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Augusto Anderson dos Reis, popular “Gutinho”, foi o jogador mais “sem vergonha” do futebol biguaçuense. O termo “Sem vergonha” é xingamento mesmo e dado por sua legião de amigos. Ele se tornou famoso no futebol amador do município por seu jeito irreverente de jogar e seu físico magricelo. Não corria, não encarava marcação e não dividia com ninguém. Só ficava parado na grande área esperando pela bola de mão beijada só para fazer o gol. Essa malandragem garantiu-lhe muitos gols. Por isso, o apelido carinhoso de “Sem Vergonha”, “Safado”, “F.D.P”, “Vagabundo” e outros mais “bonitos” ainda. E Gutinho nem dá importância porque para ele o mais importante é fazer gol, mas não importando como e, se possível, sem suar a camisa.

Gutinho nasceu em Tijuquinhas, Biguaçu, em 19 de agosto de 1936. Aos sete anos, mudou-se para o centro de Biguaçu. Estudou até a 4ª série primária na Escola Básica Profº José Brasilício. “ Gazetei muita aula para jogar bola no campinho”, conta.

Depois de dar baixa no quartel, em 1958, Gutinho entrou para o Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER/SC). Lá trabalhou a vida inteira até aposentar-se em 1989, como topógrafo.

Na sua juventude, Gutinho jogou em times biguaçuenses históricos como o Comercial, de Valmor Kair, Bebidas Marte F.C. e BAC. Neste último, jogou durante 15 anos, fora outros atuando na equipe de Veteranos. Sempre jogou como centroavante, “na malandragem”.

Reis chegou também a atuar por um ano no futebol profissional, no Tiradentes de Tijucas. “ Mesmo sendo jogador profissional, não ganhava salário. Ganhava folga do serviço às terças e quintas para treinar, a única regalia que eu tinha”, observa Gutinho. “Lá no Tiradentes, era chamado de ‘Malandro’ porque não corria atrás da bola”, conta Augusto.

Depois do Tiradentes, Gutinho acabou no BAC. Ele fazia coisas que até Deus duvida. Uma vez, deu um olé em toda a defesa e no goleiro adversário, o ‘Batata’ (Não se confundir com o ‘Zé Batata’, homenageado neste livro). De frente à rede, livre, era só chutar de leve para fazer o gol. Ao invés disso, Augusto pegou a bola na mão e entregou-a ao goleiro adversário só de pirraça. O time dele quase quis matá-lo.

Por falar em matar, certa vez num jogo tumultuado, jogadores com os nervos à flor da pele, Gutinho acabou ameaçado de morte por um dirigente de clube. Motivo: Reis xingou-o durante a partida. “ Espera aí que eu vou lá em casa buscar a arma para dar um tiro em você”, disse-lhe o agressor. “ Eu sempre fui muito macho”, observa Augusto. Indagado se esperou para enfrentar o homem, Reis respondeu: “ Eu dei no pé, é claro, né”.

Gutinho era dado a fazer absurdos. Certa vez, num jogo decisivo do BAC, Augusto foi bater um pênalti. Imitando Charles Chaplin, cismou em bater a bola de pernas cruzadas, uma verdadeira palhaçada. O chute saiu fraquíssimo e o goleiro pegou a bola rindo. “ O meu colega de time, o Robertinho Silva, ficou furioso e quis meu couro. Passei maus bocados porque ele é forte prá dedéu”, conta.

Entre os amigos com os quais jogou cita Pedrinho Poeira, José Amorim, Vilma, Gonzaga, Altino, Pavão, Zezinho da Padaria, Robertinho, Abrahão Salum Neto, Tonho Borba, Acácio Reitz, Ênio, Zé Galego e muitos outros.

Entre partidas memoráveis, Gutinho lembra-se desta: “ Uma vez, lá nos anos 60, o Luizão Feuback (cuja biografia encontra-se neste livro) veio com um timinho vagabundo, o Metropol, de Barreiros, jogar com o BAC. A gente meteu neles 11 a 1, com seis gols do menino Márcio Farias. Cheguei perto dele e disse: – “ Ô, Grandão. O que vieste fazer aqui, hein. Veio só para jogar tiro de meta? Ele me olhou irritado louco para me dar uma porrada. Cutuquei a onça com vara curta, mas sabia que ele não iria reagir. Afinal, ele tinha começado a namorar com a Ana Locks (filha de Lauro Locks que se tornaria mais tarde prefeito de Biguaçu) e não iria fazer nada para desagradar a namorada. Por isso, cutuquei só na malandragem”, relata. “O Gutinho me paga. Vou contar uma dele”, retruca Luizão.

Em seu serviço, Augusto ausentou-se de Biguaçu algumas vezes por causa do serviço.  Em 1960, casou-se com a professora Diomal Maria Rodrigues dos Reis, com a qual teve seis filhos. “Ela foi a minha primeira namorada e a única”, disse Gutinho olhando sorridente para sua esposa que não aguentou e lascou: “Seu mentiroso!!!”

 

Gutinho em 1957. (Foto Acervo Família)

 

JBFoco Online – Quarta-feira (18/09/2019)

 

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