Publicidade

Vilson Alves, que já foi vereador duas vezes pelo PP e atualmente exerce o cargo de vice-prefeito de Biguaçu, deverá pular de sigla e filiar-se ao Partido Liberal (PL).

Tudo isso faz parte de uma articulação para agregar o apoio do ex-prefeito Castelo (PP), da vereadora Salete Cardoso (PL) e principalmente para enfraquecer uma chapa futura apoiada pelo atual secretário da Casa Civil, Douglas Borba (PSL).

Borba é vereador licenciado de Biguaçu e hoje exerce o cargo de primeiro escalão do governo estadual. Será peça fundamental nas eleições municipais do ano que vem. Seu candidato terá apoio do governador Moisés, que goza de muita popularidade e aprovação administrativa na cidade. Recentemente os jornais em foco publicou uma pesquisa que aponta uma aceitação de mais de 60% ao governo estadual.

 

RACHADOS

Os antigos aliados Douglas Borba (que exerceu o cargo de vereador por dois mandatos pelo PP) e Vilson Alves (que também exerceu o cargo de vereador pelo PP duas vezes) estão rachados.

Alves, que já é o pré-candidato a prefeito de Biguaçu na sucessão de Ramon faz anos, não contará com o apoio de seu antigo correligionário. Borba, que agora filiou-se ao partido de Moisés, já articula um nome que será candidato a prefeito de Biguaçu pelo PSL. Hoje o nome mais cotado é do ex-vereador pelo MDB, André Clementino. O objetivo de Douglas é trazer Clementino para o PSL e formar uma chapa tendo um vice do MDB.

 

 

Vilson Alves: chapa que defenderá o governo Ramon. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Salete Cardoso: apoio a Vilson. Chapa de situação. (Foto Arquivo JBFoco)

 

John Kennedy Lara da Costa: vice de Vilson. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Castelo: apoio a Vilson. (Foto Arquivo JBFoco)

 

 

Ramon: apoio amarrado a Vilson. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Douglas Borba: “o PSL vai eleger o próximo prefeito de Biguaçu. (Foto Arquivo JBFoco)

 

André Clementino: provável candidato de Douglas. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Marconi Kirch: pré-candidato a prefeito pelo DEM. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Alexandre Martins almeja majoritária ano que vem. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Peres: pré-candidatura de oposição. (Foto Arquivo JBFoco)

 

BRIGA DE CACHORRO GRANDE

As eleições para presidente da câmara municipal de Biguaçu realizada no começo de dezembro já provou esse racha. O candidato apoiado por Douglas venceu a chapa apoiada por Vilson. Cada vez fica mais claro quem apoia Borba e quem apoiará Alves. Tudo indica que o pleito vindouro será uma briga de cachorro grande.

 

PODER

O secretário Douglas Borba vem usando bem sua caneta para conseguir aliados. Suas indicações em cargos no governo do estado vêm trazendo apoio consideráveis de políticos da situação e até mesmo da oposição.

Já Vilson Alves tem a seu favor o fato de ter muitas indicações atualmente na prefeitura de Biguaçu e com essa articulação de ir ao PL, une a vereadora Salete, que não esconde de ninguém, sua rejeição a Douglas Borba. E prestigia um vice do PP, no caso John Kenedy, que já se ensaiava ser o pré-candidato do PP a prefeito da cidade com o apoio de Castelo.

Essa mudança de plano de Alves é uma jogada de xadrez, para evitar uma evaporação de seu nome como candidato e conseguir o apoio do ex-prefeito e consequentemente do atual.

 

INTERESSES

Todo mundo sabe que Ramon, o atual prefeito, joga pelos seus interesses sempre. Já que ano que vem ele termina seu mandato, como ficaria sua situação depois disso?

O presídio que será instalado em Biguaçu por força de Ramon terá que ter um cargo de diretor. Como Ramon não foi no cartório de dona Elza para registrar que “não aceitará” o cargo do diretor do futuro presídio de Biguaçu, o cidadão não tem como negar que aprovou o presídio (diga-se de passagem, sem consultar a câmara nem a população) para um cargo de futuro diretor. Se quiser calar quem diz isso, que vá no cartório. Do contrário…

Já que o prefeito é agente penitenciário e essa função de diretor que é bem remunerada estava sendo articulada. E para isso Ramon precisaria de uma indicação do governo do estado. Por isso, Ramon trabalhou muito para eleger Gelson Merísio para o governo do estado e hoje não teria mais moral para pleitear tal cargo pois os catarinenses elegeram outro candidato da oposição.

