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Por que a historiografia escondeu essa história e só focou na história da escravidão negra ao Brasil?

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

 

Você sabia que mais de um milhão de europeus BRANCOS foram capturados e transformados em ESCRAVOS na África entre 1530 a 1780?

Sim, piratas africanos (negros, árabes ou em parceria) faziam excursões por cidades do litoral da Itália, França, Espanha, Portugal, inclusive na Inglaterra e Islândia, países mais longes das bases deles, o mar Mediterrâneo, com o objetivo de capturar escravos para serem vendidos tanto no mundo árabe como também no interior da África.

Essas informações são do historiador norte-americano, Robert Davis, autor do livro “Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast, and Italy, 1500-1800″ (Trad.: Escravos cristãos, senhores muçulmanos: a escravidão branca no Mediterrâneo, na costa Berbere e na Itália), ainda sem tradução no Brasil. O citado livro foi lançado em 2003.

Davis focou principalmente na escravidão feita pelos árabes, mas sobre o papel específico de traficantes NEGROS que escravizavam BRANCOS, há o livro “Quand les noirs avaient des esclaves blancs (2008)” (trad.: quando os negros tinham escravos brancos”, de autoria de um jornalista Serge Bilé (1960-), nascido na Costa do Marfim, África, mas que vive atualmente na França.

Vale lembrar que Bilé é NEGRO e isso é importante ser dito para quem não o conhece, pois não se trata de um autor branco querendo justificar que também houve escravidão no sentido contrário, mas sim de um jornalista negro cujo compromisso é unicamente a verdade, não mais do que a verdade dos fatos doam a quem doer. Se Bilé fosse um marxista fanático, talvez até mesmo não escreveria seu livro só para não “estragar” a versão repetida há mais de um século pela propaganda comunista de que a escravidão negra foi culpa dos brancos e que essa abominação foi a acumulação inicial do capitalismo, o que não é bem assim.

Talvez a maioria dos que lerem este texto vai ficar admirado indagando-se: “como assim escravidão de brancos? Mas não foram os negros os escravizados? E os capitalistas europeus não foram responsáveis pela maior escravidão de todos os tempos realizada no mundo transportando milhões de escravos africanos para as lavouras e minas do Brasil e do continente americano?

 

ESCRAVAGISTAS ÁRABES

A resposta é um gigantesco NÃO. Os europeus NÃO foram os maiores escravistas do mundo. Pelo contrário. Os maiores escravistas foram os árabes, que capturaram TRÊS VEZES mais africanos do que os europeus e por um período muito maior, ou seja, já desde 10 séculos antes dos portugueses, ingleses, franceses e espanhóis começarem a aportar no litoral africano para comprar e levar escravos para a América a partir do século XVI.

Por que certas cidades da Espanha promovem uma festa anual em comemoração à expulsão dos árabes da Península Ibérica? Não foram os árabes o povo que, ao longo dos 700 anos (entre 711 d.C até 1492) vivendo na Espanha e Portugal, que construiu cidades com redes de esgoto (algo inexistente na região naquela época) e trouxe tantas inovações tecnológica e alta cultura para a Europa?

Pois bem! Apesar de “avançados”, eles eram temidos porque não poupavam a população nativa da Espanha e Portugal que caíram em seus domínios. A invasão árabe da Espanha abastecia o comércio de escravos brancos levados para o mundo árabe.

Uns vão dizer: 1,25 milhão de escravos brancos (segundo os cálculos do professor da Universidade de Ohio, Robert Davis, do número de vítimas entre os séculos XVI e XVIII, não incluindo aí o período entre os séculos VII ao XV quando os árabes dominavam a Península Ibérica, pois os números são imprecisos) é uma cifra “pequena” se comparada aos estimados 5,5 milhões de escravos africanos levados para a América entre os séculos XVI e XIX.

Quando dissemos que os árabes escravizaram africanos em número TRÊS VEZES maior do que os europeus, não foi exagero. Segundo estimativas de historiadores baseados na documentação existente, os árabes escravizaram mais de 17 milhões de africanos entre os séculos VI d.C até o XIX, isto é, por 13 séculos, 11 a mais do que os europeus. Estima-se que os árabes começaram esse mercado sujo por volta do ano 650 d.C.

