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Recebi a seguinte mensagem: “Meu nome é Paulo Roberto da Silva. Moro em Sorocaba de Dentro, zona rural de Biguaçu, e estou indignado com a Celesc. Ficamos sem luz desde às 10.30 da manhã até às 20.00 horas no domingo (08/09). Não tivemos sequer aviso da Celesc.

Toda a comunidade está indignada. Disseram que era problemas no redutor, vai saber realmente o que aconteceu. Esta falta de energia é frequente. Ninguém merece ficar o domingo todo sem luz”.

 

Eletrificação rural. (Foto Jim Semonik por Pixabay)

 

QUESTIONAMENTOS

Pois é! Realmente o caso é intrigante. Como é que a zona rural de Biguaçu ficou 10 horas sem eletricidade no último domingo (08/09) se só no ano passado foram investidos R$ 4,6 milhões do dinheiro da COSIP, taxa de iluminação pública, para a “ampliação” da rede elétrica?

Não faz sentido. Nunca se investiu tanto dinheiro na eletrificação do interior de Biguaçu. Entre 2015 a 2018, isto é, num período de quatro anos, o prefeito Ramon Wollinger (PSD) autorizou R$ 11 milhões da COSIP fossem usados na rede elétrica do interior de Biguaçu.

Perguntar não ofende, mas eu realmente queria entender: se o investimento era para ampliar e melhorar a rede elétrica, como é que o interior de Biguaçu ficou 10 horas sem eletricidade? A queda da energia foi por falta de investimento ou estarem mexendo na rede para ampliá-la? O que realmente aconteceu?

Afinal de contas, em que os R$ 11 milhões foram gastos na rede elétrica do interior de Biguaçu? Vale lembrar que o prefeito Ramon simplesmente recusa-se a dar explicações. Acha que está com o Rei na barriga.

 

 

QUESTÕES NEBULOSAS

Irei transcrever trechos de um artigo nosso publicado em 6 de fevereiro deste ano sobre o caso Cosip. Aqui vão: “Em 2018, foram gastos R$ 4,6 milhões de reais de Cosip, a taxa de iluminação pública. Detalhe: sem licitação por causa de um decreto de emergência assinado pelo prefeito Ramon Wollinger (PSD) em 2017.

O interessante é que o prefeito insiste em não oferecer um relatório detalhado desses gastos.

Esta é a “marca registrada” de Ramon: a falta de transparência. O cidadão autoriza gastos milionários, mas, quando questionado, simplesmente nega-se a apresentar explicações. Leia-se: apresentação de relatório, notas fiscais, fotos, documentos em geral, enfim, uma prestação de contas de fato e não na “embromation”.

O caso da COSIP foi exatamente isso. Como Ramon não respondeu, fomos investigar e acabamos descobrindo que, nos últimos quatro anos (2015-2018), o cidadão gastou nada mais, nada menos que R$ 11 milhões dos fundos da Cosip, sendo que a empresa contratada que recebeu significativa parte desses recursos foi a Energiluz, de Antônio Carlos, em obras com e sem licitação.

Não estamos acusando de nada, mas o volume de dinheiro é realmente bem elevado e, diante disso, Ramon está provando que alguma coisa está errada, pois o cidadão simplesmente nega-se a prestar contas de todo esse gasto.”

 

COSIP

 

Vereador Salmir da Silva questionou em 2017 sobre a razão de aumentar a COSIP. Qual a justificativa?(Foto Arquivo JBFoco)

 

Continuava a matéria: “O vereador e atual presidente da Câmara, Salmir da Silva (MDB), questionou em 2018 o aumento da Cosip de 2017, fundamentado num decreto que o prefeito assinou alegando que precisava “aumentar a rede de energia” do interior de Biguaçu.

Questionar não ofende, mas o interior de Biguaçu já não tem eletricidade faz algumas décadas? Estava tão “desprovido” de redes de distribuição de energia elétrica que foram necessários gastos milionários da Cosip?

Salmir questionou que o que se arrecadava antes do aumento da Cosip já era suficiente para as obras de manutenção da iluminação pública. O que foi problemático acabou sendo o fato de que Ramon foi aumentar um imposto justamente numa época de crise em que vivemos.

Isso já é problema, mas pior ainda foi não ter sido apresentado algum estudo técnico especificando o “Estado de Emergência”.”

 

IMPOSTO AUMENTADO EM PLENA CRISE

Continuava a matéria: “Não tem problema algum o prefeito Ramon decidir, no meio da maior crise econômica da história do Brasil que estourou em 2014, mandar um decreto dizendo que precisa aumentar a Cosip de Biguaçu, mesmo que o povo já está se “lascando” em pagar tanto imposto.

Mas uma decisão dessa importância (afinal de contas, aumento de imposto sempre mexe dolorosamente no bolso de todos nós, os “contribuintes), Ramon brincou com a nossa inteligência ao argumentar que é devido à necessidade de se “expandir a rede elétrica” no interior do município, mas onde está o relatório técnico DETALHADO sobre as obras necessárias a serem empreendidas?

Cadê o relatório explicando que, com a arrecadação que se tinha de Cosip antes do aumento, não era possível custear as obras necessárias e os valores das mesmas?

Cadê o relatório enumerando as obras necessárias e os locais onde eles devem ser feitas?

Se ninguém provar o contrário, Ramon não apresentou a não ser o argumento da necessidade de se “expandir a rede elétrica” e os vereadores, em sua maioria, terem aceitado e aprovado a decisão.

O resumo da Ópera: Ramon não apresentou o relatório das obras necessárias e agora nega-se a apresentar um relatório pormenorizado do que foi gasto e os ENDEREÇOS onde as obras foram realizadas”.

 

NÃO INVESTIGOU

Tirando exceções do vereador Salmir da Silva e colegas do MDB, a câmara de Biguaçu simplesmente ignorou o caso, isto é, fez de conta que nada é nada e não cobrou nem um explicação do prefeito Ramon. Nem sequer convocaram o cidadão a comparecer na Câmara para explicar o que está acontecendo, em que os R$ 11 milhões foram investidos etc e tal.

Não sei se o blecaute de 10 horas tem a ver com as obras ou a falta delas na rede elétrica do interior de Biguaçu custeadas pelos R$ 11 milhões de verbas extraídas da COSIP, mas que merecia uma investigação, merecia.

Só sei de uma coisa: tem vereador mais preocupado em indicar cabos eleitorais para cargos na prefeitura do que investigar o poder público. Esta é a verdade dos fatos.

 

JBFoco Online – Segunda-feira (09/09/2019)

 

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