Na campanha Ramon, que era taxado como papagaio de pirata por estar sempre atrás das fotos que Merísio aparecia, criticou muito os opositores de Merísio nas eleições. Logo o apoio de Douglas de Biguaçu seria fundamental para reverter um não de Moisés para o tão almejado cargo de diretor do presídio de Biguaçu. Estava aí a fórmula da traição já detectada por Vilson.

Por isso, com a ida de Vilson Alves para ser pré-candidato a prefeito pelo PL, tendo John Kenedy do PP como vice, contando com o apoio de Castelo, ameniza a possibilidade de traição de Ramon Wollinger. Até porque o atual prefeito se elegeu por causa do poder econômico e na onda da gestão de seu antecessor. Alves armou uma arapuca para Wollinger não aterrissar em outros ninhos.

 

FORÇA DE DOUGLAS

No entanto, a força de Douglas é visível. Muito bem organizado e articulado, Borba diz textualmente que o PSL elegerá o próximo prefeito de Biguaçu.

E isso será com certeza uma questão de honra para o atual secretário estadual. Douglas almeja cargos políticos muitos superiores como deputado estadual, federal ou até mesmo uma indicação para desembargador. Diante disso o vereador licenciado tem que mostrar força DE VOTO.

Imaginem ele fracassar justamente em seu reduto eleitoral? Vilson quer jogar água em seu chope, mas Douglas já tem o apoio de muito vereador da situação e oposição e está em tratativas com outras siglas partidárias para conseguir viabilizar apoios. Se o candidato de Douglas for André Clementino isso mostra que ele estará fazendo uma chapa de oposição clara porque Clementino está atualmente filiado ao MDB, partido de oposição ao governo Ramon e foi candidato na chapa de Tuta como vice nas eleições que o MDB perdeu para o atual prefeito.

 

CHAPA DA SITUAÇÃO

Já Vilson está formando a chapa da situação. Na testa dele estará escrito CANDIDATO DO GOVERNO. Tendo a ajuda de Salete Cardoso, se ninguém provar o contrário, campeã de nomeações dentro da prefeitura municipal de Biguaçu e com o apoio do prefeito Ramon, mesmo que amarrada, sua campanha será totalmente vinculada a continuação da atual gestão.

Ele terá que superar os 12 anos de poder de um grupo político que agora está rachado e passar por cima da péssima avaliação que o governo Ramon tem.

Vai ser difícil discursar e defender uma gestão marcada por licitações milionárias não explicadas detalhadamente para a população, crescimento econômico pessoal visível que precisa ser esclarecido, dívida de mais de R$ 21 milhões para o sucessor, enormes gastos com a Cosip que até hoje só acumula pulgas de dúvidas e abarrotamento de cargos políticos.

 

CORREM POR FORA

E o racha da situação é tão grande que não é apenas a situação da carreira solo de Douglas Borba.

O DEM deve lançar o ex-vereador Marconi Kirch para prefeito. Se isso vier acontecer é um grande problema para Vilson. Os votos que o Marconi terá são do mesmo grupo que votariam em Vilson se Marconi o apoiasse.

E outra coisa: o DEM é o partido mais organizado da cidade e tem hoje dois vereadores. Kirch é considerado um leão em época eleitoral: consegue aliados e apoios de todos os lados.

Tudo isso atrapalhará uma chapa de situação com certeza. Outro nome que também tira votos de Alves numa possível candidatura é de Alexandre Martins.

O jovem, que trabalha na prefeitura de Biguaçu, sempre apoiou o grupo que se iniciou com o ex-prefeito Castelo e uma virtual candidatura sua na majoritária atinge eleitores de Alves.

Já no campo da oposição o nome do coronel Heriberto Peres cresce. Sua possível candidatura já faz o efeito contrário. Tira votos de uma chapa de oposição almejada por Douglas. (Décio Baixo Alves)

 

Jornais em Foco – Quinta-feira (12/12/2019)

Publicidade