoridade pública eleita pela população.

Recentemente um advogado chamado Fernando Henrique da Silveira, que é membro da Academia de Letras de Biguaçu e colunista do JBFoco, constatou que a prefeitura recusou a responder a uma pergunta que ele registrou através do protocolo da instituição.

Qual foi a pergunta “ofensiva” que Fernando fez? Ele simplesmente queria saber qual o número de livros existentes atualmente na biblioteca de Biguaçu. Simplesmente isso, mas Ramon não respondeu. E estamos falando de uma prefeitura com mais de 1.700 funcionários e com uma equipe de assessoria de imprensa. Certamente não é por falta de gente e tempo que o prefeito poderia alegar para não responder à “obscena” pergunta do advogado Fernando.

O JBFoco já protocolou uma infinidade de perguntas, todas sobre finanças públicas. São perguntas a respeito sobre quanto custou, quem fez a obra e outros detalhes que não constam no Portal da Transparência.

Não importa a pergunta. Ramon simplesmente não responde. O JBFoco teve de ingressar com um processo de Habeas Data (trad.: Obtenha a Informação) no fórum de Biguaçu.

Infelizmente a justiça brasileira está abarrotada de processos. Segundo os últimos levantamentos, são mais de 90 milhões de processos nos escaninhos tanto dos fóruns (1ª instância) como também nos TJs (2ª instância) e Superior e Supremo Tribunais Federal (3ª e 4ª instâncias respectivamente). É como se um pouco menos que a metade da população do Brasil ingressasse com um processo. É uma loucura!

Até o processo chegar na mesa do juiz, transcorre inevitavelmente um bom tempo (é um oceano de processos!!!) e o prefeito Ramon sabe disso e aproveita o fato de não haver uma legislação que torne obrigatória a resposta aos questionamentos sob pena de afastamento imediato do cargo para “empurrar com a barriga”, para não responder às ditas perguntas que estão a anos-luz de serem “ofensivas”. Com a imprensa e a munícipes como o citado advogado Fernando, ele usa dessa tática lamentável.

Agora com a câmara, contra a qual não pode partir para a “via de fatos” (ai se pudesse dar uma “merecida” surra no Nino por este “ousar” questioná-lo), ele se utiliza do poder do cargo. Explicamos.

Não faz muito tempo que os vereadores da bancada do MDB (entre eles, o próprio Nino) solicitaram a presença do prefeito Ramon Wollinger no plenário para que ele respondesse pessoalmente questionamentos dos parlamentares.

Conforme já dito antes, ele simplesmente não responde aos questionamentos do vereador Nino. Já que não responde por escrito, então que responda ao vivo numa reunião tête-à-tête com os vereadores.

O que fez Ramon? Ele tem o apoio da maioria dos vereadores da câmara (vale lembrar que há um expressivo número de funcionários comissionados hoje dentro da prefeitura que foram indicados pelos vereadores que o apoiam). Os vereadores de sua bancada simplesmente decidiram não aceitar a convocação de Ramon. E assim o prefeito não foi obrigado à comparecer à sabatina.

Este é o prefeito Ramon. Não responde protocolos. Quando é convocado pela câmara, aciona sua bancada de apoio para não comparecer. E quando é questionado publicamente por um repórter que se opõe a ele, como foi o caso do já mencionado Carlos Wanderley, mas fez a pergunta publicamente numa reunião pública no meio de vários cidadãos e sem começar a pergunta com xingamentos (se ninguém provar o contrário, foi isso o que aconteceu), Ramon “responde” com truculência pelo simples fato de ter sido questionado e querendo ir à forra tentando partir para o famoso vias de fato, o que é lamentável. Às vezes, se isso for a mais pura verdade dos fatos, não podemos deixar de concluir que Ramon parece que esquece que é o prefeito de Biguaçu ou que prefeito é sinônimo de “Monarquia Absolutista”.

Que é isso, Ramon?!! La Noblesse oblige (A Nobreza obriga). Você tem de estar à altura do cargo que ocupa. Por que essa raiva toda? A suspeita é que, por trás de toda essa raiva, esconde o medo. A sua raiva não é a da indignação, mas sim a do medo e do temor e isso se manifesta no famoso “a melhor defesa é o ataque”. O que será que esconde o fato do prefeito fazer de tudo para não responder aos questionamentos?

Só sabemos de uma coisa. Como disse Abraham Lincoln (1809-1865), “se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.”

O poder desnudou o verdadeiro Ramon. O elástico da máscara não segura mais, por mais que ele tente em insistir em usá-la.

 

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com.

 

Ramon Wollinger: o Poder desnudou bem seu caráter. (Foto Arquivo JBFoco)

 

JBFoco Online – Sexta-feira (20/09/2019)

 

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