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Se não bastasse a própria Covid-19, Douglas Borba tem sido o tema das conversas dos biguaçuenses nas últimas semanas.

Vou registrar uma conversa que tive com amigos num restaurante daqui de Biguaçu. Vale a pena registrar o que foi dito. Só não vou dizer os nomes das pessoas porque não perguntei a elas se devo ou não identificá-los. Vamos ao registro.

Um comentou que Douglas Borba renunciou ao cargo de vereador na terça-feira passada (19/05/2020) para “não perder os direitos políticos” já que talvez ele seja candidato a vereador na eleição de dezembro deste ano (a Justiça Eleitoral transferiu o pleito para o final de 2020 por causa da pandemia).

Se ele se candidatar, vai ganhar porque, com o dinheiro que foi desviado, ele vai comprar votos e sabe como é que: o povo se vende fácil”, argumentou um dos cidadãos.

Outro não concordou: “Esse Douglas não ganha nem para síndico de condomínio”.

Então, eu disse: “Olha, você tem razão. Com um bom dinheiro no bolso, é difícil o cara não ganhar eleição. É igualzinho aquele putinha do conto do escritor Nelson Rodrigues (1912-1980). Bastou o cara puxar o dinheiro da carteira, mostrar que estava falando realmente sério, que iria pagar uma bela grana pela noitada de amor, mesmo tendo feito a proposta para uma mulher séria, não teve jeito: a mulher topou. Este é o povo, mas acho que o caso do Douglas Borba é pouco diferente”.

Dei uma pausa, tomei um pouco de guaraná e voltei a falar: “O Paulo Maluf roubou bilhões e foi condenado. Não teve jeito. Os R$ 33 milhões do rolo do Douglas são fichinha, “troquinho” em comparação ao desvio do Maluf. Apesar dos escândalos, Maluf não parou de se eleger. É verdade que ele nunca mais ganhou para governador do Estado de São Paulo. Ele vencia sempre no primeiro turno, mas no segundo, todo mundo se aliava contra ele. No entanto, ele se elegeu deputado federal normalmente. Por isso, concordo quando você disse que Douglas não está “morto”. A carreira política dele sofreu um abalo sísmico, um tsunami, é verdade, mas nada que algum milhãozinho aqui ou acolá, sabe-se lá escondido onde, não resolva. Mas...”

Mais uma pausa para molhar a garganta e continuei para completar o raciocínio: “O Maluf desviou de viaduto, de ampliação de avenida, de tubulação para esgoto. E o povo, mesmo sabendo disso, não deixou de votar em Maluf, talvez porque muitos dos seus eleitores não andam naquela avenida do dinheiro desviado, o cano do esgoto não é do bairro dele etc.

Prossegui: “O problema de Douglas foi que ele foi fazer besteira logo no lugar errado: em respiradores para salvar vidas na pandemia de coronavírus. O povo está em casa. Muita gente perdeu o emprego. Tem cidadão aí que está há dois meses sem poder ver os pais ou os avós idosos com o medo de transmitir a doença para eles e, quando foi divulgada a notícia de que Douglas está envolvido num esquema de corrupção acusado de ser o “chefe” de uma quadrilha que desviou dinheiro de respiradores, aí a indignação foi turbinada. Foi nadar em gasolina e alguém tacou fogo.

Mas uma pausa para respirar e prossegui: “O Douglas foi se meter no lugar e na hora errados. Em primeiro lugar, desviar de respiradores tão necessários para salvar vidas na pandemia. Em segundo lugar, foi fazer isso em plena época de pandemia”. Aí foi de enlouquecer.”

Aí parti para a conclusão: “Se Douglas resolver candidatar-se a vereador aqui em Biguaçu, talvez ele não consiga eleger-se porque o povo está muito ódio dele. Mas ele pode. Nunca se sabe, né! Ninguém pode afirmar que não, porém vai depender da força do dinheiro, mas, mesmo assim, acho que o dinheiro não vai resolver a queimação de filme dele. É verdade que ele pode tentar ser candidato em São José ou em Florianópolis, mas não é a terra dele. Conseguir mil, dois mil, três mil votos para se eleger, ainda mais em outra cidade, não é fácil. Na minha opinião, Douglas não está na mesma situação de Maluf, apesar de que o escândalo lá de São Paulo foi absurdamente maior em volume de dinheiro”.

Então um dos ouvintes disse: “Cruzes! Se eu ver esse desgraçado aparecer aqui na frente do restaurante, eu dou nele uma cadeirada de entornar a coluna dele”.

Aí eu disse: “Viu! Douglas está tão queimado que pode sofrer justamente isso. Ele tem uma família aqui em Biguaçu, é tradicional, é grande e acho que a família está vivendo uma situação terrível e embaraçosa. Eles não têm nada a ver com isso, mas sempre é embaraçoso. Nunca se sabe se alguém pode se exaltar na rua xingando os parentes dele. Mas o filme de Douglas queimou-se tanto que ele pode correr realmente risco de sofrer agressões na rua. Nunca se sabe. Se fosse ele, já teria ido embora da cidade. Iria me mudar para o Paraguai ou para a Bahia, que é um outro “país”. Não queria estar na pele dele. Aliás, eu não me conformo. Verdade, eu não me conformo mesmo”.

De novo uma pausa, e voltei a falar para concluir o raciocínio: “Eu não me conformo porque o cara tinha tudo…tudo… tudo mesmo. Foi o segundo mais votado na última eleição, tinha um p..ta de um cargo no governo do estado, empregou os amigos todos, era o braço direito do governador, poderia quem sabe ser indicado pelo Moisés para ser Desembargador no Tribunal de Justiça, estava articulando uma coligação que poderia eleger o próximo prefeito de Biguaçu com as bênçãos dele e poderia ser candidato a deputado estadual em 2022. Mas o cara perdeu-se completamente na ganância. Olha, eu fiquei boquiaberto. Ele estava ali no bem-bom, ban ban ban, em cima da carne seca, ganhando salário de secretário e outros dois de membro de conselho de não sei o quê dentro do governo. Mas certamente já tinha feito besteiras antes, mas ninguém descobriu, e aí, criando confiança, foi indo, indo e indo até que cometeu o erro fatal e tudo explodiu. Olha, o assunto dá um livro. A tragédia da ganância, para não dizer coisa pior!!!

A conversa foi indo e eu, antes de ir embora, ainda comentei que Douglas pode ainda ser inocentado pela Justiça. Nunca se sabe. Porém, é claro, que o filme queimou completamente independente se for ou não inocentado no futuro.

Mas um fato não tem como negar: o governo do Estado pagou adiantado, o que contraria a lei, com ou sem a ordem de Douglas, isso está sendo investigado, R$ 33 milhões a uma empresa de fundo de quintal, cujo telefone dá numa casa de putaria e o dinheiro foi sacado. Que m….!!! Caracas, que queimaceira!!! É a vida!”

 

Ozias Alves Jr

E-mail: reportagemjbfoco@gmail.com

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