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Nesta semana, na frente da sede da prefeitura de Biguaçu, foi exposto um caminhão com os seguintes dizeres numa cartaz de plástico “plotado”: “o maior investimento em equipamentos da História de Biguaçu”.

Nada contra propagandear obras, serviços e seus feitos “olímpicos”, mas o prefeito Ramon Wollinger, aquele que teve a “feliz” ideia de colocar até placa comemorativa informando que trocou lajota por asfalto em calçamento de rua, na esperança de aumentar sua “lista de obras”, agora está apelando ao dizer que vem fazendo “o maior investimento em equipamentos da História de Biguaçu”.

Pois vejamos. Em primeiro lugar, não é bem assim. Na eventualidade de Ramon ter sido o prefeito que mais “equipamentos” comprou, vale lembrar que a prefeitura de Biguaçu de hoje (2019) não se compara, em arrecadação, à mesma prefeitura de 20, 30 ou 40 anos atrás, quando a população da cidade era literalmente três vezes menor.

O ex-prefeito José Eduardo da Costa (Zezinho), que administrou Biguaçu entre 1989 a 1992, guardadas as proporções, poderia ser considerado aquele que mais obras empreendeu pelo volume de dinheiro disponível em caixa. Por quê?

Foi ele quem conseguiu construir o “Mini-Hospital do Rio Caveiras”, onde hoje fica a unidade central de saúde ao lado do quartel da Polícia Militar, no bairro Praia João Rosa.

Quando Zezinho foi prefeito, naquele início da década de 1990, a prefeitura de Biguaçu não tinha 250 funcionários e a arrecadação era muito menor. Não se compara a prefeitura de Biguaçu de hoje, que tem mais de 1.700 funcionários. Imaginem a fortuna que é pagar a folha salarial de toda essa gente!!!

Mesmo assim, Zezinho conseguiu, com os poucos recursos que tinha e, ainda por cima, enfrentando a recessão provocada pela desastrosa intervenção econômica do então presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992), construir uma espécie de “pré-hospital”, algo inconcebível para os biguaçuenses daquele tempo.

Dito isso, é até vergonhoso o prefeito Ramon expor um caminhão com o cartaz “o maior investimento em equipamentos da História de Biguaçu”.

Com 1/10 dos recursos que Ramon hoje tem disponíveis na conta bancária da prefeitura, o ex-prefeito Zezinho teria certamente construído um hospital inteiro, tamanha era a “obsessão” dele em fazer algo pela saúde, que tantos os cidadãos biguaçuenses precisavam naqueles anos 1990.

Gastando R$ 176 milhões em quatro anos, o prefeito Ramon não conseguiu melhorar a educação pública municipal de Biguaçu que ficou em último lugar do IDEB da Grande Florianópolis”.

Para dar “cafezinho” na prefeitura, Ramon gastou R$ 70 mil neste ano de 2019 (haja café!!!). Em persianas, gastou R$ 280,5 milhões. Haja reformas na prefeitura de Biguaçu para tanta persiana, prateleiras e afins. Nem vamos falar de outros gastos e inclusive como o JBFoco denunciou a tentativa de Ramon de gastar quase R$ 1 milhão em aluguel de… “patentes químicas”. Haja desperdício e falta de prioridade no gasto do dinheiro público!

Mas vamos dar crédito ao cartaz de Ramon: realmente ele está sendo o prefeito que “mais investiu em equipamentos em toda a história de Biguaçu”.

Perfeito. Ótimo. Parabéns ao prefeito Ramon. Mas espera aí. Como adquiriu o caminhão da foto? A prestação ou foi “doação” dos governos estadual e federal?

Se foi a prestação, então o prefeito admite que está aumentando mais agora a dívida da prefeitura. Atualmente está em R$ 21 milhões, dados oficiais de seus secretários informados numa recente reunião com a câmara, se não estiver enganado, em outubro passado.

Ora, o que adianta dizer que é o “bam bam bam” que mais “investiu em equipamentos” se vai deixar uma dívida milionária em 2020, que, segundo previsões orçamentárias, será maior do que R$ 21 milhões?

Problemático isso. Haja propaganda tão dissociada da realidade dos fatos.

 

Ozias Alves Jr (Editor)

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

 

Caminhão exibido na frente da prefeitura de Biguaçu. (Foto Ozias Alves Jr)

 

Jornais em Foco – Quinta-feira (05/12/2019)

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