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Texto: Professor Miguel João Simão

Escritor e Pesquisador

 

 

Essa semana visitei a querida dona Dina, em Ganchos do Meio.

Trabalhei com ela na Escola Dr. Aderbal Ramos da Silva no ano de 1981. Servente dedicada e exemplar em seus afazeres, dona Dina estava sempre com um sorriso no rosto e sempre de bem com a vida.

Mais de 30 anos de dedicação a escola que era seu “ganha pão”, como ela costumava falar.

Almedina Ferreira Martins é filha de Tolentino Ferreira e de Idalícia Ferreira (ambos falecidos).

Nascida no dia 06 de outubro de 1929 em Ganchos do Meio, foi casada com o senhor Miguel Guilherme Martins, natural de Zimbros (Bombinhas).

Teve uma vida de altos e baixos, mas como mulher lutadora e de garra soube enfrentar os obstáculos que apareciam.

Durante sua infância e adolescência dividia a casa e as brincadeiras com seus irmãos Natália e Neri, na rua principal de Ganchos do Meio, hoje Avenida Ganchos.

Foi na casa construída pelo carpinteiro Pedro Vicente dos Santos (Pedro Flor – 1876 – 1934) que ela recebia a atenção dos pais e era preparada para enfrentar o mundo. A casa construída em 1931 abriga hoje um escritório de Contabilidade.

Dina como era carinhosamente conhecida, casou ainda jovem e ajudava na lida com pescados, colaborando com o esposo.

No inicio dos anos de 1960 inicia no serviço público como Agente de Serviços Gerais no antigo Grupo Escolar de Ganchos do Meio.

Mãe de cinco filhas dividia o tempo entre a casa e o trabalho.

No ano de 1966 o esposo sofre um acidente, ao pular de um trapiche, permanecendo internado por alguns anos.

Na fé e na boa vontade, conta coma ajuda da filha Lourdes ( a mais velha da família) para ajudar nessa difícil jornada.

Miguel é internado em São Paulo para um longo tratamento e Lourdes sem mesmo conhecer nada na cidade , viaja para ficar em companhia do pai.

Épocas difíceis, pois o único meio de comunicação era através da Rádio Nacional de São Paulo, onde a filha uma vez por semana passava o boletim médico e as informações. Dias tensos, meses de aflições, anos de luta.

Almedina sobreviveu a tudo isso, foram provações , como ela costumava falar, mas com apoio incondicional das cinco filhas, suas melhores companheiras e amigas, ela conseguiu dar volta por cima.

No início da década dos anos de 1990, ela se aposenta e para compensar todos os esforços passa a viajar em excursões com as amigas do grupo de terceira idade. Conheceu várias cidades, rezou em diversas igrejas, fez vários amigos.

No dia 06 de outubro desse ano ganhou uma festa das filhas para comemorar seus 90 anos de vida.

Um pouco fragilizada pelo mal de Alzheimer, não me reconheceu, mas não deixou de dar aquele abraço caloroso que só ela sabe dar.

Foram minutos maravilhosos que passei com ela, resgatando um pouco da memória de seus antepassados que ela ainda relata bem.

Dona Dina reside na mesma casa em que construiu com o esposo na década de 60 em Ganchos do Meio. Pessoa de um coração gigante e que particularmente gosto muito.

Almedina Ferreira Martins (dª Dina). (Foto Divulgação)

 

Miguel Simão com dª Dina. (Foto Acervo Miguel Simão)

 

 

 

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