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Na manhã do último sábado (31/08), concedi uma entrevista a quatro estudantes do curso de arquitetura da Universidade Estácio de Sá, de Barreiros, São José. Sobre qual assunto era a entrevista? Os graduandos buscavam informações sobre dados históricos do município de Biguaçu.

Além de história, eles queriam saber pequenos detalhes como: quando começou a funcionar o abastecimento de água em Biguaçu? A Casan atende todo o município? E os correios atendem a todos os moradores? Quais são os bairros da cidade? Etc, etc, etc.

Os estudantes reclamaram que nada encontraram na sede da prefeitura de Biguaçu. Acabaram batendo pé. Ora eram enviados para o Pró-Cidadão, ora para a biblioteca, ora para a secretaria de planejamento, entre outros locais. Enfim, não conseguiram absolutamente nada.

A prefeitura era para ter algum panfleto, algum livro ou uma atualizada página dentro de seu site oficial onde os dados pudessem ser colocados. Afinal de contas, a prefeitura não tem uma assessoria de imprensa?

Em resumo bem “resumindo”: a cidade não tem uma gestão da informação e os estudantes, com tantas perguntas, acabaram recorrendo-se ao editor deste jornal que, para respondê-los, utilizou-se de um volume em xerox de 600 páginas que é seu livro “História de Biguaçu”, obra esta que, quem sabe, pode ser publicada no futuro.

Por isso, volto a repetir pela enésima vez. Biguaçu precisa de um Arquivo Público DIGITAL.

Vou além. Por que não criar uma “Secretaria da Memória Municipal”?

Com uma pequena equipe munida com máquinas fotográficas digitais, scanners e laptops, os pesquisadores poderiam visitar as famílias semanalmente com o objetivo de reunir documentos, manuscritos, fotos, vídeos, filmes e gravações em áudios que possam contar a história de Biguaçu. Além disso, as famílias podem ser entrevistadas sobre a história das mesmas. Tudo isso é um inédito e precioso material de valor histórico que certamente vai alimentar gerações de historiadores e outros pesquisadores.

Com mais de 1.700 funcionários e torrando R$ 180 milhões em educação, não é possível fazer uma equipe de duas a quatro pessoas com esse objetivo?

Detalhe: em momento algum foi dito aqui que os pesquisadores iriam pegar papéis e documentos. Estes ficam com as famílias. O objetivo é fotografar ou escanear os documentos e as imagens irem para alimentar o site oficial da “Secretaria Municipal da Memória”, mantenedora do Arquivo Público “Digital”.

Quando editei o livro de Leonídio Zimmermann, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Biguaçu (Sintrarubi), qual foi minha surpresa quando eu, ele e sua esposa fomos vasculhar as gavetas da casa dele?

Encontramos fotos antigas, algumas do século XIX (!!!) Leonídio encontrou duas certificações: eram as primeiras comunhões de seus pais em 1906 quando ambos eram crianças. Detalhe: as certidões da capela do Rachadel, interior de Antônio Carlos, estavam escritos em alemão. Talvez sejam os únicos documentos que restaram editados nesta citada língua daquela igreja após a campanha de nacionalização de 1938 quando milhares de documentos alemães e em outras línguas foram apreendidos e destruídos pela polícia, principalmente no sul do Brasil. Em Biguaçu, não foi diferente.

Em resumo: visitando as famílias, podemos resgatar verdadeiros tesouros da memória da cidade e isso não sendo algo caríssimo, fora de questão.

Se Biguaçu quer uma gestão da informação, precisa investir um mínimo para o resgate de sua memória. E estamos conversados.

Agora mudando o assunto, mas dentro do mesmo. Semana passada, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), deparei-me com pilhas de livros, recortes de jornais, artigos fotocopiados em cima de uma mesa para quem quiser levar para casa. A maioria do material era de revistas científicas nas áreas da linguística e literatura.

Volta e meia professores da UFSC fazem isso. Quando não têm mais como armazenar livros, revistas científicas, artigos xerocados e recortes de jornais, eles mandam para os corredores do Centro de Educação e Expressão (CEE) da UFSC.

Se Biguaçu tivesse um Arquivo Público Digital, não hesitaria em pegar todo aquele material, levar para o carro e, no outro dia, doaria para o arquivo. Esse material, se em seguida for escaneado, transforma-se automaticamente num “tesouro”. Explico. Às vezes no meio daquela “papelada”, há um artigo que é um “achado” para algum pesquisador.

O digital não ocupa lugar e permite o armazenamento de milhões ou bilhões de textos, ainda mais com a vantagem de poder fazer a busca digitando palavras-chaves.

Depois de escaneados, o arquivo pode dar o destino ao material.

Mas isso é muito “futurismo” em Biguaçu. Por falta de espaço e de alguma grande e espaçosa biblioteca, sem falar de arquivos públicos, todo dia milhares de livros e outros documentos têm como destino a lata do lixo ou a reciclagem. Isso é lamentável.

Vamos deixar bem claro. Não somos a favor de ter de guardar toneladas de papel. Mas antes de jogar fora, é preciso escanear esse material e guardá-lo em arquivos digitais para depois atender os pesquisadores. Não há prazer no mundo para um pesquisador conseguir encontrar textos que fornecem preciosas informações para seu trabalho.

Esperamos estar contribuindo para a evolução das ideias e pela preservação da nossa memória.

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

Livros e revistas científicas doadas na UFSC e que deveriam ser escaneados, mas não são. (Foto Ozias Alves Jr)

 

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