Em resumo: os árabes escravizavam africanos. Os povos africanos já promoviam guerras e faziam prisioneiros. Estes eram vendidos tanto na África, entre os povos africanos, como também aos árabes, que vinham com suas caravanas e frotas pelo continente africano. Tal como traficantes de drogas, escravagistas árabes mantiveram acordos, alianças e parcerias com escravagistas africanos. Vale lembrar que a África tem milhares de povos diferentes, muitos dos quais inimigos uns dos outros.

 

Comércio de mulheres brancas européias no mundo árabe. (Foto Google Images)
Inspecionando escravas brancas no mundo árabe. (Foto Pintura de Giulio_Rosati)
Mulheres europeias capturadas eram levadas para os haréns dos árabes. (Foto Reprodução Google Images)

 

 

GUERRAS AFRICANAS ESCRAVAGISTAS

Já os europeus, os “porcos capitalistas”, chegaram na África no século XVI. Detalhe: eles não adentravam a África para atacar e aprisionar escravos negros. Não precisava fazer esse trabalho sujo: já havia vários “shopping centers” no litoral africano.

Bastava pagar (podendo ser em cachaça, em tabaco, em tecido ou qualquer outro produto), encostar o navio nos trapiches e esperar que os escravos fossem empurrados um a um rumo aos porões e depois partir.

O negócio sujo de capturar, reunir, vender e colocar dentro do navio era feito pelos próprios africanos. Os vencedores vendiam os vencidos. Aliás, a África já tinha experiência de mais de 11 séculos neste comércio. A África, desde que já dá por África, tinha tradição em comércio de escravos.

E os africanos, que já tinham tanta “expertise” de comercializar escravos, que também excursionavam pela Europa através de escravos, desta vez de raça branca. Combinados ou não com árabes, os corsários (piratas africanos negros ou árabes ou mistos) atacavam, aprisionavam e levavam os escravos europeus para os principais centros de compra e venda de escravos no mundo árabe.

A preferência era por mulheres para abastecer os haréns. Eram escravas sexuais de carne branca muito apreciadas. Já os homens eram castrados. Tantos os escravos negros quantos os brancos tinham os testículos cortados. Vale lembrar que a taxa de mortandade dos escravos era altíssima, pois as castrações em escala industrial não eram feitas segundo a melhor higiene e técnica cirúrgica possível.

 

ESCRAVIDÃO BRANCA

E quem pensa que a escravidão de brancos feitos pelos árabes e negros era num passado distante, antes das grandes navegações e exploração do mundo pelos europeus a partir do século XVI, engana-se redondamente.

O leitor lembra-se de Miguel de Cervantes (1547-1616), o famoso autor de Dom Quixote, clássico da literatura mundial?

Sabiam que Cervantes foi capturado por corsários árabes em 1575 e ficou prisioneiro por cinco longos anos em Argel, hoje capital da Argélia. Tanto cidade de Argel quanto Tunis, hoje capital da Tunísia, eram duas principais bases dos piratas árabes escravagistas que infestavam o mar Mediterrâneo na época.

Os amigos pagaram o resgate e Cervantes foi salvo. Por muita sorte o famoso escritor não foi castrado e, assim, a humanidade não ganharia a obra prima “Dom Quixote”, publicada em 1605, 15 anos depois do famoso autor ter sido libertado dos escravagistas piratas árabes ligados naquela época à Turquia.

O professor Robert Davis conta que, entre 1785 e 1793, isto é, em pleno século XVIII, às portas do XIX, 130 marujos dos Estados Unidos que trabalhavam na Europa (leia-se Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo) foram capturados pelos árabes, conforme registro oficial.

Numa atividade tão vil como esta e moralmente condenável, surgiu a indústria do resgate. Se não houvesse o pagamento, a vítima (homem) acabaria inevitavelmente castrada e mandava para a escravidão. As mulheres, com ou sem resgate, certamente seriam abusadas.

Numa época em que a Inglaterra já era uma potência marítima mundial, escravagistas árabes partidos da base de Argel viajaram até a cidade de Baltimore, no litoral da Irlanda, e capturaram TODA a população daquela cidade. Apenas uns poucos conseguiram fugir. Haja ousadia!

