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Texto:Professor Miguel João Simão

Escritor e Pesquisador

 

O homem brincalhão, bem humorado começa a perder suas forças no final de 2016. Depois de várias complicações com a saúde, numa ida e vinda de hospitais e postos de saúde, sua saúde fica comprometida e seu corpo debilitado, numa resposta dos anos de luta e de trabalho que aqui viveu.

Valdemar Bittencourt Filho, ou simplesmente Valdo do Valdemar, nasceu em 1934 na comunidade de Canto dos Ganchos, um pouco distante do centrinho do bairro.

Numa pequena chácara, o casal Valdemar Antônio de Bittencourt e dona Laurentina Maria de Bittencourt viviam do trabalho da roça e da venda de lenhas.

Dos 7 filhos, o mais velho foi batizado com o nome do pai, Valdemar, mas sempre foi chamado de Valdo e assim ficou conhecido por todos.

Seu Valdo nunca esmolou, embora tenha nascido numa família pobre e sem recursos.

Aprendeu a profissão de pescador e trabalhou nos barcos pesqueiros, com o dinheiro que ganhava ajudava os pais e os irmãos. Ainda pode encaminhar na vida pesqueira os irmãos Dilmor, conhecido por Dico da Creuza e Antônio, o Tonho, que da pesca mantém suas famílias. As irmãs Laurentina, Laureci, Lourdes e Dalva aprenderam com a mãe os afazeres de casa preparando-se para casar, como tradição da época.

Valdo seguia sua vida de pescador, mas sempre ousado em buscar novos conhecimentos, nunca se conformando em saber uma única função ou fazer uma única coisa.

Em meados dos anos de 1960, com a inauguração do Grupo Escolar Abel Capella em Canto dos Ganchos, Valdo passa a ser funcionário da Escola, na função de Agente de Serviços Gerais, função conhecida por Servente de escola.

O Grupo Escolar foi inaugurado em março de 1962, sendo as primeiras serventes Maria dos Passos Wollinger e Iolanda dos Santos Simão.

Valdo tinha experiências como carpinteiro, pedreiro, e até aprendeu a lidar com a eletricidade, coisa rara por aqui, pois a energia elétrica foi inaugurada em 12 de dezembro de 1967. Essas experiências o levaram a trabalhar na 1ª administração municipal do Prefeito Miguel Pedro dos Santos (Miguel Flor) reformando escolas e pontes que haviam pelo município.

No Grupo Escolar, depois Escola Abel Capella, Valdo era uma espécie de faz tudo, não ficava parado, estava sempre buscando uma coisa para consertar aqui e outra ali.

Com a chegada da luz elétrica era muito procurado para fazer instalações residenciais, além de trabalhar nos finais de semanas como carpinteiro e pedreiro, mas sempre dando um jeitinho nas noites para jogar sua tarrafa em busca de peixes.

Foi um amigo para a comunidade onde nasceu e fez amizades por onde passou.

Era parceiro na comunidade, muitas vezes ajudando nas festas de igreja, e para pessoas sem condições financeiras fazia trabalhos de carpinteiro e não cobrava como algumas vezes tive a oportunidade de presenciar.

Na década de 1980, pede transferência de local de trabalho e se muda para Tijucas, onde permaneceu até o início dos anos de 1990.

Na sua vinda de Tijucas, retornando à Escola Abel Capella, Valdo passa a morar em Areias de Cima, bairro próximo à BR 101.

Com a aposentadoria no Estado, Valdemar Bittencourt Filho passa a prestar serviços para a prefeitura municipal, onde efetivou-se como zelador de escola.

Pai de 6 filhos, resultados de 3 casamentos, Valdo do Valdemar não resistiu aos diversos problemas de saúde, vindo a falecer no dia 28 de abril de 2017, deixando um legado de trabalho, de amigos, a marca de um homem sério e comprometido.

 

Dona Passinha (in memoriam) recebe homenagem no dia do servidor público. Ao lado, Valdo do Valdemar. Foto da década de 1980. (Foto Acervo Miguel Simão)
Valdemar numa excursão de professoras que trabalhavam em Governador Celso Ramos. Década de 1970. (Foto Acervo Miguel Simão)
Valdo do Valdemar. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

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