 

CLAREANDO OS FATOS

Eis o que disse o professor Davis: “(…) a escravidão branca tinha sido minimizada ou ignorada porque OS ACADÊMICOS PREFEREM TRATAR OS EUROPEUS COMO MALIGNOS COLONIALISTAS DO QUE COMO VÍTIMAS. Enquanto os escravos africanos trabalhavam em plantações de algodão, os escravos europeus eram forçados a trabalhar em pedreiras, construções e em galés, sofrendo desnutrição, doenças e maus tratos. Governantes paxás (nome dado aos governadores de províncias do império otomano (turco), que no século XIX já dominava boa parte do mundo árabe), com o direito a um oitavo de todos os cristãos capturados, alojavam-nos em banheiros superlotadas conhecido como baños e os utilizavam em obras públicas, como a construção de portos e corte de árvores. Eram dados a eles fatias de pão e água. As mulheres cativas dos paxás eram mais susceptíveis de serem consideradas como prisioneiras a serem trocadas por reféns, mas muitas trabalhavam como assistentes no harém do palácio enquanto aguardavam por pagamento e liberdade, o que em alguns casos nunca chegaram. Alguns escravos comprados por particulares eram bem tratados e tornaram-se acompanhantes, outros eram espancados e realizavam trabalhos excessivos. “Os menos sortudos terminavam empalados ou largados no deserto, em cidades pouco movimentadas como Suez, ou nas galerias do sultão turco, onde alguns escravos vagavam por décadas sem sequer pôr os pés na praia”.

 

IDEOLOGIA COMUNISTA

Por que estamos falando desse assunto “escravidão branca”? A troco de que este artigo?

Em primeiro lugar, para dizer o seguinte: a ideologia comunista penetrou tão profundamente no mundo ocidental que a história ensinada nas escolas está distorcida, quando não, falsificada.

Não vamos muito longe. Peguem algum livro de história das escolas de Biguaçu. O leitor conseguiria encontrar alguma passagem do livro citando a escravidão branca? Há alguma referência à escravidão dos árabes?

Certamente que não. Mas certamente os europeus serão apresentados direta ou indiretamente, como bem lembrou o professor Davis, como “malignos colonialistas” ou “porcos capitalistas”.

Aqui ninguém está defendendo a ideia de que a escravidão de africanos trazidos para a América justifica-se porque os árabes e africanos também escravizaram brancos. Um erro não justifica o outro. Uma atrocidade não pode nem deve ser justificada por outra. Mas o questionamento é: por que omitir a participação dos africanos e dos árabes nesse comércio tão bárbaro? Por que apontar o dedo apenas à civilização branca, europeia e cristã por essa tragédia?

 

MANIPULAÇÃO IDEOLÓGICA

Justamente para alimentar o discurso marxista contra os “burgueses”, os “porcos capitalistas” e o “cruel capitalismo que destruiu e atrasou a África”.

Se começar a apresentar os africanos e os árabes como também responsáveis pelo escravismo, período este que Karl Marx (1818-1883), o pai dessa ideologia, “denunciou” em sua obra como o “abominável” pecado que nutriu o capitalismo ocidental para a conquista do mundo, não iria “confundir” a cabeça do povo?

Não é mais fácil alimentar um discurso de ódio contra o capitalismo culpando os “burgueses” pelos males do mundo, inclusive o de ter escravizado- só eles e “mais ninguém”- os negros da África?

O leitor lembra-se do episódio do ex-presidente Lula, numa viagem à África, ter visitado um entreposto onde eram embarcados os escravos nos navios negreiros rumo ao Brasil? Na televisão, o cantor Gilberto Gil, na época ministro da cultura, apareceu chorando olhando para aquele trapiche que, séculos antes, quem sabe algum ancestral seu teria passado rumo ao Brasil para viver como escravo.

Lula pediu “perdão” pela escravidão, querendo dizer que os brancos como ele tinham uma dívida moral pela tragédia da escravidão.

Pera aí! Não é bem assim! Quem tem de pedir perdão são os africanos que construíram os tais “trapichões”. Foram eles que que durante séculos atacaram seus vizinhos, fizeram prisioneiros e depois foram vender a “mercadoria” para os árabes e os europeus.

O europeu não fez o trabalho sujo de entrar na África, promover guerras para capturar prisioneiros. Aliás, nem teria condições para tanto.

Se Lula fosse alguém mais letrado e informado, ele não iria pedir “perdão”, mas sim corrigir a verdade dos fatos e esta é a culpa de todos pela tragédia. Lula era para ter dito: “vocês africanos também têm de pedir perdão pelo que fizeram”. Se for analisar bem, os africanos são mais culpados pela tragédia do que os traficantes de escravos europeus.

E no final, aproveitaria para dizer o seguinte: os africanos levados como escravos para o Brasil não eram submetidos à castração, como também em todas as regiões da América onde houve escravidão, e que no mundo ocidental, a grande diferença em comparação ao mundo islâmico/ árabe foi que na América houve o movimento abolicionista, conforme lembrou o filósofo Olavo de Carvalho.

No Brasil, esse movimento culminou na assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Nos Estados Unidos, o abolicionismo, a libertação dos escravos negros, acabou gerando a famosa guerra civil norte-americana (1861-1865). O país literalmente dividiu-se ao meio entre aqueles que queriam dar a liberdade aos negros e a outra que tinha posição contrária.

No mundo islâmico, tal movimento não houve por um motivo muito simples. No Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, há trechos que justificam a escravidão.

Ó Profeta! Por certo, tornamos lícita para ti tuas mulheres, as quais concedeste seus prêmios; e as escravas que possuís, entre as que Alá te outorgou em espólios.” (Alcorão 33:50)

Sem querer criar polêmica, pois o assunto pelo jeito deve ter gerado muita polêmica no mundo árabe, mas o trecho aqui apresentado deu margem ao entendimento, ao longo dos séculos, para os árabes islâmicos para justificar a escravidão, o que, aqui no mundo ocidental cristão, com a ausência de algum trecho da Bíblia que justificasse a escravidão, criou-se a justificativa de que “os negros não tinham alma”, o que dava uma justificativa moral para escravizá-los.

Enfim, o fato é o seguinte: nossos livros de história precisam acrescentar: a escravidão não foi uma exclusividade brasileira e europeia. Há notória manipulação comunista em negar fatos e esconder a verdade história, inclusive transformando Zumbi dos Palmares (1655-1695) em “herói” libertador dos escravos, quando, na realidade, ele tinha escravos, o que era um costume bem africano.

 

BIBLIOGRAFIA

Aqui não se tem objetivo de se escrever uma biografia tanto da escravidão branca (de europeus) quanto a de africanos realizada por traficantes árabes e africanos.

O que chama a atenção é que o assunto tem sido pesquisado recentemente. O livro mais antigo data de 1989, mas a esmagadora maioria é da década de 2000.

O interessante que, como se pode verificar, os livros estão em inglês e francês. Ainda não foram traduzidos para o português.

No Brasil, os livros sobre escravidão é TODOS referentes ao tráfico da África rumo à América. A ideia predominante vinda nos livros de história do Brasil é a de que o BRANCO é o ÚNICO traficante cruel, sanguinário e capitalista selvagem.

Mas a história não é bem assim. Que o digam os novos estudos empreendidos por autores africanos NEGROS. Será que são “fascistas” e “capitalistas cruéis” querendo vender uma história deturpada?

 

BIBLIOGRAFIA

Aqui a biografia básica sobre o assunto. Não temos notícias se algum desses livros serão traduzidos para o português.

1)“Les Négriers en Terres D’Islam (2003)”, de Jacques Heers

2)“White Slaves, African Masters (1999)”, de Paul Baepler

3)“Traites Négrières (2004)”, de Olivier Pétré Grenouilleau;

4)“Quand les Noirs avaient des Esclaves Blancs (2008)”, de Serge Bilé;

5)“Afrique, L’Histoire à L’Endroit (1989)”, Bernard Lugan

6)“L’Histoire de l’Afrique (2001)”, Bernard Lugan;

7)“Islam’s Black Slaves (2001)”, Ronald Segal;

8)“Le génocide voilé (2008)”, Tidiane N’Diaye;

9)“Slave (2002)”, Mende Nazer;

10)“White Gold (2004)”, Giles Milton.

11)“Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast, and Italy, 1500-1800 – Robert C. Davis (2003).

E espero ter contribuído para o debate.

 

VÍDEO

 

 

 

 

 

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